Quando a Gente Ama

Quando a gente ama, é certo que se quer bem e feliz o outro. É claro que existe uma pontinha de egoísmo em querer tudo, de tudo e a toda hora, mas não acredito que seja algo para se sentir culpado. Depois que se passa a dividir uma história, querer estar junto torna-se algo comum na rotina.

Importante é saber que nenhuma paixão deve ser prisão. A união é feita da liberdade. É ter certeza de que o outro pode ir, mas vai voltar (espera-se). É ter plena consciência de que a porta está permanentemente aberta, mas não se tem vontade nenhuma de sair dali (tomara!). Faz-se de uma vida, duas (às vezes, três). De um abraço, Lar.

De um beijo, Porto.

Muda-se um pouco, claro. Por mais que cada um mantenha algumas de suas atividades e afazeres, atitudes e jeitos, é necessário sempre ceder em algo. Existe o lindo e gasto discurso do “não precisa mudar”, mas garanto que se algo incomodar ao ponto de interferir no relacionamento, será uma aresta a ser aparada. Não acho bom exigir que alguém mude pra ficar contigo, mas se o outro quiser mudar por isso, vale.

Ainda assim, se um dia essa ligação entre os dois já não for tão forte, tenho certeza de que se desejará apenas o melhor. Você pode até querer a nova caminhada do outro não te incomode, mas algumas coisas acabam sempre despertando um pontinha de algo negativo. A grande diferença aqui é que, tendo amado de verdade, entende-se que até mesmo separado, não se deseja mal algum. Vai e seja feliz.

E pense bem: a tristeza de alguém te traz alegria de algum modo?

Leva-se uma relação até onde der. Se der num grande casamento, com dois filhos lindos e um cachorro destruindo a casa, tudo bem. Se der em apenas mais uma história para contar, também. Se der em momentos que ficarão sempre eternizados e emoldurados por sorrisos e certezas, claro que terá valido à pena demais.

Se existiu o Amor, bom. Se ele ainda existe, melhor ainda.

[ Gustavo Lacombe ]

Ele Não te Quer

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Não, ele não te quer. Desencana. Não precisa esquecer tudo que vocês viveram juntos, mas se permita viver coisas novas com outras pessoas. Foi o recado que ele deixou no momento em que decidiu não te incluir mais nos planos dele. E, de verdade, quem vai dizer que não era um direito dele fazer isso? As pessoas, até onde eu sei, são livres.

Essa é a graça da coisa.

Tem gente que pode voar pra bem longe, mas resolve pousar e ficar pertinho. Tem quem reúna tudo aquilo que sempre se sonhou para fazer um ninho, mas se vai. Não lamente o tempo junto nem queira se arrepender de nada. Passou. Não tente cogitar o futuro, supor o presente ou diminuir o que foi feito. Apenas viva. Assuma as rédeas da sua história e vá procurar o melhor que você pode ser.

Se quiser, reclame que era ele quem fazia despertar a vontade de ser melhor. Pois, agora, ache em você mesma os motivos para ser assim. A verdade dói às vezes, né? Ele não te quer mal. Muito pelo contrário. Te quer bem, ainda que não suporte te ver bem com outra pessoa logo. Vai entender as pessoas… De qualquer forma, siga.

Repita para si mesma, todos os dias, que você merece alguém que queira todo o esforço que você fizer pra ficar junto. Entenda, também, que certas pessoas apenas passarão, mesmo que desejemos com todas as forças que elas fiquem. É muito fácil falar estando de fora, eu sei, mas tudo que te falo é querendo seu bem.

Amor, mesmo que permeado por dificuldades e dores, ainda tem que ser alegria e prazer.

[ Gustavo Lacombe ]
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“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, já está disponível para compra aqui bit.do/Lacombe

Nem Certo, Nem Correto

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Isso não tá correto, eu digo.

Não mesmo, ela concorda.

Mas nem adianta. Cinco segundos depois as línguas se encontram as minhas mãos estão sendo preenchidas pelo pano da saia dela, pelo algodão da blusa e, volta e meia, pelos cabelos dela. Parece o balé de um polvo que tenta percorrer toda extensão de um corpo em pouquíssimo tempo. Aprendi isso com um amigo que dizia ser preciso ter “mãos espertas”. “Bobas” eram aquelas que se deixavam pegar paradas em algum lugar por muito tempo.

Eu gosto dela.

Gosto do que a presença dela faz comigo e de todas as outras sensações que vem junto. Ela fala que é química, eu curto a física e a gente vai fazendo a matemática de ser um mais um multiplicados por uma vontade em ebulição. Pra continuar no assunto, sinto um ímã nela que me chama. Mal sei como aguentei tanto tempo com essa reclamação em mim a pedindo toda vez que passava na rua dela. Ou só de lembrar mesmo.

E, sei lá, tem pessoas que não precisam de motivos para serem lembradas. Era e é assim com ela. Nem ao menos é o fato de terem sido esquecidas em algum momento, mas porque já fazem parte da rotina boa de completar os nossos dias com suas presenças. Ainda que essas presenças sejam apenas na nossa cabeça.

Errado. A palavra martelava na cabeça. Mal dava tempo da saliva arrefecer o ímpeto que a culpa já entrava com tudo. Por quê? Bom, digamos que nossos caminhos se cruzaram quando não deviam, mas as transgressões que praticávamos estão liberadas hoje. Ninguém deve nada, só que ainda pesa o histórico. A gente se confia, sim, pra realizar os desejos um do outro. Passar disso, não sei. Desde sempre foi assim. Meio torto, meio errado. Ainda assim, coerente.

A gente se gosta. Claro e certo.
Foda-se o correto.

(Gustavo Lacombe)

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