Imagem

O Que É Ser Flamengo? (tentativa #1)

O que é ser Flamengo? Eu não consigo descrever em palavras exatas, mas posso tentar te dizer o que o Flamengo tem sido pra mim nesses 29 anos de vida: uma parte fundamental minha. No “país do futebol” talvez tenha sorte aquele que nasce sem gostar do jogo. Digo sorte porque não se estressa como eu já me estressei, não perde noites se revirando e ruminando derrotas como eu já me revirei, não sai de um estádio chorando depois de uma derrota inesperada como eu já saí. Gostar de futebol também implica um gasto absurdo com ingressos, camisas, coisas relacionadas ao time. Faz bem quem não gosta. Mas eu tive sorte. Digo sorte porque, agora, já não coloco na balança o negativo – quer dizer, sinto seu peso, mas existe um lado maravilhoso que sempre compensou: o da alegria, do amor, da paixão. Vestir rubro-negro se tornou minha cor preferida e me desculpem não conseguir escolher só uma. Os meus momentos no Maracanã são alguns do que tenho mais vivo na cabeça; da derrota para o Santo André em 2002 até a Copa do Brasil em 2013. Nesses últimos tempos eu acho que tenho ficado mais sensível. Sinto um arrepio só de entrar pelo túnel, sorrio sozinho ao ver uma inversão de jogo e, da arquibancada, lembro sempre de como era pequeno e assistia muitos jogos com meu pai. Meu pai, me levou no primeiro jogo na Gávea, que ficava preocupado quando aos 14 anos eu já ia sozinho, e que me buscava quando eu era bem pequeno para o nosso programa favorito: ver o Flamengo jogar. Eu não vivi tanto ao ponto de ter visto a última conquista e se eu for comparar a história que eu já vi desse com alguns outros clubes, vou chegar a conclusão que este, sim, é o melhor ano que eu já vi. Independente do desfecho, hoje eu vejo o meu time no lugar de onde ele nunca deveria ter saído – e olha que quase fomos parar noutros bem estranhos. Se há um ano você me perguntasse qual era o meu sentimento em relação ao time, eu te diria que estava “cansado de só bater na trave”. Há 6 anos estamos nesse ritmo. Há 35 sem chegar tão longe. Há 38 sem voltar aonde queremos. Ainda com todas as brigas, promessas de abandonar e coisas ditas no calor da emoção nas fases ruins, hoje tranquilamente posso dizer que ser Flamengo é meu maior prazer.

[ Gustavo Lacombe ]

aproveite a promoção dos meus livros:
http://www.gustavolacombe.com.br/blackfriday

Amor: Futebol e Mulher

tumblr_m632bbK9601qhosuno1_400

Futebol é sentimento: amor, paixão, ódio…

É tanta coisa junta que se um homem (daqueles que domingo se sentam em frente à TV para assistir quase quatro horas de bola rolando sem interrupção) colocasse metade da dedicação que tem pelo time num relacionamento com a sua mulher, fatalmente existiria o “para sempre” inventado pelos contos de fadas e repetido pela Disney.

Não se precisaria explicar que “não é beeeem assiiiiim” que acontece.

Aliás, toda mulher deveria apoiar o time do parceiro. Se for o mesmo clube, maravilha. Se for outro, que não atazane o sossego do rapaz. Homem assistindo seu time do coração é igual cachorro na hora da refeição: se chegar perto demais morde.

Ela precisa saber que uma vitória ou uma derrota influenciam no astral da casa e, principalmente, da cama.

Como negar o casamento?

Na alegria (vitórias em sequencia ou aquela contra o maior rival) e na tristeza (queda pra série B, perda de clássicos); na saúde (haja coração, amigo!) e na doença (já vi muita gente de pé quebrado indo pra estádio); na riqueza (porque os ingressos tão caros) e na pobreza (já disse que os ingressos estão caros?); até que a morte os separe (ou nem isso – me enterrem com a bandeira do meu time, por favor!).

Se o amor pelo clube fosse como o amor à mulher, uma sequencia negativa de brigas nunca afastaria o casal. O rompimento nunca seria definitivo. E até nos piores momentos, os dois estariam juntos. A queda de rendimento sempre viria com uma crença de que tudo melhoraria, como um mantra estilo “eu nunca vou te abandonar”.

As alegrias de antes seriam lembradas todo dia. Não se jogaria fora as fotos nem se cogitaria quebrar porta-retratos. Guardada ao lado daquela já fiel em jogos decisivo, sempre haveria uma roupa nova para um próximo encontro. Que homem não gosta de desfilar com aquela camisa bonita recém-lançada com o número do seu craque? Mas já imaginou ele andando por aí com o nome e o rosto da mulher?

Valéria, minha camisa 10.

O homem sabe que seu time é o melhor e pronto. Ele não precisa cobiçar ter os títulos ou nada parecido que os outros tem. Não existiria o ciúme nem a traição. A mulher nunca o pegaria olhando pra outra que não fosse a dele.

Ê amor grande de pra sempre!

E bote fé que, se um dia o cara trocar um jogo do time dele por qualquer compromisso seu de família, ele é pra casar.

(Gustavo Lacombe)