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De Tudo um Pouco

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Acho que toda mulher tem sua hora pra ser fofa ou fria, menina ou mulherão, carente ou independente. Algumas tem uma queda maior por um lado, mas é certo que vivem de fase, mesmo que seja apenas para culpar a TPM. Há de tudo um pouco dentro de uma mulher. Ou, melhor, em todas há muito. Do sutiã de bolinha à lingerie preta que dá tesão em qualquer cara, sou a favor dela ser como quiser – contanto que seja bem resolvida com isso. O que acho não ser entendido muito bem pelos homens é o fato de que a mulher nunca é uma só. Existem várias dentro dela, e cada uma tem uma necessidade, uma vontade e uma urgência diferente. Ela pode querer amar, abraçar e ficar de conchinha. Ela pode querer dar, se arrumar e sair pela porta da cozinha. E ela pode não querer porra nenhuma. Sendo bem sincero, homem detesta encontrar uma mulher que não precisa dele. Mas é exatamente esse tipo de mulher que mais atrai muito cara por aí. Por que eu falei em tipos? Mulheres são plurais, mulheres são constelações inteiras, mulheres são todas as cores disponíveis no mundo – inclusive aquelas que não se vêem. Namora-se uma, convive-se com várias. Abençoadas estranhas infinitudes.

(Gustavo Lacombe)

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Rabo de Cavalo

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Eu gosto de você de rabo de cavalo.

E, também, depois que acorda, sem maquiagem, com uma lágrima de felicidade, com o corte do dedo na boca, procurando a chave na bolsa, de chinelo, dormindo no meio do filme, chorando no meio do filme, tropeçando e me segurando pra não cair, com cara de quem não entendeu, com raivinha porque a unha quebrou, porque o cabelo não tá em um dia bom, cantando no chuveiro mesmo desafinada, tentando tocar o meu violão, de madrugada com sono, meio alegre depois de um drink, meio inconformada com o final da novela, chateada com o meu futebol, lambuzada do brigadeiro que fez pra gente, respondendo a mensagem faltando palavra porque tá com atenção em outra coisa, demorando pra se arrumar porque está ficando linda pra gente sair, sem saber que roupa vestir, dizendo que o sapato da outra menina é horroroso, comendo sanduíche e manchando a roupa, comendo sushi e sujando de shoyo, dizendo que tá gorda na frente do espelho e sabendo que tá bem, fazendo cara de assustada quando te pego de repente e te chamo gostosa, quando reclama que não abri a porta do carro pra você, quando diz que não precisa abrir a porta pra você, quando bota aquele pijama sexy, quando reclama que eu não escrevo mais pra você, cortando tomate pra fazer vinagrete, queimando o pão de queijo de domingo, falando pra eu ficar quando vou embora, vindo conversar comigo depois de brigar com seus pais, contando suas viagens, seus sonhos, seus desejos, pedindo pra eu cantar pra você, deitando na cama pra colocar uma calça que entraria facilmente com você em pé, concentrada se maquiando, reclamando que eu não te ligo, cobrando atenção, dormindo de conchinha comigo, sonhando comigo, acordando comigo.

Eu gosto muito de você de rabo de cavalo.

(Gustavo Lacombe)

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Centro do Universo

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Não faça de um amor o centro do Universo.

Sei que existem pessoas que não conseguem viver sozinhas. Precisam ter sempre alguém ao lado para suprir uma espécie de carência, de necessidade e vontade. Transformam um relacionamento, por mais prejudicial que seja, numa tábua de salvação e chave para que todo o resto dê certo. Uma vida amorosa bem resolvida é bom e pode ajudar a resolver outras questões, mas não é bem assim que funciona.

Ter em alguém um apoio, um amigo e quem ajude a construir uma história é totalmente diferente de apenas ter uma pessoa pra chamar de “meu alguma coisa”. Antes de rotular qualquer relação, precisa-se avaliar se o bem é verdadeiro ou não. Sofrer por alguém é inevitável, mas sempre terá por quem valha a pena passar por momentos ruins.

Porque passar por certas experiências, ainda que ruins, pode fortalecer qualquer relação.

Entretanto, jogar fora projetos, sonhos e conquistas por conta de uma pessoa é loucura. Não deixe de fazer nada porque seu namorado acha um atraso. Acredite, mesmo sua mulher falando que é perda de tempo. Ninguém pode mudar seu rumo por simples capricho. Dificuldades existem aos montes, mas quem te ama vai apoiar. Pode ser que não entenda e tenha opinião diferente da sua, mas estará ao seu lado até o fim. Nem que seja pra dizer “eu falei”.

As histórias que dão certo são aquelas em que os dois se fazem bem, com eventuais e inevitáveis cortes, mas fortes o suficiente para se reerguerem sempre sem perder o foco na vitória e a fé no outro, no amor e na vida.

(Gustavo Lacombe)

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No Seu Lugar

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Coloque-se no lugar dos outros em alguns momentos.

Não é fácil. É preciso realmente abrir o peito para entender que certas coisas parecem inofensivas aqui, mas machucam demais do lado de lá. Pare, ouça e compreenda. Pode ser que apenas na gota d’água você tome uma atitude e procure uma mudança. Pode ser que dê certo, dê resultado.

Pode ser que seja tarde demais. Vai chegar uma hora que pensar em como seus atos afetam aquela determinada pessoa será ineficaz. E é assim porque ela não quer mais que você entenda. Ela seguiu e decidiu que não adianta mais explicar o que incomoda, o que chateia e o que irrita. Ou tudo junto.

Você, simplesmente, não entende.

Olhe pro lado. Reveja seus erros – por mais que eles pareçam acertos. Revise os comentários maldosos – por mais que eles tenham soado bons. Não tenha medo de pedir desculpa nem de mudar de opinião sobre o que foi feito. Não se apegue ao receio de procurar e mostrar que o arrependimento bate à porta de vez em quando. Orgulho demais acaba te deixando com oportunidades e vida de menos.

E, se alguém disser que você não sabe metade do que se passa com ela, tenha certeza de que é verdade. Mas, com esforço, será sempre possível largar o egoísmo e, ao menos, tentar entender.

Antes que o entendimento já não seja preciso.

(Gustavo Lacombe)

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La Critique

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Antes eu preferia ignorar.

Abaixava a cabeça, fechava os ouvidos e me irritava no segundo seguinte ao ouvir aquilo tudo. Críticas… Nem todo mundo está preparado para ouvi-las. Pior, não é qualquer pessoa que está acostumado a recebê-las e transformá-las em algo melhor em si mesmo. Até porque, nem toda crítica é construtiva. Tem gente que abre a boca pra falar mal (quase difamar) só porque não é capaz de fazer igual.

Acho que esse é o tipo mais comum, inclusive.

Entretanto, sempre tem alguém que olha os seus defeitos e te mostra onde se pode corrigir alguma falha. Isso e mais um monte de defeitos todos nós temos. Não é privilégio de ninguém ser isso ou aquilo, mas algumas pessoas buscam ser diferentes justamente para conviver melhor com outras. E quando alguém nos aponta algo de ruim de forma verdadeira e com amor e carinho, não há porque se irritar ou desprezar. Claro, podemos escolher entre absorver e buscar algo diferente ou fingir que não é conosco e pronto.

Vai de cada um e da necessidade de mudança.

Uma hora se aprende que nem tudo que toca uma ferida é pra machucar. Algumas vezes, é só alguém que está disposto a cuidar, mas sem ficar passando a mão na cabeça como se tudo estivesse bem.

(Gustavo Lacombe)

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Gosto não se Discute

tumblr_lwtu73HXjY1r4cfp7Gosto não se discute.

No mínimo, se respeita. No máximo, se lamenta. E antes que você julgue alguém por um determinado comportamento, esteja preparado para ouvir o famoso “quem é você pra falar isso?”. Porque, muito além do que um padrão quadrado criado pela sociedade, o gosto é algo extremamente pessoal. Se o diferente lhe incomoda, problema seu. Se você não compreende como outra pessoa pode gostar de algo que não lhe agrada, também é problema seu. Se a sua opinião não foi pedida, não se preocupe dando-a.

Não confunda, no entanto, o que um monte de valores usados pelas pessoas de um maneira geral chama de belo ou de bom. Os conceitos vem sendo montados há décadas e, ao surgir o novo, é natural haver um movimento condenando ou taxando negativamente. O que nos vem mais facilmente a cabeça quando tratamos do assunto é beleza (lembrando o ditado “quem ama o feio, bonito lhe parece”) e música. Essas são duas seções de intermináveis discussões entre defensores de diversos estilos que culminam sempre na frase que abre esse texto: gosto não se discute.

Gostar de sertanejo, rock ou pagode não é defeito. Preferir uma mulher gorda ou um cara peludo também não. Os exemplos, claro, são intermináveis. As brincadeiras podem até ser saudáveis. Entre amigos, sempre há aquele com o gosto mais diverso. Há quem chame de exótico, de refinado e, por que não?, de estranho. E o que seria dos fetiches não fosse o gosto? Por mais que não se ache argumentos para reforçar a opinião acerca do gostar, o bom “porque sim” sempre pode ser usado.

Por que você gosta de poesia? Porque sim, ué.

A confusão só vai aumentar se incluirmos nisso o modo de falar, de agir, de vestir, ter ou não tatuagens, piercings e afins, ou se citarmos cinema, cerveja, literatura ou futebol. E essa é apenas a ponta do iceberg. Acredito que o problema, hoje, é que temos “especialistas” demais nas redes sociais. Somos todos phd’s da porra toda e doutores em crítica do caralho à quatro. Damos conselhos, dizemos qual caminho fulano tem que seguir para “se curar” de certos desvios de caráter que tem como base fundamental o gosto dele. Ah, vá à merda.

Agora, quando opinar sem ser chamado, é bom saber que sempre poderá vir voando – sem aviso algum logo após uma intromissão como essa – o melhor argumento e desfecho para qualquer discussão.

O bom e velho “Foda-se”.

(Gustavo Lacombe)

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Forma e Conteúdo

A primeira coisa que eu vi foi o vestido curto. Sério, quem não olharia para aquelas pernas sem perder uns três segundos descendo e subindo por toda a sua extensão? Sei lá quanto tinha. Um metro? Um metro e vinte? Sei que era grande, cara. Um amigo meu me deu um cutucão e mandou:

– Ia fácil nela.

Claro, ela tava fácil também. Pelo menos parecia. A menina era bonita. Inegavelmente bonita. Salto alto, maquiagem e atraindo todos os olhares da boate pra ela. Entretanto, o que era aquilo tudo se não uma casca? Uma embalagem para presente (sabe-se lá pra quem) que não se sabe o que guarda dentro.

E o conteúdo?

Não se julga ninguém pela aparência, mas existe um ditado que diz “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. O que isso quer dizer? Que muitas vezes a forma de nos portarmos, vestirmos e falarmos traduz como sentimos e o que somos.

Contudo, não se pode levar sempre isso ao pé da letra. A menina, por mais curta que fosse sua roupa, não pedia pra ser chamada de “puta” ou, muito menos, para ser assediada, forçada a fazer o que não queria e estuprada. É feio pensar “ela não se dá ao respeito, ela pediu”. Não, cara, ninguém pede nada.

Se ela gosta de se vestir assim, o problema é dela.

Até que se conheça a pessoa você não pode julgar os valores dela. Depois que a conhece, você não deve. Quem tem o poder de julgar os outros assim? Não é você. O que acontece hoje é que a atração está pautada invariavelmente no que primeiro chega aos olhos. O físico está exposto. Isso tem contado muito mais do que o intelecto.

Cabe a cada um dizer o que atrai mais. Ser apenas uma embalagem é de bom tamanho? É preciso ter conteúdo? Uma boa conversa pode ser mais excitante que uma calcinha marcando a roupa? A inteligência se sobrepõe ao carro e a carteira cheia? Não é todo dia que a gente sai afim de encontrar alguém pra conversar. E nem sempre se quer alguém só pra saciar a vontade do corpo.

A questão é muito maior do que a simples vontade que dá.

Eu não tenho pena das pessoas consideradas feias ou fora dos padrões da moda. Elas ainda se viram. Elas tem suas armas e tentam, jogam e vão à luta. Seja pelo amor, pela saciedade ou qualquer outra coisa. Tenho pena, na verdade, é das pessoas que acham que só o exterior conta.

Sou daqueles que até podem ser atraídos pela beleza, mas que só se convencem de que alguém é realmente bonito depois de conhecer o conteúdo.
E não é o do vestido.

(Gustavo Lacombe)

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Amoridade

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Tinham dezessete anos e diziam se amar.

Falavam de pra sempre, de eternidade e de como se faziam bem. Houve quem risse, quem achasse bobagem, mas eles sabiam que não precisavam provar nada pra ninguém. O amor cresceu junto com eles, acompanhou a evolução de cada um e, num determinado momento, virou um compromisso mais sério.

Eles que falavam tanto em casamento, realizaram o sonho depois de algum tempo. E muita gente que torcia o nariz estava presente. Inclusive, no meio dessa gente, teve um dizendo que não duraria um ano.

E não durou mesmo.

Durou, primeiro, dez. E houve festa. Depois, quinze. Nova festa. Vinte, vinte e cinco. Cinquenta. E ainda havia quem duvidasse. Amor, pra ser forte, não precisa de idade certa. Ele precisa de respeito, algo que qualquer adolescente já precisa saber. E, pra quem ria e fazia pouco, o tempo deu a melhor resposta.

Conjugou o viver numa vida tão bonita que bodas de ouro eram pouco.
Eles falavam em Bodas Infinitas.

(Gustavo Lacombe)

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Que a Felicidade se Acompanhe

Vejo a sua alegria e me sinto contagiado.

Sei que, assim, posso ser feliz também. Mas repara, é a sua felicidade. Por mais que me pegue pela mão e me embale junto nas suas comemorações, não são conquistas minhas. Ok, existe aquela coisa bonita e que eu piamente acredito que o que você realizar aí vai ser como uma realização aqui também, mas falta, sabe? Não? Queria que você entendesse que sou feliz por você, mas preciso de boas notícias pra mim do mesmo jeito.

Lembra sobre o que eu te disse da minha felicidade acompanhar a sua? Pois é, acho que não tem sido assim.

Vejo seu sorriso, retruco com o meu de sinceridade e felicidade por ver que, depois de tanto tempo, todas as suas batalhas estão sendo ganhas. Talvez a pior guerra que eu trave hoje seja contra mim mesmo e tudo isso de não saber o que fazer da minha vida. É chato olhar pras pessoas e ver alguns sonhos parecidos tomando forma e não conseguir botar pra fora os meus. Não tenho inveja. Acho que não faria bem pra minha alma. Tenho pena de mim.

Nossa, agora você vai falar que eu não posso ter pena e que preciso lutar.

Calma, seu discurso é sempre o mesmo porque eu fico falando dos mesmos problemas e não me mexo. Ah, queria que ter a sua disposição, sua força de vontade, seu brio. Eu me espelho em você, acredite. Você me faz ser um homem melhor, mas que vive enfiando os pés pelas mãos. A gente, às vezes, se frustra porque quer. E eu tenho essa mania idiota de me machucar. Vou tentar, não por você, nem por ninguém, mas por mim. E você que me ensinou isso.

Quando a gente faz alguma coisa, não é porque precisa provar algo. Não se precisa provar coisas para os outros. Os sonhos são provas de que nós mesmos fomos capazes, mas são apenas nossas provas. Os seus sonhos realizados são apenas seus, ainda que alegrem todos aqueles ao seu redor. Espero que a minha felicidade consiga acompanhar a sua.

Espero ser tão feliz um dia quanto vejo que você tem sido agora.

(Gustavo Lacombe)

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Pela Primeira Vez na Vida

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Não queria alguém que dependesse de mim.

Queria alguém que fosse independente, sabe? Mas – deixa ver se eu consigo explicar isso direito – pela primeira vez na vida, sinto como se alguém precisasse ter a certeza do meu amor pra poder sorrir, poder acordar. Alguém que se completa na reciprocidade que existe em mim. E (ainda que isso pareça exagerado), também pela primeira vez na vida, eu sinto o mesmo.

Há quem chame tudo isso de loucura. É. O que não é o amor se não uma loucura? Digo mais: mesmo que seja só um fogo, uma brasa. Pode ser apenas uma centelha que hoje arde sem pudor no meu peito e parece que será eterna.

Amar é bonito. De todos os caminhos, resolveu o nosso ser assim:

Crescido sem as expectativas de sempre.
Sendo surpreendente como nunca algo foi na minha vida.

(Gustavo Lacombe)