Amor de Mãe

Imagens tumblr - Mãe e Filha20120301-mae2

Esse amor é rasgado. Daqueles que quem bate o olho logo percebe o quanto é fácil ser mimado por ele. Amor de colo, me ampara nas horas difíceis, dá força em momentos de crise e me nina nos dias felizes. Daqueles que vira abrigo, não importa o dia. Segunda, feriado, ponto facultativo, domingo, dia de santo, dia de branco, dia de festa. Não importa.

É sempre dia de Amor.

É, sem ter dúvida alguma, daqueles que se classificam como “para sempre”, “pra toda vida” ou algum outro clichê que desafia as leis do tempo e da sabedoria popular – que teima em dizer que pra sempre não existe. Amor de milagres. De dar o que não tem só pra colocar um sorriso no rosto. De tirar um arco-íris da cartola pra colorir qualquer acinzentado dia.

Não precisaria ser mais nada. Ainda assim, insiste em se tornar companhia, sabedoria e outras coisas além de Amor. Joga nas onze. É polivalente. Camaleonino com a expertise de se misturar entre outros sentimentos e assumir diversas atribuições. Isso, sem perder a sua ternura jamais. Sabe da sua condição e não foge dela. Entende como é fundamental o papel de ser amor.

Afortunado os que o tem. Mesmo que pareça ser igual pra todo mundo, não são todos que tem o privilégio de tê-lo. Jogo minhas mãos para o céu e mais uma vez agradeço por poder disfrutá-lo. Até porque, mesmo com seu caráter infindável, ele não é de presença eterna. E saudade nunca é compensada. Uma vez instalada, nunca mais se recupera dos seus efeitos.

Por mais constante que pareça a presença, um dia de falta é o bastante para a saudade abraçar o peito.

Esse amor é único. Daqueles que não adianta procurar igual. Ele não permite comparações. É resumido em uma palavra, mas poderia se condensar num gesto. Um abraço, um carinho, um olhar. Poderia se deixar confinar por alguma definição, mas preferiu se espalhar na indefinição perfeita do que é. Tanta coisa pra ser e, ainda assim, prefere simplesmente se bastar em ser Amor.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

Já Dizia Minha Mãe

tumblr_lcnbc3IOjY1qf97fzo1_500

Minha mãe sempre diz que vergonha é roubar e não poder levar.

Geralmente ela fala isso quando eu mostro minha timidez (tão requisitada em situações especiais). Ainda pequeno, ela me encorajava a abordar alguém para pedir aquilo que eu queria. Sei lá, o pipoqueiro, por exemplo. Mas eu dizia “tenho vergonha, mãe”. Coisas de criança. Ela botava o dinheiro na minha mão e dizia que eu só comeria se fosse lá pedir o raio da pipoca.

Já no colégio, eu dizia que tinha vergonha de falar em público. Apresentações de turma, teatrinhos ou afins eram um tormento, mas lá vinha ela me dizer aquelas palavras de incentivo. E dava certo. Só que eu nunca achei que fosse incentivo porque, imagina só, você diz que “vergonha é roubar e não poder levar”. Eu nunca roubaria nada de ninguém (tirando situações de extrema necessidade como o futebol com os amigos). Além disso, eu, criança, ficava imaginando, literalmente, um ladrão com um saco cheio de dinheiro na mão, mas sendo impedido de levar o saco no exato momento em que ia embora.

Acho que é outro tipo de vergonha isso, certo?

O que sei, de verdade, é que tudo mudou quando eu conheci minha primeira namorada. Calma, antes que ela se tornasse namorada, muita água rolou por debaixo da ponte. E onde minha mãe entra nessa história? Bom, tirando o fato dela ser a sogra mais fofa que alguém poderia ter, foi ela quem me incentivou a falar e contar sobre o que eu sentia. Eu contava coisas pra ela e lembro que ela só ria. Ria e dizia “Meu filhinho cresceu!”.

Me matava de vergonha.

É verdade que sinto isso (a timidez) apenas quando me convém. Aprendi que posso ser o maior cara de pau do mundo, mas uso a máscara de tímido quando posso. Dependendo do dia que você me conhecer, vai se perguntar se eu sei falar ou enjoar de ouvir minha voz. Depende.

Mantenho esse meu hábito só porque já virou um traço da minha personalidade. Engraçado é que, em alguns momentos, eu conto que tenho um lado reservado e algumas pessoas não acreditam. Sério! E não é que eu fique chateado, apenas entendo que a gente sempre deixa um pouco de si mesmo escondido para que o outro descubra.

Menos para minha mãe. Ela sabe como sou exatamente.
E tem certeza que a minha timidez é outra coisa.

É charme.

(Gustavo Lacombe)