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De Lua, De Fases, Camaleoa, Mulher.

Sou daquelas que adora uma taça de vinho. Esquenta o corpo e alimenta a alma. Mas também curto uma cerveja com os amigos. É capaz de você me encontrar pela noite, rindo e sendo feliz, sem dever nada a ninguém. Aliás, se tem uma coisa que eu odeio é dívida. Nem com meu estômago eu fico em débito. Como o que eu quero, mas sou capaz de economizar e ficar na salada só pra me lambuzar em uma bela sobremesa.

Sou assim, mas nem sempre sou assim…

Vivo em pé de guerra comigo mesma. Tem vezes que pego tudo que digo que sou e repito várias vezes: é só uma fase. E entro em outra. De Lua. Não uma camaleoa, mas uma mulher normal. De fases. Choro, rio, brigo com quem amo e largo de mão quem não gosto. Não deixo que nada trave meu riso. E se pisar no meu pé eu falo mesmo. Gosto de correr, mas não dos problemas.

Acho que o que precisa ser resolvido não pode ser deixado pra amanhã. Mas se for pra trocar um problema por uma balada, pode aumentar o som que eu não tô nem aí. E que ninguém me acorde no dia seguinte. Detesto acordar cedo. Sou dessas de dormir tarde. Talvez essa seja uma coisa que você precisa saber: eu uso os verbos “odiar” e “detestar”. Não faço cerimônia em dizer o que me agrada ou não, mas sei usar isso com educação.

Posso te mandar para qualquer lugar com a mesma classe de quem é servido uma taça de champagne.

Posso gostar de te ter aqui por perto tanto quanto eu gosto de pipoca pra ver um filme na sexta à noite. Mas sábado eu tô na rua. Não espere que eu seja alguém diferente disso. Ou espere… Sou complicada aos olhos de alguns, mas me desenrolo se achar que não vou assustar. Sempre tem quem não aguente conhecer alguém de verdade. Eu só me protejo, acho.

Não sou de abrir a guarda, mas se eu abrir os braços é porque te quero bem aqui.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser adquirido aqui:
http://www.bitly.com/LivroLacombe

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Forma e Conteúdo

A primeira coisa que eu vi foi o vestido curto. Sério, quem não olharia para aquelas pernas sem perder uns três segundos descendo e subindo por toda a sua extensão? Sei lá quanto tinha. Um metro? Um metro e vinte? Sei que era grande, cara. Um amigo meu me deu um cutucão e mandou:

– Ia fácil nela.

Claro, ela tava fácil também. Pelo menos parecia. A menina era bonita. Inegavelmente bonita. Salto alto, maquiagem e atraindo todos os olhares da boate pra ela. Entretanto, o que era aquilo tudo se não uma casca? Uma embalagem para presente (sabe-se lá pra quem) que não se sabe o que guarda dentro.

E o conteúdo?

Não se julga ninguém pela aparência, mas existe um ditado que diz “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. O que isso quer dizer? Que muitas vezes a forma de nos portarmos, vestirmos e falarmos traduz como sentimos e o que somos.

Contudo, não se pode levar sempre isso ao pé da letra. A menina, por mais curta que fosse sua roupa, não pedia pra ser chamada de “puta” ou, muito menos, para ser assediada, forçada a fazer o que não queria e estuprada. É feio pensar “ela não se dá ao respeito, ela pediu”. Não, cara, ninguém pede nada.

Se ela gosta de se vestir assim, o problema é dela.

Até que se conheça a pessoa você não pode julgar os valores dela. Depois que a conhece, você não deve. Quem tem o poder de julgar os outros assim? Não é você. O que acontece hoje é que a atração está pautada invariavelmente no que primeiro chega aos olhos. O físico está exposto. Isso tem contado muito mais do que o intelecto.

Cabe a cada um dizer o que atrai mais. Ser apenas uma embalagem é de bom tamanho? É preciso ter conteúdo? Uma boa conversa pode ser mais excitante que uma calcinha marcando a roupa? A inteligência se sobrepõe ao carro e a carteira cheia? Não é todo dia que a gente sai afim de encontrar alguém pra conversar. E nem sempre se quer alguém só pra saciar a vontade do corpo.

A questão é muito maior do que a simples vontade que dá.

Eu não tenho pena das pessoas consideradas feias ou fora dos padrões da moda. Elas ainda se viram. Elas tem suas armas e tentam, jogam e vão à luta. Seja pelo amor, pela saciedade ou qualquer outra coisa. Tenho pena, na verdade, é das pessoas que acham que só o exterior conta.

Sou daqueles que até podem ser atraídos pela beleza, mas que só se convencem de que alguém é realmente bonito depois de conhecer o conteúdo.
E não é o do vestido.

(Gustavo Lacombe)

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