Meu Coração Não É Playground

Eu me considero uma mulher vacinada. Não é qualquer conversinha que me convence. Me quer? Prove. Porque eu cansei de topar com caras que prometiam e, depois, me deixavam com aquela sensação de “eu devia ter ouvido o conselho das minhas amigas”. Uma hora a gente toma vergonha na cara e para de quebrar a cara, né! Pelo menos é assim que deve funcionar. Errar, aprender e não repetir. Não dá pra ser trouxa a vida inteira.

Então, quando eu ouço aquelas palavras vomitadas de “eu gosto de você”, “você é linda”, “é diferente”. Uma porra! Não sabe nem qual meu sobrenome e já vem cheio de dedos, mãos e intenções. Péra lá. Eu tive que gastar muito meu coração tentando acreditar que no meio daquele monte se palavras bonitas havia algum sentimento de verdade. E, quem sabe, pode até ser que eu tenha jogado fora alguma história por não tentar, mas é o preço que alguns pagam pelos erros idiotas dos outros.

Até já ouvi dizer por aí que é preciso sempre estar aberto para as novas possibilidades. Na real, eu até acredito naquela música do Teatro Mágico que fala sobre a gente nunca saber de quem irá gostar, mas se já não chegar me fazendo brilhar os olhos e palpitar o coração, eu nem quero saber que apito toca (me sentindo a minha própria mãe falando assim). E não vai adiantar vir com discurso pronto sobre como ficou olhando meu sorriso, como sempre quis conhecer alguém assim. Não vai colar.

Talvez eu tenha que me despir mesmo desse rancor que carrego no coração e que me faz enxergar em todo homem um potencial babaca para quebrar o coração de uma mulher. Talvez eu tenha que parar de falar tão mal deles e me policiar para enxergar se o defeito, no final das contas, não está em mim. Ou, talvez, as pessoas pudessem ser mais sinceras e dizer exatamente aquilo que sentem. Não apenas ensaiar uns floreios pra levar mais uma pra cama.

Talvez eu devesse mudar, mas até que me provem o contrário, tem sido bom ser assim. Vacinada, sem sofrer das doenças que afligem os corações que insistem em deixar terreno fértil para as expectativas. Sobre elas, melhor não. E aposto que, como eu, existem várias por aí. Cansadas de esperar, de encher o peito de uma esperança boba para que algo de bom aconteça, de querer agarrar uma promessa. Cansadas de ser parte do jogo.

Desculpa, mas meu coração não é playground.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser reservado por aqui:
http://www.bit.ly/oAmorÉParaOsRaros

Só Vim Pra Dançar

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O ritual da conquista tem seus segredos, claro.

Aqui, não estamos falando para os caras que são bonitos desde pequenos e nunca tiveram trabalho em chegar e abordar uma mulher. Por incrível que pareça, e eu não sei que fórmula mágica é essa, existem caras que as mulheres correm atrás. Eu nunca dei essa sorte. Foi preciso experimentar o tentativa-e-erro e aprender que, mesmo um monte de caras colocando-as no mesmo pacote, cada mulher é diferente. Apesar de existirem técnicas e outras coisas absurdas para “pegar mulheres”, o mais importante é ser sociável e não fugir do seja você mesmo em clichê bem embalado.

Agora, algumas dicas podem ajudar, né? Esses são apenas alguns, mas são erros bobos que os caras cometem e perdem a mulher de cara, sem nem ao menos abrir a boca – ou no segundo seguinte ao fazer isso. Nada do que está aqui é regra, mas são algumas reclamações que já ouvi por aí da ala feminina. Esse post não tem a finalidade de transformar nenhum cara em uma máquina de abordar mulheres na noite, mas apenas ajudar na busca por encontrar alguém.

Cada cara buscando sua própria #ela. E querendo ser #ele para essa mulher especial.

Vamos aos erros mais comuns que os homens cometem ao abordar uma mulher:

1- Encaram demais.

Claro que é preciso olhar e, dependendo do lugar onde se esteja, analisar a moça. Não sejamos hipócritas: a primeira coisa que se vê é o lado de fora, a embalagem de salto 15 ou vestido curto. Então, o cara que bate o olho na menina e gosta, não deve ficar olhando com cara de lobo mau que quer devorar a Chapeuzinho. Três segundos de contato visual e decida-se. É o tempo máximo. Ou você passa a esnobá-la, já que ela sabe que você a viu, ou, então, chegue mais perto e inicie uma conversa. Só não fique parado olhando, admirando e encarando. Em pouco tempo a moça vai deixar de te considerar um cara interessante na night e vai passar a achar que você é um pervertido.

2- Chegam pegando no cabelo, encostando nas costas ou falando perto demais.

Você conseguiu chegar perto dela, rolou uma troca de olhares, mas na hora em que finalmente estão próximos para o contato físico, você encosta nela. “Tira a mão de mim”, você ouve. Ué, mas o que aconteceu?, você vai perguntar. Simples: você invadiu o espaço dela. Deixe-a à vontade o suficiente para que, depois de um tempo de conversa, você possa encostar. E não é para passar o braço em volta de cintura ou enlaçar os dedos nos cabelos. É só um saquinho bem informal como implicância ou aceitação, um pedido de licença para ver uma tatuagem escondida sob o cabelo ou coisas do tipo. E nada de segurar a cabeça dela e chegar perto do ouvido para falar. Acredite em mim quando eu digo que mais vale ela fazer um “hã?” e você repetir (aí, sim, um pouquinho mais perto) do que agarrá-la pra perguntar “você vem sempre aqui?”. Ah, uma coisa: o cabelo dela é sagrado. Cuidado ao tocá-lo.

3- Abordar uma mulher que está de costas para você.

Isso não vale apenas nesse caso, mas é um fato para ser levado para toda a vida. Você nunca aborda uma pessoa que está de costas para você. A não ser que você queira assaltá-la, assustá-la ou alguma variação disso. Pessoas que estão distraídas tendem a ficarem putas quando passam por isso. Não adianta você ter visto a mulher dos seus sonhos se, na hora de chegar nela, você dá um cutucão no ombro e ela se vira assustada e já te olha com nojo. Se você não for um cara muito pintoso e que sabe que terá que se apresentar, conversar e talvez ter a sua presença aceita ali, vai levar pra casa um toco de graça.

4- Não acreditar no que ela diz.

Homem sempre duvida quando ela diz que está acompanhada. Ou, então, quando ela diz que não quer conversar, que está só dançando, que é lésbica. Enfim, não importa o motivo, o cara sempre vai achar que é com ele. Vai achar que é culpa dele usar óculos, da roupa mal escolhida ou de qualquer outro fator externo que envolva a sua presença ali. Se ela reclamar ou esboçar que não gostou de como você chegou, pule fora. Sim, pode ser que outro chegue e não precise de muito esforço. Pode ser que o erro tenha sido contigo também, mas ela tem razão. Sempre. O cara que insiste pode até conseguir algo a mais, ou pode demorar tempo o bastante para o namorado dela (aquele que ela jurou que tinha) voltar do banheiro e te provar que ela não era mentirosa.

5- Chegar “chegando”.

Isso é mais do que colocar a mão na cintura dela, pegar o cabelo (essa é a pior) ou coisas do tipo para chegar mais perto. Aqui, o cara agarra, força um beijo e ganha, sempre de graça, alguns arranhões, os olhares da festa perguntando quem é o imbecil e mais um “não”. Tirando micareta (onde não se precisa de muito papo mesmo), qualquer lugar vai exigir um mínimo de conversa. E se você não se garante na hora de abrir a boca, aí é outro problema, mas segurar à força uma mulher e tentar beijá-la desse modo nunca dará certo. Mesmo.

6- Falar Errado.

Aqui vou englobar dois tipos de “falar errado”. O primeiro é a concordância, é não saber que “mim” não conjuga verbo, é dizer “Framengo”, “nós vai”, “a gente estamos só bebendo um whiskyzinho de leve”. Sério, você mata qualquer chance com uma garota quando maltrata o português. Já o outro tipo é bem simples: cantadas velhas, baratas e mais gastas que as chinelas da minha avó. Entenda que amor à primeira vista na balada é raro, que não importa se ela vai sempre ali – mas o fato de que ela está ali naquele momento -, “boa noite” sem fundo nenhum de educação não vai fazer ela parar e te dar atenção. E usar gírias também pode ser um tiro no pé, tá ligado?

7- Sobre Cheiros

Feder a cigarro pode não ser culpa sua, mas se não tiver um perfuminho por baixo daquilo tudo fica difícil. Às vezes, o próprio ambiente vira uma mistura de odores que ninguém mais sabe quem passou o que, mas quando se chega perto se nota quem teve o trabalho de valorizar essa parte. Condeno o hábito de fumar por ser nocivo à saúde e ainda bem que é proibido fazê-lo em boates e locais fechados, mas não se consegue escapar da fumaça dele em certos momentos. Usar seu melhor perfume não é apenas para você, mas é bom para as pessoas que te cercam e que vão gostar de estar ao lado de quem se preocupa em não estar fedendo. Acredite: elas sentem seu cheiro quando você chega perto, e um cara perfumado pode sempre ganhar pontos extras.

8- Último biscoito do pacote.

Ele é foda. Os amigos dele o acham foda. As amigas dele já ficaram e o acham foda. A família dele colocou um busto na sala para se lembrar do quanto ele é foda. Ele tem um pôster na parede do quarto, o colégio era seu reino, a faculdade é seu habitat natural e a camisa que ele escolheu pra sair hoje está perfeitamente marcando a silhueta do corpo bem trabalhado na academia. A carteira, quase saindo do bolso de tanto dinheiro, e o copo convivem em perfeita sintonia. Uma abre e o outro entorna na mesma velocidade. O cara é foda. Aí, ele vê a menina, conversa com ela, fala disso tudo, mostra isso tudo e, por fim, leva um “não”. É, amigo, nem tudo é aparência, dinheiro ou status. Existem milhares de caras como você que podem oferecer até mais, só que não se vangloriam do que tem e nem do que são. Aliás, alguns não tem metade do que você tem e podem estar longe de ter o seu prestígio, mas são mais humildes e tem mais caráter. Por fim, são mais homens que você. Esses, sim, podem ser o último biscoito do pacote. Mas – outro segredo – eles não sabem disso nem fazem questão de encarnar esse tipo.