Foda-se o Medo

Uma das piores coisas que penso quando estou escrevendo meu romance é imaginar que as pessoas vão ler e achar uma merda. Essa é uma verdade. E é a verdade que muitas vezes vamos precisar lidar em diversas áreas da vida: o medo do fracasso. Meus pais não me criaram para vivê-lo, muito menos conviver com ele. Acredito que os seus pais, tios, familiares e amigos também o incentivaram e estão esperando que você seja bem sucedido. Ora, vejam só, nem todo mundo vai conseguir começar a se sustentar antes dos 25, graduar-se no tempo certo, arranjar um namorado perfeito, um hobby que traga prazer imenso, um círculo social que mantenha os finais de semanas ocupados e uma auto-estima capaz de não se comparar com ninguém. Não, a grande maioria vai desejar conseguir coisas que os outros (para quem o foco está apontado) já tem. Eu, do alto da minha autocrítica, sei que todo esse medo ao escrever um livro novo provém de uma série de questionamentos que me imponho diariamente sobre crescer, ter uma profissão que remunere bem, conquistar meus objetivos e outras coisas. E sei que não estou sozinho. E sei, inclusive, que as histórias que eu decidi contar podem ajudar outras pessoas a também pensarem em suas próprias vidas. Aliás, poderá dizer a elas: fracassar não é exatamente um problema quando se mantém a persistência e a chama do sonho aceso dentro de si. Pelo menos hoje, se eu temo o tombo, posso te garantir que eu sou forte o bastante para me levantar novamente. Se meus personagens serão críveis, se a história será boa, se o livro vai estourar, tudo isso são perguntas que eu preciso descobrir lá na frente. Se os seus planos vão dar certo é outra coisa que apenas vivendo se descobrirá. O que nos trava é o medo, mas, quer saber, foda-se o medo. Torço pra que a cada pessoa que achar meu livro uma bosta, outras dez, cem ou mil achem ele legal. Se tem gente que fala mal até de Gabriel Garcia Marquez, quem sou eu pra querer virar o queridinho. Quem somos nós para querer fazer tudo certinho. Foda-se. Vamos viver.

[ Gustavo Lacombe ]

Deixa eu te amar?

Deixa eu te amar, faz de conta que sou o primeiro…



Não sei qual foi a merda que o último cara que passou na tua vida fez, mas ele foi um idiota. Isso é certo. Te deixou com medo de se entregar, fez com que você se fechasse e, agora, qualquer sinal que o mundo te dê de que é possível, sim, ser feliz, será prontamente ignorado. 

Eu entendi: você quer que eu desista porque seu coração ainda está machucado.  

 
Olha, me desculpa discordar de você, mas, sem falsa modéstia, quero ser a cura pra tudo de ruim que aconteceu contigo. Não vou te prometer ser um cara perfeito, mas vou me esforçar pra te mostrar que o que passou merece ser enterrado. Esquecido. Aliás, é até bom que você traga todas as lições que aprendeu. E, por favor, se eu errar ou chegar perto de fazer algo que te cause mal, me avise.  

 
Temos o problema de fazer algumas coisas e não julgarmos se vamos atingir ou não determinada pessoa. “Achamos” demais às vezes. Não quero esses mal entendidos. Não quero essa distância. Você não vê que, quando estamos longe, a saudade vem confirmar tudo isso que te digo agora? Que a falta só faz gritar mais alto o quão verdadeiro é essa vontade de estar junto? Que estamos apenas no início? Eu quero vir a ser muito, mas quero que você se dê conta disso aos poucos.  

 
Hoje, te mostro apenas a minha disposição para tudo isso. 

Eu não sei qual foi o tamanho da merda que já aprontaram contigo, mas eu vou te fazer passar uma borracha nisso tudo. Não adianta fechar ou tentar isolar o peito. O amor constrói qualquer ponte e derruba qualquer muro. Se eu pudesse te pedir apenas uma coisa, te pediria pra confiar.  

 Deixa eu te amar? 

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser adquirido aqui: http://www.bitly.com/LivroLacombe

Nunca Homem-Bomba

Não sei se é medo da vida ou da morte, mas algo parece querer me prender no dia de hoje. Fico torcendo para que os erros fiquem no passado e que o amanhã demore a chegar. Deve ser minha síndrome de Peter Pan. Crescer? Para quê? Só pra ter mais responsabilidades do que aquelas que eu já não consigo cumprir? Escolher uma profissão, ganhar dinheiro, ser o orgulho de alguém… Tempo, façamos um acordo: congela aí um pouco. Meus sonhos estão mais longe do que um simples fechar dos olhos e encontrá-los. E toda a coragem que eu tinha pra fazer alguma coisa parece canalizar pro medo de ser um fracassado. Medo que me prende, ata-me os pés e não deixa seguir para lugar nenhum. Não vou mentir e, talvez, eu nunca tenha contado nada disso para ninguém: sabe por que eu não me torno um suicida? Porque eu sou tão covarde que não tiraria minha própria vida. Eu não tenho vocação para homem-bomba. Eu prefiro ser o cara que sabe onde vai rolar uma explosão e vai lá para ser um coitado, mais uma vítima. Bancar a vítima é comigo mesmo. Logo eu, que tanto falo de sonho, decretei a morte dos meus e só enxergo breu no dia de amanhã. Enquanto mais do que o necessário de gente se preocupa comigo, eu não sei como retribuir. Poucos amigos, pouca diferença no mundo. Se fosse varrido nem perceberiam que o chão ficou mais limpo. É assim que eu me sinto. Vocação pra ser fumaça, nunca bomba. Nunca homem-bomba.

( Gustavo Lacombe )