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Tão Natural Quanto Respirar

Você não sabe há quanto tempo eu tenho guardado um tesão só pra você, mas tomei coragem pra dizer. Me apropriando do que diz naquela música, o que te digo é apenas uma verdade: não importa quantos já tenham passado na minha cama, a vontade de te pegar, te arranhar e me esfregar na tua cara não passa. Sabe qual é o problema de quem finge demais ser certinho? É que na hora do “vamos vê”, assusta quem não esperava tudo aquilo. Isso não quer dizer que eu sou atriz pornô, que eu já dei pra 500, ou te dá qualquer margem pra falar do meu caráter. Eu tô falando daquilo que surge inexplicavelmente só de olhar alguém, aquela atração absurda que sobe no corpo e só um banho gelado dá jeito – pelo menos nos quinze minutos que se seguem depois dele. Uma coisa tão natural quanto respirar que muita gente freia por instinto natural da mordaça da sociedade. Recatados, bem vestidos, polidos e pudicos. Somos assim na frente de todos e é até meio óbvio. Ou você acha que quero dar certas liberdades a quem nem ao menos sabe meu sobrenome ou se lembra da minha data de aniversário? Entretanto (porém, contudo e todavia), tem certos dias que só quero transar (e coloque aqui alguns outros verbos) e satisfazer uma coisa interna minha que já nem posso mais chamar de vontade ou necessidade. E nem pode ser com qualquer um. Entenda: tem uma hora que a mulher prioriza sua sanidade mental e um bom vibrador já faz uma bela parte do serviço – sem precisar chamar um uber depois. O que rola contigo, então? Não sei. E se eu soubesse explicar não teria gasto tantas palavras te dizendo o que eu não consigo achar no dicionário, mas que o corpo inteiro sabe. Eu. Preciso. Sentir. Você. Fica aí o convite. E, por favor, não se assuste com o meu jeito direto de ser. Se fosse pra ir com calma, eu tinha respondido o teu story biscoiteiro feito só pra chamar a atenção. Não precisa. Tô aqui. Ou me apaga de vez ou queima comigo. Você decide.

#aaaaahLacombe
@lacombegus •

@fridacastelli

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O Amor Aceita Tudo

O Amor aceita tudo. Aceita que pessoas completamente diferentes podem se encontrar e dar um jeito para ficarem juntas. Aquelas pessoas que as outras pessoas olham meio torto, sabe?, sem entender como que elas estão construindo algo. Pois bem, o Amor as aceita assim como elas são e elas, sabendo da limitação de cada um, apostam no que podem ser. Juntos. O Amor aceita que gente completamente parecida, com gênios fortes parecidos, com personalidades fortes parecidas, com indecisões parecidas, tenham um relacionamento gostoso. Mesmo que elas briguem muito, que volta e meia entrem numa discussão exatamente pelo caráter muito similar que cada uma tem. O Amor as aceita, abre os braços e segue firme a sua caminhada. O Amor aceita que você ame alguém sem recíproca. Sendo genuíno, uma hora ele entende que deve continuar sua trajetória e passa a desejar com toda a sua força o bem daquela pessoa que se amou. É claro que seria muito melhor que o sentimento fosse correspondido, mas não sendo, o Amor deseja sorte – para quem vai, para quem fica e para o próximo encontro. O Amor até aceita que alguém brinque com ele. Desperdice-o. Aceita que o outro teve a coragem de exercer o seu livre arbítrio e fez uma escolha. Machucou? Sim, mas nem por isso ele nega o que houve. Aceita que houve um erro e decide se quer ficar ou não, decide se perdoa ou não (que no final acabam sendo coisas diferentes). O Amor ainda aceita que você seja covarde. Que você não se declare. Que perca a oportunidade. Aceita, acolhe o teu sentimento, mas se sente livre para mudar pra um arrependimento ou, pior, a ir embora. Veja bem, a frase “o Amor aceita tudo” já passou da hora de ser ressignificada. Chegou o momento de valorizar o que realmente importa e, ainda que se fique triste, que a dor não defina nossos próximos passos. O Amor que aceita tudo é o mesmo que sabe das voltas que o Mundo dá e da Lei do Retorno. Ele não esperneia por quem não quer ficar, mas para quem o trata bem ele abre seus braços e transforma uma vida em lar.

( Gustavo Lacombe )

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Um Fim Sincero É Melhor Que Ter Uma Sacanagem de Pretexto

“Eu gosto de você, mas não posso ser o que você quer agora”. Talvez essa seja uma das desculpas esfarrapadas mais sinceras que eu conheço. A pessoa sai algumas vezes contigo, demonstra um tipo de querer mais profundo, mas uma hora se vai. Você, que já criava aquela expectativa de de poder se render e se jogar, fica com a mala semi-pronta e o coração na mão. Mas é bom, sabia? É bem melhor ver alguém pular do barco num momento precoce que ver alguém desistindo de algo maior. Sei que batemos muito na tecla do Amor, mas estamos querendo-o a qualquer custo. De qualquer maneira. Estamos colocando num lugar especial quem não deveria nem ser cogitado lá. E a culpa é de alguém? Não acredito em “culpa”, se é que você me entende. Se relacionar, amar, se entregar, saber se é a hora ou não, tudo isso é de um jogo social que demora até aprendermos a praticar. E não tô falando que precisamos saber momentos exatos de enviar mensagens, fazer “joguinhos”, fingir-se de morto ou fazer falta. Tô falando que na experiência empírica do Amor é difícil mesmo começar a compreender os sinais de que alguém não está tão a fim assim de você ou se é algo mais que uma paixonite. Quando se trata de algo já construído e que os dois veem como uma relação certa, sou sempre o primeiro a reforçar a necessidade da preservação e do bom funcionamento para ambos. Só que, sendo alguma coisa rasa, que um dos dois decidiu abrir mão por saber que só iria haver machucados e sabendo que não queria estar mais ali, o fim talvez seja uma das coisas mais incríveis que alguém pode dar. Um fim sincero, justo e sem muito drama. Sem uma sacanagem para servir de pretexto. Um ponto final que, quase sempre, nos dá a chance de começar outra história.

[ Gustavo Lacombe ]

 

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Dar/Comer

Dar/comer é um vocabulário pertencente ao universo do sexo. A pergunta é se ele é chulo ou não. Acredito que tudo depende do grau de intimidade da pessoa que está ouvindo. Depende também de quem está falando. De quem são as outras pessoas em volta. E ainda da situação, né? Pelo amor, é preciso bom senso. Alguns lugares, pessoas e ocasiões vão pedir para que você diga “transar”, “fazer amor”, mas nunca “foder” ou “comer”. É fato que o vocabulário existe e é largamente usado por todos. Conheci a história de um cara que adorava ouvir a mulher dizer “meu nêgo, quero dar pra você”. Baiano, gostava de ouvir aquelas exatas palavras. Dava um tesão fodido, segundo ele. Claro que entre quatro paredes. Claro, quando só estavam os dois. Não acredito que homens conversando vão usar palavras diferentes. É do universo masculino (e eu não acho que tenha machismo nisso) usar comumente comer/dar (apesar de saber que muitos também usam num tom pejorativo). Talvez utilizem o “levar pra cama”. O que sinto falta nessa discussão toda (e aqui falo dessas conversas que os caras tem com os amigos mesmo) é a nobre pergunta “mas você fez gozar?”. Pô, comer é uma parte muito simples do trabalho. É enfiar o pau e gozar. É só isso mesmo? Ainda que seja por uma noite? É pra isso que o cara se envolve, leva pro motel, fala que sentiu uma química? Talvez eu esteja querendo profundidade numa discussão que só deixa de ser rasa quando fala de futebol. Porém, não me furto a dizer aos caras: dizer que comeu é fácil, quero ver chegar se gabando de que fez meia hora de oral e ela gozou na sua cara. Quero ver dizer que se preocupou e que, inclusive, ficou chateado por não fazer aquela menina especial “chegar lá”. Quero ver deixar a otarice de enumerar quantas mulheres tiraram a roupa pra você e passar a se preocupar se quem está contigo naquele momento goza com você. Dar/comer é simples. Difícil é ir além do vocabulário chulo.

[ Gustavo Lacombe ]

Texto do livro “Depois da Meia Noite”, que pode ser comprado aqui:
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Transa Não Tem Manual

Algumas das minhas melhores começaram sem muito estardalhaço. Não acho que esse seja o padrão, mas na maioria das vezes é isso que acontece. Você não cria muitas expectativas, vai “pra ver qual é” e se surpreende. E é uma delícia quando se é surpreendido.
 
E isso prova, pelo para mim, que intimidade é bom e faz maravilhas por um casal, mas a porra da química é fundamental. De verdade, não acho que transar com uma pessoa diferente ajuda pelo fato de você “perder a vergonha” já que não vai ver de novo. Isso de ir onde nunca foi é para casos íntimos mesmo.
 
O ponto-chave pra mim é o fator inesperado mesmo. É o toque do outro que arrepia, o encaixe das pernas que parece perfeito, a boca que vem deslizando pela pele e só para quando se dá por satisfeita, o gemido que enlouquece e o fato de, inacreditavelmente, nada no outro incomodar.
 
Como assim incomodar? Fácil.
 
Tem gente que acha problema em qualquer coisa. Tem gente que vê pêlo em ovo e não consegue aproveitar a transa. Fala que o outro sua muito, reclama da unha grande, que não pode marcar, que se incomoda em toda posição que faz, que chega ao cúmulo de botar a culpa na camisinha, no perfume muito doce, no raio que o parta! Tem gente que estraga qualquer clima.
 
O que essas noites tiveram de tão diferente assim para eu considerar como as melhores? Entrega. Um prazer mútuo em querer se dar. Uma vontade de aproveitar o tempo sem a pretensão de ser o melhor, mas tornando-se pelo fato de saber que reparar bem no outro e ter atenção com o seu gozo é primordial.
 
Já vivi o contrário também, óbvio. Criar expectativa e se frustrar, quem nunca? Sabe quando você olha pra alguém e pensa “deve ser um fodão”. Na hora H não é nada daquilo. Acontece. E sei que já deve ter acontecido o mesmo com alguém que me quis e, na hora, descobriu que eu nem era isso tudo (apesar de eu achar que eu sou isso tudo, mas essa teoria de todo homem se achar bom é outro texto).
 
Mas vale ressaltar: todo homem se acha foda na cama.
 
Só que nunca existirá um “manual da boa foda”. Se a música diz que sexo é escolha, eu posso garantir a você que sexo bom pode até ser um exercício de conhecimento e intimidade, mas a grande maioria é encaixe, química e uma puta sorte de ver que as vontades coincidem e todo o resto casou certinho.
 
E, claramente, essa é a explicação para a famosa expressão “amor de pica” e “chá de buceta”. Quem sabe o que quer e ainda sabe bem o que fazer, quando encontra quem entende da parada e faz uma noite ser pouco pra dar conta de tudo que os corpos pedem, tem grandes chances de se enquadrar numa dessas definições.
 
Por isso, também, que tanta gente viaje para rever pessoas, tanta gente que leva uma noite no coração, na cabeça e na imaginação de poder ter novamente, tanta gente que conta nos dedos as pessoas que realmente fizeram o gozar ser bem mais que o ápice de um prazer, mas uma memória carregada para sempre.
 
Com algo que é quase impossível de explicar: química.
[ Gustavo Lacombe ]
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Eu Serei Pra Sempre o Teu Melhor

– Deixe seu recado após o bip.
 
BIP.
 
– Você vai lembrar de mim. Vai lembrar quando aquele cara chegar tirando a sua roupa de uma forma estabanada, quebrando o fecho do sutiã e pedindo desculpas. Ou não. Jogando a blusa na puta que pariu e tendo dificuldades de achar depois. Aliás, a calcinha que você perdeu no meu quarto, eu achei. E joguei fora. Não quero guardar nada como uma mortalha do que passou.
 
Passou porque nós dois não soubemos fazer mais do que deveríamos ter feito. Brigávamos pelos motivos mais idiotas e uma hora a cama não deu mais jeito. Não há sexo que segure tantas merdas ditas, tantos erros espalhados pelo caminho e dois estúpidos que não souberam parar antes de perderem o que tinham. Dói dizer e admitir, mas é a verdade.
 
E você vai lembrar de mim. Vai lembrar de quem fazia as piadas mais sem graça e te fazia se sentir bem com um abraço na hora de dormir que, em cinco minutos, virava uma fogueira debaixo dos lençóis. Você se virava de costas e as minhas mãos chegavam no meio das suas pernas. As suas, por sua vez, sabiam exatamente o caminho até o meu short. A gente sempre ficava com cara de sono, mas e daí?
 
A gente transava feliz e passava o dia seguinte tão na boa quanto.
 
Até isso vai te fazer lembrar. Vai te fazer fechar a cara e pensar “puta que pariu, eu dei pra outro ontem e tô pensando nele hoje”. Não haverá nada de errado com isso. É apenas um truque da memória que dirá e jogará na cara que será impossível me esquecer. Pelo menos até a próxima saída. O próximo porre. O próximo amor de uma noite. Durante muito tempo em sua vida, como já canta o Rei, eu vou ficar na tua vida.
 
Isso é um misto de profecia com maldição. É um meio-termo entre a vontade de fazer diferente com a raiva de ter pedido. É a mágoa que não se converte em felicidade por ter vivido com a frustração de ainda sentir tanto. É a soma de uma garrafa de vodka com um balde de energético. É o fundo do poço te ligando, mandando mensagem e morrendo de vontade de foder de novo contigo.
 
Mas, não, você deve tá com outro. Eu poderia falar coisas, insinuar outras, mas vou ser mais babaca do que já estou sendo. Sei que você vai lembrar. Quando alguém te tocar como eu te tocava. Eu vou ser a comparação máxima. Eu vou ser o parâmetro. E mesmo que alguém seja melhor, em alguma coisa eu serei insuperável: teu passado todo sou eu.
 
Ok, passado. Porque nós dois não soubemos ser presente.
 
Vai acabar a bateria e, antes disso, deixa eu dizer que te amo. Que ainda te quero. Foda-se. Gosto mesmo. Cansei de me fazer de durão. Eu sinto falta. Da foda e da forma com que a gente sabia, sim, ser feliz. Antes de tudo desandar. Antes da separação ser o único caminho. Se não desse mais pé, eu diria.
 
Eu ainda –
 
Fim das suas mensagens. Para ligar para o número que deixou o recado, pressionar 5. Para apagar, disque 0.
 
[ Gustavo Lacombe ]
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O Amor dá Certo, Sim

O Amor dá certo, cara. Se não deu com outra pessoa, pode dar certo na próxima vez. Eu sei que é foda ficar colocando o coração na linha do trem e esperando que ele não passe por cima. Talvez essa seja uma boa analogia pro sentimento. É como ficar em seus trilhos, com as flores na mão, mentalizando que o comboio vai parar antes de te atingir. Mas sempre tem quem feche os olhos, se jogue ali e seja feito em pedaços. Eu sei que tem. É difícil convencer alguém que já se machucou, que já se entregou e que não vê motivos para acreditar de novo que tudo aquilo vivido foi aquilo tudo vivido em outra ocasião. Entende o que eu tô falando? Não é confuso, é questão de tentar mostrar que cada vez que nos abrimos pro Amor temos uma nova chance de ser feliz. E quando algo dá errado, temos outra chance mais adiante. Sim, gostaria de olhar na cara da próxima pessoa que chegar perto de você e dizer a ela “cuida com carinho porque esse coração é especial e já sofreu mais do que deveria”. Aliás, prometo fazer isso quando a oportunidade se apresentar, mas não adianta eu pedir cuidado se você também não quiser tentar. Amar é para os corajosos, aprendi, e raros são aqueles que aceitam o desafio de viver tudo que vem no pacote. O Amor dá certo, mas vai viver aquele clichê inevitável de dar muito errado antes até chegar a esse ponto. E, sendo bem realista, é preciso entender e aceitar que algumas pessoas são apenas caminhos, nunca chegadas. Algumas histórias são apenas capítulos, nunca livros completos. E o que dá certo por um certo tempo não quer dizer que não valeu a pena ser vivido. Eu sei, cara, que dói terminar, ver alguém que era tudo se transformar em nada, mas você já pensou que alguém que é quase nada hoje pode vir a ser seu tudo algum dia? O Amor é apostar. Arriscar. Arriscar-se. O Amor dá certo, sim, basta acreditar que o próximo trem não passará por cima de nós.

[ Gustavo Lacombe ]

Desce Que Eu Tô Te Esperando

Eu tô parado na porta do teu prédio sem coragem de dizer “desce”. Então, resolvi escrever. Resolvi dizer que eu não tô aqui embaixo tentando te convencer a nada, mas tentando mostrar que eu gosto. Não falo que é pela enésima vez que eu faço isso porque a proposta hoje é justamente outra: viver o começo de nossas vidas deste ponto em diante.
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O que passou vai ficar de bagagem, certamente, mas não será o bastante para que ofusque o nosso sorriso. Acredito que um dos grandes problemas que as pessoas levam seja o fato de que passados mal resolvidos e sentimentos deixados à míngua sem suas devidas decisões continuam reverberando e causando estragos no tempo presente.
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E fica impossível seguir.
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Então, ao entrar no elevador, venha certa de que tudo poderá continuar no mesmo lugar e as cores ainda serão as mesmas, mas nossos corações terão mudado e nossos olhos passarão a enxergar tudo de maneira diferente. E mesmo que no início não pareça, com o tempo e a prática nós conseguiremos. Eu tenho certeza que só a vontade de fazer dar certo já é mais que meio caminho andado.
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Minha mão estará aqui nos piores momentos. Meu ombro, meu colo. Meus pés poderão servir de apoio e não duvide e um dia for preciso te tomar em meus braços para que você perceba que nenhum medo será maior que nós. Não vamos conseguir mudar o Mundo, mas teremos chance de mostrar a todos o poder do sentimento.
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O maior exemplo que se precisa.
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E se mesmo dizendo tudo isso ainda for preciso admitir o óbvio, admito que estou tão nervoso que não sei como simplesmente dizer “te quero comigo”. Quero e não há outro desejo tão forte quanto este. Eu quero que a Vida siga, mas quero que ela siga com você. Tô aqui.
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Desce?
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[ Gustavo Lacombe ]
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Tudo Aquilo Que Camuflo Pra Não Dizer Que Te Quero

Eu ainda me perco no teu olhar toda vez que encaro tua foto. Fico parecendo aquelas carinhas de celular escondendo o rosto. E confesso que abro algumas redes sociais só pra mergulhar mais uma vez nos teus olhos – com o cuidado de não dar bandeira claro. Já imaginou se te ligo por engano? Esse querer escondido, fruto de uma vontade que eu nem sei de onde veio, parece estar em tudo que eu vejo e que me faz lembrar você. Longe de ser uma obsessão, mas um vício gostoso que eu gosto de ter.

E não consigo escancarar.

O medo de dizer como eu me sinto parece esbarrar na certeza de que o “não” (que eu já tenho) se materializará. E eu sou péssimo para lidar com rejeição. Sou péssimo em me abrir e ter que ver o outro dizer que não preciso revelar esse tanto de coisa. Sou pior ainda pra aprender a desfazer as minhas certezas. E eu me agarro à dúvida antes de saber que você realmente não me quer.

As coisas que te falo e depois emendo com um “tô brincando” apenas refletem o espírito de quem não sabe como chegar e dizer “olha, eu queria uma chance de te fazer feliz”. Uma, que seja. E que, entretanto, ensaia todos os dias isto diante do espelho. Na minha platonidude, podendo ser objeto direto da fala de Platão e seu olhar de desejo ao que não se tem, miro de longe quem eu queria ter tão perto. Continuo torcendo para que o teu sorriso mantenha-se aberto – como eu sempre gostei de ver.

E como eu adoro saber que está.

Se um dia, por fim, eu criar coragem de dizer, espero ser capaz de te fazer compreender que sempre existiu o medo que converte todo lindo sentimento em segredo. Só que não adianta. Um dia, eu sei, diante de tudo que transborda em mim e que sinto ao estar junto a ti, vou acabar deixando escapar em sussurro tudo aquilo que camuflo nos meus “bom dia”, “você tá bem?” e “se cuida”. Tudo que eu nem preciso dizer, visto que os olhos já brilham quando eu estou com você.

[ Gustavo Lacombe ]

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Ignorar Pode Ser Uma Virtude

Não quero mais ouvir tua voz. Pode gritar, pode falar, pode berrar no meu ouvido todas as besteiras que você se acostumou a dizer para as outras. Não vai adiantar. De agora em diante, decidi, vou te ignorar com tudo que tenho. Com todas as minhas forças e te deixar claro que a “ignorância” será a minha maior virtude. Já não posso mais ficar cedendo as caprichos de alguém que só me procura quando precisa.

Eu não sou o remédio da sua carência.

Tivemos que chegar aqui por sua causa. Não adianta a cara de sonso e de choro. Não adianta martelar que eu não quero hoje e te mando embora. Foi você quem me ignorou quando deixei a porta aberta e te pedi pra ficar. Aquela história de preparo o café ou a Vida tá certa. Eu nunca deveria ter feito o primeiro café, quanto mais ter continuado a deixar um espaço reservado pra você se instalar em mim.

Importante é aprender, eu sei. A gente precisa gostar muito de alguém para enxergar o valor que o nosso amor-próprio merece. Só depois de ver até onde é possível tolerar, relevar e ceder é que descobre-se o que a linha imaginária e pronta pra jogar na nossa cara: você passou de todos os limites. E aí, quando se entende que perdeu-se o respeito, já não há sentimento que consiga resistir.

E tudo rui.

Desejo do fundo do meu coração que não bata aqui em casa com flores na mão ou um sorriso idiota de quem sabe que está errado, mas tenta consertar do pior jeito que existe. Se a campainha tocar, não estarei na porta e vou pedir que deixe tudo que é e está contigo na portaria. Se não quiser devolver, pode queimar. O ditado diz que a ignorância é uma bênção, e eu não quero mais saber de você ou de nós.

O fim é explícito. Não preciso desenhar. O que bater de saudade será retrucado com os fones bem ajustados e a música alta. A rotina que engula o resto e me faça esquecer o que passou. Sei que certas coisas apenas se curam com o tempo e, agora, estou me dando tempo o suficiente para conseguir voltar a viver. Sem tudo isso (ou esse pouco) que você me dava. Desculpa, eu sei que é até mal educado, mas te ignorar é (eu) preciso.