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Trejeitos

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Gosto dos trejeitos dela. Gosto daqueles detalhes escondidos entre um sorriso e outro que nem mesmo ela repara. Engraçado, mas até nisso aquele ditado que diz “quem tá de fora pode enxergar melhor” dá certo. Quando conta alguma coisa, geralmente embala um “nãnãnã” tentando encurtar ou acelerar a história. É engraçado e pode ser que lendo você não me entenda, mas é marca registrada dela. Outra coisa? A risadinha curta e gostosa, deixando à mostra um pouco dos dentes na boca que gosto de beijar. Digo mais, faço e falo algumas palhaçadas ou bobeiras só pra ver e ouvir aquilo. O riso dela é um dos sons mais gostosos da natureza. Pra completar, o jeito que ela me chama de bobo. Bobo e louco por ela, sim, sem cansar de mirar aquele olhar apaixonado.

Dela. E que, justamente, só ela não vê.

(Gustavo Lacombe)

#ela

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Anjo Tentador

Eu vejo seu sorriso de menina
E me fascina poder te chamar
Mulher, essa carinha esconde o jogo
Diga logo o que você quer

De mim eu tiro o ar pra colocar nos seu pulmões
Se tivesse usaria dois corações
E ter espaço pra caber o meu amor
Que em um só peito a saudade extrapolou

Jeitinho manso, recatado, é tão sincera
Mas me desmonta quando dança e me pega
Parece um anjo, mas pelo perigo que eu corro
Vou te batizar de meu anjo tentador

Quem dera, então, menina cumprisse uma sina
De todo dia te soprassem para mim
Batendo as asas e me abrindo os seus braços
Não quero outro se não esse fim

(Gustavo Lacombe)

#ela

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Cuidem da sua Família

Família é foda.

Queria começar de outra forma, mas não há melhor forma de expressar o que ela é. E penso assim porque, no fundo, família é o lugar onde você aprende de tudo. Desde a sua formação e educação, passando pelos bons modos e valores que vão sendo construídos ao longo do crescimento, até uma verdadeira lição de como guardar rancores, problemas mal resolvidos e feridas que não cicatrizam. Toda família tem suas rusgas, seus desentendimentos.

Os almoços de domingo que nunca terminaram numa boa discussão são insossos.

Distância é um belo fator para manter a certeza de que, família, é algo primordial e a ser cultivado. Ninguém nunca sabe quando aquele primo vai poder te dar abrigo nas férias, né? Sem falar nas festas e dos convites que chegam no endereço sem que nem saibamos quem são aniversariantes, debutantes ou noivos. Aí, quando se encontra, é sempre aquela festa. Ainda não sei se é melhor ter todo mundo por perto ou não, mas os parentes do interior sempre rendem boas histórias.

Entretanto, tudo isso deteriora. Perto ou longe, as relações humanas, quando não bem tratadas, acabam perecendo. Quando se esquece alguém, pode-se ter esquecimento de volta. Ainda assim, família é sempre um lugar para se recomeçar. Sobre todas as coisas que são aprendidas com ela, como eu disse, o perdão também marca presença. No fim, somos um monte de gente diferente se amando de um jeito estranho, mas se amando. Se aturando as vezes, né?

Nada como manter aquilo de dizer “é família, né?”.

Cuidem da sua. Percam cinco minutos visitando um tio que mora do outro lado da cidade. Nem que seja uma vez por ano, ligue para quem mora longe. Passe uma tarde com a sua tia avó que nem sabe mais quem você é. Esteja presente, porque quem muito se ausenta, um dia deixa de fazer falta. Seja exemplo para outros primos, irmãos, tios. Sim, um hora essa coisa toda de família enche o saco e parece teatro, mas não é. Não é porque, se precisar, ela será a primeira a estender a mão.

Parece que isso diz pouco, mas não.
Família é foda, mas é família.

(Gustavo Lacombe)

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Ninguém pede pra ser Traído

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Ninguém pede para ser traído.

Ninguém assina um cheque em branco e diz: sacaneie-me. Pode ir lá, fazer o que quiser e depois voltar com cara de cão arrependido. Eu deixo. Existem os erros que todos cometem e, se não resolvidos ou reavaliados, acabam se transformando em mágoa e rancor.

A maioria nem mesmo são erros grotescos ou visíveis.

São pequenas rachaduras e infiltrações que vão comprometendo toda estrutura do casal. Alguns evoluem e decidem colocar tudo à baixo. Numa descabida proporção, ficam sedentos por vingança.

Agora… se vingar pra quê, do quê e por quê?

Quando se demonstra falta de interesse e vai se deixando de lado a quem antes se enchia a boca pra chamar de “meu amor”, a melhor opção do esquecido é a separação. Melhor que procurar outra cama, outros braços. Nenhum problema se resolve começando outro.

Melhor que dizer “você merecia coisa pior” é dizer “eu mereço coisa melhor” e sair de cabeça erguida.

(Gustavo Lacombe)

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Erros de Português

Tod
Tome um porre de livros que a ressaca é de cultura.

Tenho tido bastante retorno do meu público. Muito obrigado – mesmo – a todos que me leem. Essa reflexão vai para o público jovem que me acompanha (a faixa de 18 a 25 anos é maioria entre os leitores daqui).

Fico feliz que esse retorno exista. Acho importante estar perto de quem gosta do que escrevo. Recebo constantemente e-mails, mensagens e afins demonstrando incentivo, carinho, dando ideias, ou até mesmo críticas que me ajudem a continuar o meu trabalho (por mais hobby que ele seja). Entretanto, nunca deixo de me entristecer quando percebo seguidos erros de português. Queria eu morar e viver num país em que os níveis de alfabetização fossem os mais altos possíveis e que as todas as crianças soubessem ler e escrever. Mais do que isso, que as pessoas conseguissem ler bons livros e escrever bem na sua língua-mãe.

Sei que temos bons livros. Meio caminho andado.

O que me assusta, então, é o fato de um jovem ter acesso a um computador, internet e, por mais precário que seja o lugar onde mora, condições de ter uma educação básica, mas continuar cometendo deslizes bobos no nosso tão combalido português. Veja bem, não quero que todos saibam a classificação das orações, o que são as desinências ou saber todos os tempos verbais. Nada disso. Nosso idioma é um dos mais difíceis do planeta, cheio de regras e leis que, muitas das vezes, são impossíveis de decorar. Só que escrever “de mais” e “concerteza” não dá.

Uma vez uma menina me perguntou como ela poderia melhorar a escrita dela. Lendo, eu respondi. O Brasil é muito bem servido de bons autores e consumir as suas palavras é um ótimo modo de assimilar vocabulário e enriquecer-se culturalmente. E o que apreendemos dos livros, ninguém nos toma. Mais importante que o grau de instrução que uma pessoa tem, a vivência e intelecto dela são a sua base. Portanto, jovem leitor, não tenha medo de aventurar por Machado de Assis,  José Lins do Rêgo, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Luís Fernando Veríssimo, Ruy Castro, entre outros.

(Essa lista, certamente, seria bem maior que esse post.)

Então, o prazer de uma boa hora de leitura é a única saída para se compreender melhor as articulações do português, além do benefício de escrevê-lo e falá-lo melhor. O objeto em si, o livro, é algo que vem barateando cada vez mais e é possível achá-lo a preços módicos em sebos. Ou, então, recorrendo a bibliotecas públicas onde se pode pegá-los emprestados. Na última semana eu comprei alguns livros (até lançamentos) e nenhum deles passou dos vinte reais. Mesmo sabendo que viver está com um preço alto, lembro que há coisas que o dinheiro não compra.

A sua educação é uma delas.

(Gustavo Lacombe)

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De Mudança

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Decidi que vou me mudar.

Mudar de ares. Sem medo e sem receio de deixar memórias e/ou pessoas pra trás. O que deles for verdadeiro, me acompanhará, eu sei. Se tiver que manter qualquer coisa à distância, sei que conseguirei. Entretanto, às vezes é preciso se libertar. É necessário cortar o cordão umbilical, mesmo que se deixe sentimentos órfãos do lado de lá.

Estou correndo de aventura. Ao contrário, quero é achar um lugar para fixar residência e laços. Pode ser que eu bata em vinte municípios e cidadelas antes de conseguir me atrelar definitivamente. Ouço as propostas, não me prendo aos quereres, exceto o meu de ter angariado forças ao longo dos últimos tempos e ter chegado a essa conclusão. Diria brilhante, não fosse comum.

É apenas uma decisão.

Pretendo contar lá em casa quando for a hora certa. Sei o pânico que vai gerar nos meus pais eu sair da asa deles. O que, na verdade, é um tanto engraçado visto que moro sozinho há três anos e já pago minha contas, dou um jeito na minha comida e, principalmente, de ter roupas limpas. Apesar da mamãe reclamar do jeito que a Ana passa minhas blusas, ela já admitiu – uma única vez – que eu tenho me saído bem nessa tarefa.

Decidi mudar não por ter poucos amigos ou chances. Nem ao menos por ter enjoado do lugar onde moro. É que, aqui e do jeito como as coisas estão, eu sei exatamente como chegar e estacionar na minha zona de conforto. E antes que você aponte um dedo pra mim dizendo que é só sair dela, olhe para si mesmo e me diga se você também não se sente tentado a encostar nesse lugarzinho tão confortável.

É normal, acredite.

Se nada der certo, eu volto. Não tenho vergonha de dizer que até voltar a dividir um teto com meus pais eu voltaria. Cara, não é retrocesso, mas a gente nunca sabe como será o dia de amanhã. Todas as possibilidades precisam ser analisadas. Boa sorte, vai dizer meu pai. Talvez seja pelo fato dele ter saído da cidade dele e ter parado onde moramos agora. Ele sabe bem como é isso de querer trilhar a própria estrada.

Eu vou encarnar meu desejo e achar meu caminho.  E vou achar.

(Gustavo Lacombe)

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Prazer, Dezembro.

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E aí, tudo bem?

Você me conhece. Claro que conhece. Não tá me reconhecendo? Eu sei que demoro pra aparecer, mas todo ano chego. Já adivinhou? Mês de sagitarianos e capricornianos, de festas, da programação das férias… Ficou fácil agora. Bom, diga aos participantes dessa corrida de malucos da vida que eu sou Dezembro.

Tem um tempo que a gente não se vê, né?

Então, apareci não só por causa do Natal. Até porque, você sabe, tem gente que não liga muito pra isso. Se você aprendeu nesse ano a olhar mais ao redor e não só para o próprio umbigo, vai acreditar se eu te disser que há quem nem comemore essa data sagrada pra tantos. Bom, tem também quem ache sagrado para dar presentes. Sou um tanto capitalista.

Mas antes que o papo se torne chato e sem rumo, e aproveitando o tempo e a oportunidade que estou tendo de falar certas coisas, quero te lembrar que ainda é tempo. Cara, olha pra mim. Eu tenho 31 dias. Isso é mais que muito mês por aí. Tá, deixemos Setembro de fora (trinta dias que parecem sessenta). Ainda assim, eu preciso ser vivido.

O raio da última folha do calendário não está lá a tôa.

É difícil competir com Janeiro ou, por que não?, com Fevereiro. Os dois são meses de viagens, férias, divertimento, Carnaval. OBA! VAMOS PRA DISNEY! Eu? Apenas adiei os planos, aumentei a ansiedade e assisti os outros comemorando quando o ano acabou. Fogos, champagne, carpaccio de salmão, sidra e frango com farofa. Todo mundo feliz com o fim de Dezembro.

Na esperança pelo ano que virá e fazendo balanço de tudo que aconteceu no que passou, jogam fora a última chance de fazer valer a pena. Vou entender se você disser que é preciso parar, refletir e pesar as coisas boas e ruins, estabelecendo prioridades e definindo projetos para a vida.

Mas, olha, a vida AINDA está acontecendo.

Não tem porque se sentar e esperar passar o tempo. A gente já reclama tanto da falta dele que não pode se dar ao luxo de gastá-lo assim, observando os minutos irem embora sem fazer nada. Você quer que eu passe logo? Tudo bem. Serei rápido como esse ano foi. Espero que, mês que vem, você não pense “poxa, mas eu podia ter feito tanta coisa em Dezembro…”. Eu vou demorar pra aparecer de novo.

Aí, enquanto a gente espera o fim do dia, da semana e do ano, dá de cara com o fim da vida e se arrepende de não ter feito o que queria. Pensa na loucura que poderia ter cometido, no beijo que não foi dado, na palavra que ficou entalada, o desaforo que levou pra casa, na música que não pode ser ouvida, no sonho que nem ao menos foi buscado.

Longe de mim querer seu mal. Muito pelo contrário. Sou um mês que gosta de dar presentes. E o melhor deles é te contar meu lema, que levo como um mantra.

Entre o ontem e o amanhã, a única coisa que pode ser mexida é o hoje.

(Gustavo Lacombe)

Roupa Suja

Ele costumava me abraçar depois que a gente fazia amor. Tudo bem que nem sempre gozávamos juntos, mas ver a cara dele de prazer comigo era suficiente pra mim. Até que um dia – e é sempre assim “de repente” – ele virou a cara e saiu da cama. Acendeu um cigarro, foi ao banheiro e, quando voltou, pediu que eu me arrumasse, que estava tarde e que me levaria em casa.

Oi?

A casa era dele, a cama dela, a mobília dele, tudo dele. Algumas almofadas eu dei de presente, tinha até uma gaveta pra guardar as minhas coisas, mas nada de demais. Ali eu era apenas uma reles convidada, mas com tempo suficiente de relacionamento pra me sentir à vontade. Até calcinha no chuveiro eu já esquecia. Erro grave meu, eu sei, mas acontecia vez ou outra. Só que nunca tinha sido tratada daquele jeito. Por ninguém.

Talvez seja assim que se iniciem as decepções, nas atitudes impensadas que quebram a rotina para o mal.

Nem discuti. Peguei minhas roupas, passei a mão na bolsa e fui embora. Enquanto ele ficava me puxando e tentando explicar que precisava acordar cedo, eu me vestia, ligava pro táxi e ia andando. Saí da casa, fui pro portão do condomínio e, mesmo sabendo que ele queria esclarecer os motivos, me senti uma puta.

Uma puta que é mandada embora assim que a farra acaba.

Claro que eu aceitei as desculpas. Ele passou uns dois dias ligando e deixando recados. Apareceu no meu trabalho, mandou flores e entendeu o que tinha feito. Era o mínimo. Percebi que essas coisas acontecem. Mal entendidos que corroem, mas, mesmo assim, disse tudo o que senti e como me senti naquela noite.

É muito mais fácil colocar as cartas na mesa e não engolir sapos. Roupa suja de problema é pra ser lavada antes de acumular, ou depois os dois sofrem juntos por terem se omitido. E eu já era grandinha demais pra não dizer as coisas.

(Gustavo Lacombe)

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Dá Linha

Provoca, vai. Já se acostumou, né?

Mas não me leve a mal por achar que já perdeu a graça. Talvez seja divertido do seu lado, me olhando escorregar entre os dedos e sabendo que, no momento próximo de me perder, é só aparecer e me aparar sem que o chão fique perto demais. Isso não cansa, não?

Enquanto eu gasto tempo e travesseiro pensando na gente, você gasta lençol com outra pessoa. Ou gasta o banco do carro, o assento do cinema, o chuveiro de casa ou uma parede qualquer.

Só peço a você, que já bagunça o meu juízo e a minha vida, que pelo menos venha bagunçar a minha cama. Aí, olho no olho, me diz para o que eu preparo o espírito: pro sorriso ao longo do caminho ou pro riso após o gozo. Só não me enrola.

Chega e desembola ou, então, dá linha.

(Gustavo Lacombe)

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Amar: verbo sentido direto no peito.

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Amar: verbo sentido direto no peito.

É conjugado pela presença de certas pessoas que tirariam o sentido do mundo se não existissem.

Não aceita objetos, apesar de sempre gostar de um agradinho, um presente.

Falado por muitos, é demonstrado por poucos, sendo um verbo verdadeiramente em extinção.

Por vezes é confundido com outros, mas sua associação com amizade é válida.

Gostar e adorar são comumente usados em seu lugar quando se quer esconder sua raiz mais funda no peito.

Sinônimo é meu olhar encontrando o dela. Aí, verbetes e definições não são mais precisos.

Os corações conjugam o amor na recíproca.

( Gustavo Lacombe )