Imagem

Férias/Terapia

Sabe, gente, às vezes eu penso que preciso dar um tempo. Um tempo das mídias, das redes, da necessidade de ter que postar todo dia. Eu entendo os mecanismos que existem e sei que sempre me comportei bem com eles. A criatividade em si sempre existiu e eu nunca reclamei de ter que escrever todo dia. Pelo contrário, eu curto o desafio. Mas o digital tem cobrado seu preço – no sentido de que quando você não administra bem seus ímpetos, suas expectativas e tudo aquilo que você “acha” que precisa acontecer, a frustração vem como um rolo compressor e esmaga todos os seus sonhos. Os meus, no caso, passaram a ser guardados num quartinho que dedico a tudo aquilo que penso “isso é bom demais pra acontecer comigo”. Durante um tempo aconteceu (e aqui talvez eu comece a demonstrar que preciso de terapia) e eu sou grato por tudo que vivi nesses anos, por todas as pessoas que abracei, que tirei foto e que fizeram de mim um escritor. Eu nunca fiz um curso, não tenho diploma e vejo outros caras que escrevem com mais direito do que eu mesmo de se autointitularem isso. Por que eu poderia? Porque quem me lê me deu esse título. Eu só o abracei. A parte do “viver de escrita” talvez confunda um pouco muita gente porque vão pensar que eu estou falando estritamente de ganhar dinheiro, mas é que existe tantas outras coisas por trás (inclusive a pressão por ganhar dinheiro) que muitas das vezes o tesão em sentar a bunda e escrever até que as ideias estejam completamente esgotadas se esvai. Não poderia nunca também chegar a esta altura aqui e ser ingrato com quem me ajudou no período. Meus pais tiveram apoio fundamental, mas passaram a cobrar o que eu mesmo já me cobrava, mas empurrava com a barriga: e aí, vai tomar conta da sua vida, das contas e das responsabilidades a partir de quando? E foi assim que o “eu só escrevo” se tornou “eu escrevo, mas estou procurando emprego” – com aquele aperto no coração ao dizer isso porque, no fundo, eu já tinha o meu emprego. Adicionei o “/” ao título. Escritor/coordenador de redes sociais. Escritor/jornalista. E te digo: jornalista pelo diploma porque muitas vezes no trabalho a minha chefe me diz “sinto falta de você ter sido repórter”. É a verdade: eu nunca quis ser repórter. Hoje eu preciso ser. Enfim, o que quero dizer com este texto claudicante, cheio de verdades minhas e que às vezes pode não soar como eu quero do lado daí – porque você pode interpretar como uma reclamação, mas na real é só alguém que está desiludido/perdido/desmotivado – é que dá trabalho viver de verdade o seu sonho. Muitas vezes nós chegamos lá e não conseguimos nos manter pelo simples fato de que é REALMENTE bastante complicado. Ainda mais quando você não conversa com muitas pessoas ou toma atitudes concretas para se manter motivado. Quando você se larga, ninguém vive por você. Quando você desiste, isso não encurta o caminho para se manter feliz. Ao contrário. Quando você sonha, esquece que a pior parte é quando ele vira realidade e você precisa trocar o rótulo para “realidade”. E a realidade é cruel. É pesada. Pede, demanda, impacta, pesa. Se eu vou conseguir tirar férias? Acho difícil. Talvez eu precise ir com mais calma. Menos ávido por postar. Se eu vou fazer terapia? Bom, isso eu preciso mesmo, mas nem sei por onde começar. Talvez esse texto aqui já tenha me ajudado.

Fiquem bem. Obrigado por me ouvirem.

Meus livros continuam à venda aqui:
www.gustavolacombe.com.br/livros
de 20 a 120 reais. São eles que me ajudam a viver.
E são eles que podem se tornar seus novos amigos 😉

É exatamente sobre isso aí em cima que fala o texto. rs

Imagem

Muitos Tons de Roxo

Eu gosto que me batam. Batam, não… Eu gosto de apanhar. E talvez seja difícil explicar pra um cara que de alguma forma quer me tratar bem que esse “bem” passa por uns belos tapas, uns puxões de cabelo e até mesmo uns xingamentos. Ele acha que pode me machucar, que pode me deixar roxa, que eu posso de certa forma ficar puta e pedir pra parar.

Acho fofo isso.

Acho realmente bem bonitinha essa preocupação, mas se eu te disser “bate” é pra espalmar a mão e deixar marcado os cinco dedos em mim. Não tô pedindo um soco, poxa. Não é briga, não pra me apagar. Não sou um coleguinha do recreio que você brigou por causa de merenda ou um sujeito que te desrespeitou na rua e você quer quebrar a cara dele.

Sou uma mulher que gosta, sim, de apanhar na cama. Ou em pé. Ou sentada no colo do cara numa cadeira da sala. Não tem muito lugar exato pro ato, mas eu tenho minhas preferências na hora da “porrada”. Gosto, inclusive, quando ele começa batendo devagar, instigando e provocando. Vai quase que amaciando a carne até que desfere um só.

E aquele som ecoa pelo quarto. Pá!

Depois que o outro entende, então, a receita está criada. E aí, posso admitir que vou curtindo as mais diferentes variações dessa pegada forte que eu acho necessário que todo cara tenha. Gosto que afunde o dedo no meu quadril, me pegue de jeito, enlace a mão na base da minha nuca e me puxe pra perto, gosto de metida com força. Ficar dolorida acaba fazendo parte.

Lembro um dia que estava andando só de calcinha e sutiã pela casa e minha mãe viu o estado da perna e da bunda. Arregalou os olhos, me chamou imediatamente e perguntou:

“Minha filha, você foi espancada?”

“Mãe, espero que a senhora já tenha sido espancada desse jeito algum dia na sua vida”, respondi, tentando brincar. Ela não riu.

“Me respeita, garota”

Eu acabei rindo, mas corri no quarto pra botar uma roupa. Ela ficou uns dois dias me olhando de um jeito estranho. Até que, estando só nós duas em casa, ela soltou:

“Eu gosto muito também”
“De quê?”, não tinha entendido.
“De uns bons tapas”, ela disse – quase como se fosse pecado. Sempre tentei manter relações sinceras.

Acho que indicar essas preferências acaba fazendo parte disso quando se gosta de alguém. No caso da minha amizade com a minha mãe, falar de sexo deixou de ser tabu quando eu arrumei meu primeiro namorado e ela morria de medo que eu engravidasse. Eu precisava ser firme caso o garoto resolvesse não usar camisinha.

Só não me pergunte de onde veio esse tesão pelos tapas. Lembro da primeira vez que me olhei no espelho e pensei “caralho, isso vai car roxo”. Fica, mas antes é vermelho, depois fica verdinho, amarelo. Longe de ser uma violência, mas é um tempero que – me desculpem as mulheres que não gostam, faz uma boa diferença. E, convenhamos, quando é consensual e bem conversado, vale quase tudo entre as quatro paredes.

“Quatro paredes”, entre aspas por favor.

O mais interessante nisso tudo é que, no meu caso, com o passar do tempo e o ganho de intimidade, mais porrada eu gosto de levar. Vou ficar usando “porrada” que é pra você entender que eu tô falando do conjunto, ok? Acredito até que essa coisa gostosa da dor tenha um limite. Não sou masoquista, por exemplo.

Talvez a linha seja tênue, mas se é necessário ter o mínimo de confiança pra tirar a roupa, não é qualquer cara que vai conhecer esse meu lado mais safada. Existem nuances da nossa personalidade que precisam ficar quietinhos, sendo despertados pelas pessoas certas e mostrados nas melhores horas. Acabamos sempre voltando ao “tudo tem limite”.

Ainda assim, admito que gosto de, no dia seguinte, me olhar no espelho e ir encontrando as marquinhas. Um dedo na costela, um roxinho na perna, outro no bumbum e recordar como a transa foi boa. Muitos tons de roxo pra contar sobre um dos melhores jeitos de dizer “eu te quero”.

Pá.

[ Gustavo Lacombe ]

Quer me ler mais? Compre meus livros! Aqui: http://www.gustavolacombe.com.br/livros

Imagem

Transa Não Tem Manual

Algumas das minhas melhores começaram sem muito estardalhaço. Não acho que esse seja o padrão, mas na maioria das vezes é isso que acontece. Você não cria muitas expectativas, vai “pra ver qual é” e se surpreende. E é uma delícia quando se é surpreendido.
 
E isso prova, pelo para mim, que intimidade é bom e faz maravilhas por um casal, mas a porra da química é fundamental. De verdade, não acho que transar com uma pessoa diferente ajuda pelo fato de você “perder a vergonha” já que não vai ver de novo. Isso de ir onde nunca foi é para casos íntimos mesmo.
 
O ponto-chave pra mim é o fator inesperado mesmo. É o toque do outro que arrepia, o encaixe das pernas que parece perfeito, a boca que vem deslizando pela pele e só para quando se dá por satisfeita, o gemido que enlouquece e o fato de, inacreditavelmente, nada no outro incomodar.
 
Como assim incomodar? Fácil.
 
Tem gente que acha problema em qualquer coisa. Tem gente que vê pêlo em ovo e não consegue aproveitar a transa. Fala que o outro sua muito, reclama da unha grande, que não pode marcar, que se incomoda em toda posição que faz, que chega ao cúmulo de botar a culpa na camisinha, no perfume muito doce, no raio que o parta! Tem gente que estraga qualquer clima.
 
O que essas noites tiveram de tão diferente assim para eu considerar como as melhores? Entrega. Um prazer mútuo em querer se dar. Uma vontade de aproveitar o tempo sem a pretensão de ser o melhor, mas tornando-se pelo fato de saber que reparar bem no outro e ter atenção com o seu gozo é primordial.
 
Já vivi o contrário também, óbvio. Criar expectativa e se frustrar, quem nunca? Sabe quando você olha pra alguém e pensa “deve ser um fodão”. Na hora H não é nada daquilo. Acontece. E sei que já deve ter acontecido o mesmo com alguém que me quis e, na hora, descobriu que eu nem era isso tudo (apesar de eu achar que eu sou isso tudo, mas essa teoria de todo homem se achar bom é outro texto).
 
Mas vale ressaltar: todo homem se acha foda na cama.
 
Só que nunca existirá um “manual da boa foda”. Se a música diz que sexo é escolha, eu posso garantir a você que sexo bom pode até ser um exercício de conhecimento e intimidade, mas a grande maioria é encaixe, química e uma puta sorte de ver que as vontades coincidem e todo o resto casou certinho.
 
E, claramente, essa é a explicação para a famosa expressão “amor de pica” e “chá de buceta”. Quem sabe o que quer e ainda sabe bem o que fazer, quando encontra quem entende da parada e faz uma noite ser pouco pra dar conta de tudo que os corpos pedem, tem grandes chances de se enquadrar numa dessas definições.
 
Por isso, também, que tanta gente viaje para rever pessoas, tanta gente que leva uma noite no coração, na cabeça e na imaginação de poder ter novamente, tanta gente que conta nos dedos as pessoas que realmente fizeram o gozar ser bem mais que o ápice de um prazer, mas uma memória carregada para sempre.
 
Com algo que é quase impossível de explicar: química.
[ Gustavo Lacombe ]
Imagem

O Amor dá Certo, Sim

O Amor dá certo, cara. Se não deu com outra pessoa, pode dar certo na próxima vez. Eu sei que é foda ficar colocando o coração na linha do trem e esperando que ele não passe por cima. Talvez essa seja uma boa analogia pro sentimento. É como ficar em seus trilhos, com as flores na mão, mentalizando que o comboio vai parar antes de te atingir. Mas sempre tem quem feche os olhos, se jogue ali e seja feito em pedaços. Eu sei que tem. É difícil convencer alguém que já se machucou, que já se entregou e que não vê motivos para acreditar de novo que tudo aquilo vivido foi aquilo tudo vivido em outra ocasião. Entende o que eu tô falando? Não é confuso, é questão de tentar mostrar que cada vez que nos abrimos pro Amor temos uma nova chance de ser feliz. E quando algo dá errado, temos outra chance mais adiante. Sim, gostaria de olhar na cara da próxima pessoa que chegar perto de você e dizer a ela “cuida com carinho porque esse coração é especial e já sofreu mais do que deveria”. Aliás, prometo fazer isso quando a oportunidade se apresentar, mas não adianta eu pedir cuidado se você também não quiser tentar. Amar é para os corajosos, aprendi, e raros são aqueles que aceitam o desafio de viver tudo que vem no pacote. O Amor dá certo, mas vai viver aquele clichê inevitável de dar muito errado antes até chegar a esse ponto. E, sendo bem realista, é preciso entender e aceitar que algumas pessoas são apenas caminhos, nunca chegadas. Algumas histórias são apenas capítulos, nunca livros completos. E o que dá certo por um certo tempo não quer dizer que não valeu a pena ser vivido. Eu sei, cara, que dói terminar, ver alguém que era tudo se transformar em nada, mas você já pensou que alguém que é quase nada hoje pode vir a ser seu tudo algum dia? O Amor é apostar. Arriscar. Arriscar-se. O Amor dá certo, sim, basta acreditar que o próximo trem não passará por cima de nós.

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

Ame Sem Vergonha

Ame despudoradamente. Ame a ponto de postar nas redes sociais, de gritar da varanda do prédio como final de campeonato. Ame sem restrição de lactose, de glúten ou qualquer outra dieta; entre vocês vale tudo, contanto que seja sincero. Ame sem ficar questionando o tamanho do sentimento do outro, mas sabendo ler na recíproca que essa paixão dá pé. Ou que o afogamento de beijos é a parte mais deliciosa.

Ame sem vergonha. Na mesa do restaurante, evite aqueles beijos com o feijão na boca, mas não se furte de esticar o pescoço e roubar um selinho. Tenho lá minhas implicâncias com quem perde a linha na fila do pão, mas chega a ser inspirador ver um casal principiar uns amassos e um dos dois depois soltar aquele olhar de “continuamos mais tarde”. No quarto. No chuveiro. Em pé na cozinha.

Onde der na telha.

Ame com flores no trabalho, entrando pela porta através daquele entregador que fica com cara de besta e não consegue se acostumar com a cena. A amiga da baia ao lado fica com raiva. Ela não recebe flores há tanto tempo que só se lembra do fato de que foi do ex, mas se esqueceu que foram pedidos de desculpas. Ame até ficar com cara de bocó ao olhar a foto daquela pessoa. Aliás, ame ligando sem querer no whatsapp e diga “tava tentando ver sua foto”.

Chegue ao ponto de amar sem ter tempo para olhar o Instagram. O Snap. O Face. Ame de um jeito que vocês se esqueçam de tirar fotos e que cada segundo compartilhado fique armazenado no principal HD: o coração. Ame brindando, sempre comentando os motivos de estarem felizes naquele exato momento. Não fuja do clichê. Jogue-se nele. Declara-se com “sou feliz porque sou teu” e pronto. Piegas, sim. Cafona, sim. Brega, sim.

Amando, sempre.

Ame, principalmente, sendo sincero consigo. Algo está errado? Fale. Não quer mais? Termine. Sentiu saudade? Ligue. Quer mais? Case. Siga o que manda o instinto, sem vergonha de ser feliz. Ou sem medo algum de arriscar. O maior entrave do amor é o medo. Mude de cidade, de país, de vida, só não deixe que o sentimento mude. E passe. E morra. Ame, também, sem vergonha alguma de se amar tanto quanto. Arrume-se pro outro, cuide-se pra você.

E, depois de tudo isso posto, ame sem preocupação alguma de ser feliz. Apenas seja. Ame sem acreditar que os outros relacionamentos são melhores. Todos temos nossos dias ruins. Ame sem se importar com o que os outro falam, mas sabendo bem o que se passa entre vocês. Ame com respeito, carinho, atenção e tolerância. Ame com vontade. Tesão. Prazer. Ame com todas as suas armas e a guarda baixa. Ame sem vergonha alguma de se sentir bem com isso.

Acima de tudo, nunca ame por dois.

Imagem

Tive de Deixar Você Partir

Eu vi que não daria mais certo continuar ali, entende? Foi por isso. Sei que você quer compreender meus motivos, mas a resposta era bem simples: não poderia ser tudo aquilo que você sonhou. Eu te via com um sentimento lindo e crescente nas mãos sem poder fazer nada. Minha vontade, certamente, era dizer que te amava. E eu te amava. E ainda amo. E ainda torço pra você se encontre da forma mais linda de todas. Plenamente feliz por estar aqui buscando seus objetivos.

E se alguém te completar, melhor.

Não vou dizer que fiquei bem ao te ver linda e sorridente nas fotos. Por um lado, adorei o vestido novo e saber que você tinha seguido. Foi pra isso que eu me afastei e decidi pelo ponto final. Agora, faz parte do egoísmo humano querer aquela pessoa parada na dele pra sempre. Ainda estou evoluindo e, acredito, tomei uma das decisões mais bem acertadas contigo. Não fui covarde ao abrir mão de tudo, apenas te dei uma nova chance de ficar bem.

Te reencontrar dessa forma agora é um presente pra mim mesmo. Não sei como você recebe essa confissão e não sei se já havia imaginado tudo isso que te digo, mas não haveria outra forma naquela época. E o mais curioso é que você me encontra ao lado de alguém hoje. O que há de diferente nela? Não sei te dizer, mas só posso te agradecer por ter me feito entender que eu estava curado de todas as cicatrizes. Espero não estar sendo cruel ao falar de tudo isso.

Só te desejo o bem.

Repito, entendi que não poderia atrapalhar seu caminho e, por isso, te deixei seguir. Esse foi o melhor jeito de dizer “eu te amo”. Às vezes é preciso colocar um ponto final em algumas histórias para que outras possam acontecer. Desculpa se eu te fiz sofrer. Nunca foi minha intenção. E pelo que vejo hoje no seu sorriso, você está bem melhor.

Melhor porque seguiu.

[ Gustavo Lacombe ]

Quer me ler mais?
Compre meus livros!
Acesse: bit.do/Lacombe

Imagem

Quando a Gente Ama

Quando a gente ama, é certo que se quer bem e feliz o outro. É claro que existe uma pontinha de egoísmo em querer tudo, de tudo e a toda hora, mas não acredito que seja algo para se sentir culpado. Depois que se passa a dividir uma história, querer estar junto torna-se algo comum na rotina.

Importante é saber que nenhuma paixão deve ser prisão. A união é feita da liberdade. É ter certeza de que o outro pode ir, mas vai voltar (espera-se). É ter plena consciência de que a porta está permanentemente aberta, mas não se tem vontade nenhuma de sair dali (tomara!). Faz-se de uma vida, duas (às vezes, três). De um abraço, Lar.

De um beijo, Porto.

Muda-se um pouco, claro. Por mais que cada um mantenha algumas de suas atividades e afazeres, atitudes e jeitos, é necessário sempre ceder em algo. Existe o lindo e gasto discurso do “não precisa mudar”, mas garanto que se algo incomodar ao ponto de interferir no relacionamento, será uma aresta a ser aparada. Não acho bom exigir que alguém mude pra ficar contigo, mas se o outro quiser mudar por isso, vale.

Ainda assim, se um dia essa ligação entre os dois já não for tão forte, tenho certeza de que se desejará apenas o melhor. Você pode até querer a nova caminhada do outro não te incomode, mas algumas coisas acabam sempre despertando um pontinha de algo negativo. A grande diferença aqui é que, tendo amado de verdade, entende-se que até mesmo separado, não se deseja mal algum. Vai e seja feliz.

E pense bem: a tristeza de alguém te traz alegria de algum modo?

Leva-se uma relação até onde der. Se der num grande casamento, com dois filhos lindos e um cachorro destruindo a casa, tudo bem. Se der em apenas mais uma história para contar, também. Se der em momentos que ficarão sempre eternizados e emoldurados por sorrisos e certezas, claro que terá valido à pena demais.

Se existiu o Amor, bom. Se ele ainda existe, melhor ainda.

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

Vamos Para de Falar Sobre o Fim

Uma amiga me encontra numa rua qualquer e pergunta como eu estou. “Estou ótima”, respondo. É verdade, mas ela não acredita. Diz que ainda é muito recente pra eu estar tão bem, mas eu dou de ombros. Tenho intimidade suficiente pra dizer que ela está com uma visão equivocada das coisas. Ela pega meu braço, diz que vai passar, e que eu não preciso me fazer de durona. “Chora comigo”, diz enquanto eu rio.

Juro que dá vontade de socar.

Ainda não consigo entender o motivo das pessoas insistirem no tema mesmo depois que você demonstra não estar interessado nele. É só um fim, um término, uma separação. Não foi o fim do Mundo, como bem colocou meu pai quando eu cheguei em casa contando a notícia. Ele até sorriu. Disse que já tinha visto nos meus olhos que não havia mais aquele sentimento de antes. “Sempre melhor separar, minha pequena” – sim, meu pai me chama de pequena até hoje.

O pior de tudo é que, logo depois de encontrar essa amiga na rua, eu dei de cara (adivinhem!) com o dito cujo. O primeiro pensamento me divertiu. Ex é pra sempre. E me imaginei velhinha falando pros meus netos sobre os meus amores e lembrando da cara de cada ex-namorado que tive. A dele até que demoraria a passar. Voltando à realidade, a vontade de socar foi transferida pro momento exato que ele me cumprimentou e abriu aquele sorriso lindo.

Caraca, o cara tava tão bem quanto eu.

E aí, nessa hora, eu tive mais um mini-flashback (tenho vários durante o dia, não repare) de uma prima contando sobre essa pesquisa que fizeram na Inglaterra sobre como as pessoas odeiam ver seus ex melhores do que a si mesmas. Eu estou nessa lista. Minha única reação foi dizer um “estou atrasada” e bater em retirada dali. A gente não tinha mais nada, não existia mais Amor, mas ainda assim ele é meu ex e a gente se viu poucas vezes depois do fim.

Ok, vamos para de falar sobre isso. Acho que o mais difícil, então, é saber se adequar à nova rotina. Todo mundo ainda me pergunta dele, ainda conversa sobre ele e eu preciso insistir com um “cara, acabou, vamos discutir Caetano, falar de novela ou até política; só não fala mais disso”. O que foi bom vai ficar com força, mas o meu presente é o que conta.

E dá licença que eu quero mais é viver.

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

Posso te Beijar?

Posso continuar te olhando? Tá tão bom. A visão é gostosa, seu sorriso é lindo e existe uma energia que eu não sei de onde vem, mas que emana uma coisa boa. Algo de querer chegar junto, sentir o toque, arrepiar a pele e ser feliz. Deve ser isso. Você tem cara de ser alguém feliz. Alguém que vale a pena ter por perto, de querer estar perto. Mas eu posso ficar ali só te olhando. Ou posso chegar mais perto? É como se aproximar demais de uma miragem.

Pra onde vai meu medo de você desaparecer?

Posso continuar aqui conversando? Desculpa o mal jeito e a timidez, mas é como eu fico perto de quem me ganha com esse barulho bom de sorriso sem culpa, sem pressa, sem amarras. E eu vou me interessando cada momento mais por você, pela tua história e por esse teu dom de hipnotizar atenções alheias no meio de tantos estímulos aos olhos. Se você reparar bem, tem gente achando que sou sortudo só de ficar aqui do teu lado.

Então, eu posso dizer algumas coisas que passaram voando aqui pela minha cabeça? Eu não sou desses de acreditar em Destino, mas você tem noção de que somos culpados por estarmos aqui hoje? Nós demos todos os passos necessários para que o encontro acontecesse. Não existe isso de “eu ia pra outro lugar hoje e acabei aqui”. Era aqui que deveríamos estar. E o que a gente faz com esse encontro, claro, é problema nosso, mas já é alguma coisa estarmos aqui.

Posso chegar mais perto ainda? Teu cheiro é muito bom. Tua voz tem um tom agradável, daquelas que você poderia deixar lendo um livro, contando uma história ou dando as notícias no rádio sem se cansar. Aliás, eu não me canso de te olhar. Não me canso de reparar nos teus olhos castanhos e na tua tatuagem que se mostra nas costas pela abertura da blusa.

Sexy. Desculpa, pensei besteira.

Posso continuar tentando arrancar sorrisos seus? Posso tentar ser a melhor companhia que você já teve em tempos? Posso sentir seu cheiro de novo? Eu sei que são muitas permissões em pouco tempo e a pergunta que no fundo eu queria fazer ainda não criou coragem para aparecer. Só que é inevitável. Se você já me leva em tantos sentidos, falta pouco pra me levar inteiro.

– Posso beijar você?
– Pode.

[ Gustavo Lacombe ]

Para comprar meus livros, acesse:
bit.do/Lacombe

Imagem

Não troque seus Amigos Pelos Seus Amores

Eu nunca travei uma saída de uma namorada com as amigas.

Nunca fui mesquinho ou possessivo ao ponto de dizer que não a queria andando com alguma amiga. Acreditava que, antes de tudo, ela tinha a Vida dela. Me conhecer tinha sido um (belo) detalhe no caminho, mas muitas outras coisas já existiam. As amizades, principalmente. Pessoas que ela recorria e contava do dia, dos sonhos, das batalhas e, por que não?, do que acontecia dentro do namoro. Pessoas que com quem ela poderia conversar sobre outras coisas de uma maneira mais natural do que comigo.

Acho que é fundamental, então, incentivar quem está do nosso lado a manter as amizades. Vou defender até a morte o futebol de quarta-feira, contanto (e confiando) que ele seja um mero futebol com churrasco mesmo. Vou criticar o cara que questiona o porquê da mulher sair na sexta para tomar um chope com as “meninas”. É mais que necessário saber dividir a Vida conjugal das atividades que só podem ser feitas com outros.

É importante frisar, obviamente, que existe o outro lado da moeda.

Quando se consegue integrar o parceiro a sua roda de amigos, tudo fica melhor. Quando se tem até mesmo outros casais para sair, viajar e curtir algo juntos, também. O que prego aqui é a necessidade de não querer o outro só para si. O Amor de casal não pode privar ninguém dos outros tipos de amores que são encontrados por aí. E a amizade é um dos mais importantes deles.

Defendo que não se deve trocar os amigos pelos amores até mesmo porque o namoro pode acabar, o laço fraterno não. Longe de querer rogar praga para cima dos namoros por aí, mas é preciso ser um pouco realista e perceber que existe muito mais chance de levar um amigo para a Vida inteira do que um relacionamento.

Se você consegue integrar e interagir com ambos, ótimo! Certeza que, em certos momentos, sua atenção estará voltada mais para uma coisa que para a outra, mas conseguir ter essa relação saudável em todos os âmbitos da Vida é bom para qualquer um. Desafiador, claro, tendo em vista que o tempo às vezes é curto e se precisa decidir com o que e com quem iremos aproveitá-lo, mas sabendo dosar e conversar tudo é mais tranquilo.

No peito há espaço pra todos os amores: pros amigos e pra quem ardores.

[ Gustavo Lacombe ]

Para comprar meus livros, acesse:
bit.do/Lacombe