Eu Sei Tocar Piano

Achei engraçado o que ouvi num dia desses. Um conhecido meu, depois ter sido apresentado a uma menina, voltou a estudar piano. Aí, você me pergunta o que uma coisa tem a ver com a outra. Simples. Durante a conversa entre os dois, ela disse que adorava homem que toca instrumento. Ele não se fez de besta e mandou logo um “eu sei tocar piano”. Mentira. Ele, no máximo, consegue praticar algumas escalas. Talvez uma musiquinha de Natal aqui, outra peça simples ali, mas nada de demais.

O plano? Impressionar a guria, claro.

No dia seguinte ele já tinha ligado pra professora e marcado a volta às aulas. Acabou mudando toda a sua rotina para encaixar aquelas horas na frente do velho piano de parede do pai e realmente cumprir a promessa que tinha feito à garota: um dia toco alguma coisa legal pra você. Eles passaram a se encontrar mais frequentemente e a conversa sempre voltava ao instrumento. Ela ria do jeito meio bobo dele e dizia baixando os olhos com vergonha “piano é lindo”.

Talvez seja essa disposição que esteja faltando hoje em dia com as pessoas. Mal levo em consideração o fato do cara ter exagerado ao dizer que tocava. Fala sério. O esforço dele em tornar mais que realidade aquilo que tinha dito só pra impressionar aquela garota já era algo de se bater palma. Quando os amigos perguntavam o porquê daquilo tudo, ele simplesmente ficava vermelho e guardava a resposta que tinha pra dar.

Talvez os vizinhos não tenham gostado muito daquela barulheira toda no meio da tarde. Nada é mais chato que alguém aprendendo a tocar um instrumento. Não sai nada de muito interessante dali. Só que, uns dois meses depois, ele finalmente conseguiu convencê-la a ir escutá-lo. E não foi um convite malicioso. Chamou-a pra assistir a uma aula mesmo, com direito a exercícios intermináveis e músicas sem graça levadas pela professora e ensaiadas à exaustão.

Depois da aula e da professora ir embora, ele tocou “My Funny Valentine”.

Ela conhecia, sorriu. Ele sabia daquilo, viu. Errou umas três notas, nervoso. Devolveu o sorriso. Ele sentou um pouco mais pro lado do banco e fez sinal pra ela se sentar ao seu lado. Ela veio. Se encostou. Sorriam de novo. A música acabou, mas outra coisa começou. Um beijo. Uma história. Pensou na resposta que nunca deu aos amigos, mas que sempre pensava quando eles perguntavam:

– Se vocês vissem nela o que eu vejo, não aprenderiam só um instrumento. Construiriam logo um foguete só pra mostrar como fica o coração toda vez que ela se aproxima.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
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Insensível Demais

  

 

Dizem que eu sou insensível demais. Minhas amigas chegam ao cúmulo de dizer que eu não tenho coração. Ora, claro que tenho, mas ele não é tão mole quanto o delas. Eu não sou fã de romantiquices. Quem se encostar achando que me conquista assim, com versos, flores e chocolate, ganha um sorriso e um agradecimento, mas não passa disso. 

 

Não acho que eu seja daquelas mulheres que “querem mais” ou que estejam insatisfeitas. Eu apenas sou diferente. Prefiro que façam anotações mentais e não esqueçam detalhes sobre mim, me surpreendendo ao mostrar que aprendeu algo do meu jeito, do que tentar ficar adivinhando do que gosto ou como vou reagir às situações. 

 

No fundo, quero apenas ter espaço e tempo pra poder entender o que acontece em meios aos momentos novos. Eu não corro com nada na vida. Vou atrás, mas entendo que as coisas tem um tempo e que, às vezes, damos sorte de estar no lugar certo na hora certa. O que me serve, fica. Se já não curto, peço licença. 

 

Quem me conhece chega a se assustar, mas acabam aprendendo que comigo é assim. Não é toda mulher que gosta de rosas. Me chama pra assistir um jogo meu time ou dividir um chope que eu me sinto bem mais confortável que num restaurante a luz de velas. Não que eu vá dispensar sempre coisas mais “mulherzinha”, eu só não sou assim. 

 

Aliás, uma coisa que você precisa saber sobre mim: não sou insensível, sou prática.

[ Gustavo Lacombe ]

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Livro “Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”: http://www.bitly.com/LivroLacombe

Homens Aprendam: Não se Dá Moral pra Mulher

cuidado! esse texto contem deboches e ironias!

Não se dá moral pra mulher. E aqui você pode trocar o nome que se dá a isso. Moral, condição, chance. É tudo a mesma coisa do ponto de vista em que o cara, do alto de sua condição de conquistador, decide privilegiar alguma escolhida e passa a “dar moral” a ela.

Num curto espaço de tempo ele consegue elogiar os olhos, o cheiro e posição de destaque que as mulheres vem ganhando na sociedade. Ele vale um sopro no ego daquela mulher de tal forma que acontece o efeito já constatado em várias ocasiões e eventos pelo mundo afora: ela passa a esnobar o cara. Ou, no dito popular, caga na cabeça dele.

Ser esnobado é um efeito colateral do fato de valorizar uma mulher, algo que a ciência ainda não conseguiu explicar.

Elas preferem, claramente, aquele cara que, assim como elas passam a agir com quem demonstra se importar com elas, ignora completamente a sua existência e/ou mantém por perto simplesmente para ter um plano B. O plano A é conseguir alguém para ser o plano A. Ele pode até não existir, mas qualquer coisa já se arranjou o B.

Não se dá moral pra mulher.

Até porque, se ela simplesmente aceitar o convite do cara pra jantar, ele pode criar uma expectativa errada de tudo. Vai mandar whats pros amigos dando como certo o fim da noite no motel. E não tem nada mais errado do que criar expectativa nos outros. Somos responsáveis pelo o que fazemos e pelas reações que provocamos.

Então, se perguntaria, como proceder? Bom, existem um milhão de condutas sociais possíveis. Deve-se manter sempre a discrição e deixar que o papel de conquistador seja sutil. Galã de novela, com aquela blusa apertada na balada e perfume do Free Shop que aquele primo te deu na última ida dele a Buenos Aires, mantenha sempre a pose pra não ter que explicar pros amigos que “era só uma conversa”. Que trouxa! Onde já se viu!?

Você rende a noite toda pra uma mulher, elogia, paga bebida e, no fim, ela agradece a sua companhia e diz que foi ótimo ter te conhecido ao entrar no táxi com a amiga dela, que não pegou ninguém e ficou enchendo o saco pra ir embora.

Sério, tenho pena dessas meninas que descartam os caras que dão moral e se mostram prestativos e preferem ir atrás de verdadeiros cafajestes.

Mas um dia a gente aprende.

[ Gustavo Lacombe ]

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Mulheres

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Já tive muitas, não nego. Já fui desejado, já fui conquistado. Já corri atrás, conquistei. Já vivi outros amores, outras loucuras. Já provei o gosto doce das paixões correspondidas e o amargo das desilusões. Já fui só da cama, só de amarrotar lençol. Já fui das flores. Já encontrei com outras que julguei serem caras-metade, com “destinos ambulantes”, únicas saídas e outros enganos.
 .
Já ouvi mentiras, já não acreditei em verdades. Já vi estações ao lado de uma mesma pessoa e uma única estação em abraços variados. Já conheci aquelas de arremessar vasos na parede e outras de submissão. Já fui até o inferno com uma. E, ainda assim, mesmo já tendo vivido tanto do Amor e da Paixão, nunca conheci alguém como você. Muitas em uma: a que me deseja e me conquistou.A que me fez correr atrás.
 .
Entender.
 .
Compreender mais do sentimento que cresce a cada correspondência num toque ou olhar. Quem coloca na boca o bom sabor dos beijos e deixa na alma a irrepreensível noção da verdade – nunca um simples afago na cabeça. Você, a dos lírios, das rosas, das orquídeas. Da figura fácil nos meus dias, tardes e noites. Do Verão, Outono, Inverno e Primavera de mais encanto a cada passeio de mãos dadas. Das brigas e conciliações.
 .
Você, por quem eu iria até o inferno.
Você que me deu o céu.

[ Gustavo Lacombe ]
 .

Só Vim Pra Dançar

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O ritual da conquista tem seus segredos, claro.

Aqui, não estamos falando para os caras que são bonitos desde pequenos e nunca tiveram trabalho em chegar e abordar uma mulher. Por incrível que pareça, e eu não sei que fórmula mágica é essa, existem caras que as mulheres correm atrás. Eu nunca dei essa sorte. Foi preciso experimentar o tentativa-e-erro e aprender que, mesmo um monte de caras colocando-as no mesmo pacote, cada mulher é diferente. Apesar de existirem técnicas e outras coisas absurdas para “pegar mulheres”, o mais importante é ser sociável e não fugir do seja você mesmo em clichê bem embalado.

Agora, algumas dicas podem ajudar, né? Esses são apenas alguns, mas são erros bobos que os caras cometem e perdem a mulher de cara, sem nem ao menos abrir a boca – ou no segundo seguinte ao fazer isso. Nada do que está aqui é regra, mas são algumas reclamações que já ouvi por aí da ala feminina. Esse post não tem a finalidade de transformar nenhum cara em uma máquina de abordar mulheres na noite, mas apenas ajudar na busca por encontrar alguém.

Cada cara buscando sua própria #ela. E querendo ser #ele para essa mulher especial.

Vamos aos erros mais comuns que os homens cometem ao abordar uma mulher:

1- Encaram demais.

Claro que é preciso olhar e, dependendo do lugar onde se esteja, analisar a moça. Não sejamos hipócritas: a primeira coisa que se vê é o lado de fora, a embalagem de salto 15 ou vestido curto. Então, o cara que bate o olho na menina e gosta, não deve ficar olhando com cara de lobo mau que quer devorar a Chapeuzinho. Três segundos de contato visual e decida-se. É o tempo máximo. Ou você passa a esnobá-la, já que ela sabe que você a viu, ou, então, chegue mais perto e inicie uma conversa. Só não fique parado olhando, admirando e encarando. Em pouco tempo a moça vai deixar de te considerar um cara interessante na night e vai passar a achar que você é um pervertido.

2- Chegam pegando no cabelo, encostando nas costas ou falando perto demais.

Você conseguiu chegar perto dela, rolou uma troca de olhares, mas na hora em que finalmente estão próximos para o contato físico, você encosta nela. “Tira a mão de mim”, você ouve. Ué, mas o que aconteceu?, você vai perguntar. Simples: você invadiu o espaço dela. Deixe-a à vontade o suficiente para que, depois de um tempo de conversa, você possa encostar. E não é para passar o braço em volta de cintura ou enlaçar os dedos nos cabelos. É só um saquinho bem informal como implicância ou aceitação, um pedido de licença para ver uma tatuagem escondida sob o cabelo ou coisas do tipo. E nada de segurar a cabeça dela e chegar perto do ouvido para falar. Acredite em mim quando eu digo que mais vale ela fazer um “hã?” e você repetir (aí, sim, um pouquinho mais perto) do que agarrá-la pra perguntar “você vem sempre aqui?”. Ah, uma coisa: o cabelo dela é sagrado. Cuidado ao tocá-lo.

3- Abordar uma mulher que está de costas para você.

Isso não vale apenas nesse caso, mas é um fato para ser levado para toda a vida. Você nunca aborda uma pessoa que está de costas para você. A não ser que você queira assaltá-la, assustá-la ou alguma variação disso. Pessoas que estão distraídas tendem a ficarem putas quando passam por isso. Não adianta você ter visto a mulher dos seus sonhos se, na hora de chegar nela, você dá um cutucão no ombro e ela se vira assustada e já te olha com nojo. Se você não for um cara muito pintoso e que sabe que terá que se apresentar, conversar e talvez ter a sua presença aceita ali, vai levar pra casa um toco de graça.

4- Não acreditar no que ela diz.

Homem sempre duvida quando ela diz que está acompanhada. Ou, então, quando ela diz que não quer conversar, que está só dançando, que é lésbica. Enfim, não importa o motivo, o cara sempre vai achar que é com ele. Vai achar que é culpa dele usar óculos, da roupa mal escolhida ou de qualquer outro fator externo que envolva a sua presença ali. Se ela reclamar ou esboçar que não gostou de como você chegou, pule fora. Sim, pode ser que outro chegue e não precise de muito esforço. Pode ser que o erro tenha sido contigo também, mas ela tem razão. Sempre. O cara que insiste pode até conseguir algo a mais, ou pode demorar tempo o bastante para o namorado dela (aquele que ela jurou que tinha) voltar do banheiro e te provar que ela não era mentirosa.

5- Chegar “chegando”.

Isso é mais do que colocar a mão na cintura dela, pegar o cabelo (essa é a pior) ou coisas do tipo para chegar mais perto. Aqui, o cara agarra, força um beijo e ganha, sempre de graça, alguns arranhões, os olhares da festa perguntando quem é o imbecil e mais um “não”. Tirando micareta (onde não se precisa de muito papo mesmo), qualquer lugar vai exigir um mínimo de conversa. E se você não se garante na hora de abrir a boca, aí é outro problema, mas segurar à força uma mulher e tentar beijá-la desse modo nunca dará certo. Mesmo.

6- Falar Errado.

Aqui vou englobar dois tipos de “falar errado”. O primeiro é a concordância, é não saber que “mim” não conjuga verbo, é dizer “Framengo”, “nós vai”, “a gente estamos só bebendo um whiskyzinho de leve”. Sério, você mata qualquer chance com uma garota quando maltrata o português. Já o outro tipo é bem simples: cantadas velhas, baratas e mais gastas que as chinelas da minha avó. Entenda que amor à primeira vista na balada é raro, que não importa se ela vai sempre ali – mas o fato de que ela está ali naquele momento -, “boa noite” sem fundo nenhum de educação não vai fazer ela parar e te dar atenção. E usar gírias também pode ser um tiro no pé, tá ligado?

7- Sobre Cheiros

Feder a cigarro pode não ser culpa sua, mas se não tiver um perfuminho por baixo daquilo tudo fica difícil. Às vezes, o próprio ambiente vira uma mistura de odores que ninguém mais sabe quem passou o que, mas quando se chega perto se nota quem teve o trabalho de valorizar essa parte. Condeno o hábito de fumar por ser nocivo à saúde e ainda bem que é proibido fazê-lo em boates e locais fechados, mas não se consegue escapar da fumaça dele em certos momentos. Usar seu melhor perfume não é apenas para você, mas é bom para as pessoas que te cercam e que vão gostar de estar ao lado de quem se preocupa em não estar fedendo. Acredite: elas sentem seu cheiro quando você chega perto, e um cara perfumado pode sempre ganhar pontos extras.

8- Último biscoito do pacote.

Ele é foda. Os amigos dele o acham foda. As amigas dele já ficaram e o acham foda. A família dele colocou um busto na sala para se lembrar do quanto ele é foda. Ele tem um pôster na parede do quarto, o colégio era seu reino, a faculdade é seu habitat natural e a camisa que ele escolheu pra sair hoje está perfeitamente marcando a silhueta do corpo bem trabalhado na academia. A carteira, quase saindo do bolso de tanto dinheiro, e o copo convivem em perfeita sintonia. Uma abre e o outro entorna na mesma velocidade. O cara é foda. Aí, ele vê a menina, conversa com ela, fala disso tudo, mostra isso tudo e, por fim, leva um “não”. É, amigo, nem tudo é aparência, dinheiro ou status. Existem milhares de caras como você que podem oferecer até mais, só que não se vangloriam do que tem e nem do que são. Aliás, alguns não tem metade do que você tem e podem estar longe de ter o seu prestígio, mas são mais humildes e tem mais caráter. Por fim, são mais homens que você. Esses, sim, podem ser o último biscoito do pacote. Mas – outro segredo – eles não sabem disso nem fazem questão de encarnar esse tipo.

 

Desconfio!

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Queria muito entender o que está acontecendo. Como assim com quem? Com o meu marido, claro! Ele tem agido estranho e eu estou ficando cada vez mais preocupada. Meu medo é que isso não tenha volta e ele só piore. Não sei o que faria… Amiga, eu quero meu homem de volta! Cansei dessa versão nova, dessa atualização que fizeram na cabeça dele.

Dá pra restaurar o sistema?

Prioridade na lista é entender de onde surgiu aquele buquê que tá lá na sala. Você viu, né? Duas dúzias de rosas vermelhas. Dúzias. Duas. E eu amo rosas vermelhas. Você sabe há quanto tempo ele não me dava rosas vermelhas? Os meninos eram pequenos ainda. E, pra complicar, foi depois de uma briga. Depois disso nem uma florzinha roubada do cemitério ele me deu.

Tem alguma coisa errada. Quer saber há quanto tempo a gente não briga? Três meses. E olha que você se acostumou a me ouvir falar de algo que ele fez de errado, uma brincadeira fora de hora, um comentário maldoso sobre um parente, um conhecido. Ele parece ter ficado em paz com tudo e todos.

Acredita que nem mais a toalha em cima da cama ele deixa? Nem aquela mania de abrir a geladeira “pra pensar” ele tem mais.

Claro que de tempos em tempos ele melhorava, mas ele vivia de fase. A gente tá há um bom tempo junto, mas sempre tivemos nossas rusgas, braguilhas, picuinhas. Depois que a gente casou e a convivência de verdade entrou em cena, esse é o período mais longo sem nenhum stress. Tá estranho. É o velho ditado “quando a esmola é demais…”. Quê? Você adoraria que seu marido tivesse assim? Duvido.

Não tem um futebol que bata de frente com a novela, não tem um amigo bêbado que chame pra um programa e ele desmarque comigo, não tem um dia que ele chegue tarde em casa depois do trabalho, não tem um pedido meu que seja negado. Ele tá alegremente chato. Das duas uma: ou esse cara ganhou na mega-sena e não quer me dizer, ou ele arrumou outra.

Acredita que até a mãe dele já me ligou dizendo que ele está mudado?

Deve estar mesmo é arrastando a asa pra alguma sirigaita do escritório. Eu sei que seu marido trabalha com ele, amiga… Sei, também, que ele agora colocou um porta-retrato novo nosso na mesa dele. Vi pela foto do instagram que ele compartilhou. Só que isso de mostrar que está feliz é só pra atrair atenção da mulherada. Elas caem matando ao ver um cara bem casado e tranquilo no lar! Eu sei!

E você não sabe da maior!

Agora, todo dia à noite, ele vem roçando aquela perna, mostrando o corpo mais magro depois da academia e dizendo que eu sou um tesão e que quer fazer amor comigo. Vê se pode, cara! Eu estou cinco quilos acima do peso! CIN-CO QUI-LOS! Como ele tem tesão em mim!? Inexplicável…

Tem alguma coisa aí. Ah, tem! Eu sei que tem. E eu juro que vou descobrir!

(Gustavo Lacombe)

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Rabo de Cavalo

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Eu gosto de você de rabo de cavalo.

E, também, depois que acorda, sem maquiagem, com uma lágrima de felicidade, com o corte do dedo na boca, procurando a chave na bolsa, de chinelo, dormindo no meio do filme, chorando no meio do filme, tropeçando e me segurando pra não cair, com cara de quem não entendeu, com raivinha porque a unha quebrou, porque o cabelo não tá em um dia bom, cantando no chuveiro mesmo desafinada, tentando tocar o meu violão, de madrugada com sono, meio alegre depois de um drink, meio inconformada com o final da novela, chateada com o meu futebol, lambuzada do brigadeiro que fez pra gente, respondendo a mensagem faltando palavra porque tá com atenção em outra coisa, demorando pra se arrumar porque está ficando linda pra gente sair, sem saber que roupa vestir, dizendo que o sapato da outra menina é horroroso, comendo sanduíche e manchando a roupa, comendo sushi e sujando de shoyo, dizendo que tá gorda na frente do espelho e sabendo que tá bem, fazendo cara de assustada quando te pego de repente e te chamo gostosa, quando reclama que não abri a porta do carro pra você, quando diz que não precisa abrir a porta pra você, quando bota aquele pijama sexy, quando reclama que eu não escrevo mais pra você, cortando tomate pra fazer vinagrete, queimando o pão de queijo de domingo, falando pra eu ficar quando vou embora, vindo conversar comigo depois de brigar com seus pais, contando suas viagens, seus sonhos, seus desejos, pedindo pra eu cantar pra você, deitando na cama pra colocar uma calça que entraria facilmente com você em pé, concentrada se maquiando, reclamando que eu não te ligo, cobrando atenção, dormindo de conchinha comigo, sonhando comigo, acordando comigo.

Eu gosto muito de você de rabo de cavalo.

(Gustavo Lacombe)

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Forma e Conteúdo

A primeira coisa que eu vi foi o vestido curto. Sério, quem não olharia para aquelas pernas sem perder uns três segundos descendo e subindo por toda a sua extensão? Sei lá quanto tinha. Um metro? Um metro e vinte? Sei que era grande, cara. Um amigo meu me deu um cutucão e mandou:

– Ia fácil nela.

Claro, ela tava fácil também. Pelo menos parecia. A menina era bonita. Inegavelmente bonita. Salto alto, maquiagem e atraindo todos os olhares da boate pra ela. Entretanto, o que era aquilo tudo se não uma casca? Uma embalagem para presente (sabe-se lá pra quem) que não se sabe o que guarda dentro.

E o conteúdo?

Não se julga ninguém pela aparência, mas existe um ditado que diz “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. O que isso quer dizer? Que muitas vezes a forma de nos portarmos, vestirmos e falarmos traduz como sentimos e o que somos.

Contudo, não se pode levar sempre isso ao pé da letra. A menina, por mais curta que fosse sua roupa, não pedia pra ser chamada de “puta” ou, muito menos, para ser assediada, forçada a fazer o que não queria e estuprada. É feio pensar “ela não se dá ao respeito, ela pediu”. Não, cara, ninguém pede nada.

Se ela gosta de se vestir assim, o problema é dela.

Até que se conheça a pessoa você não pode julgar os valores dela. Depois que a conhece, você não deve. Quem tem o poder de julgar os outros assim? Não é você. O que acontece hoje é que a atração está pautada invariavelmente no que primeiro chega aos olhos. O físico está exposto. Isso tem contado muito mais do que o intelecto.

Cabe a cada um dizer o que atrai mais. Ser apenas uma embalagem é de bom tamanho? É preciso ter conteúdo? Uma boa conversa pode ser mais excitante que uma calcinha marcando a roupa? A inteligência se sobrepõe ao carro e a carteira cheia? Não é todo dia que a gente sai afim de encontrar alguém pra conversar. E nem sempre se quer alguém só pra saciar a vontade do corpo.

A questão é muito maior do que a simples vontade que dá.

Eu não tenho pena das pessoas consideradas feias ou fora dos padrões da moda. Elas ainda se viram. Elas tem suas armas e tentam, jogam e vão à luta. Seja pelo amor, pela saciedade ou qualquer outra coisa. Tenho pena, na verdade, é das pessoas que acham que só o exterior conta.

Sou daqueles que até podem ser atraídos pela beleza, mas que só se convencem de que alguém é realmente bonito depois de conhecer o conteúdo.
E não é o do vestido.

(Gustavo Lacombe)

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Amar: verbo sentido direto no peito.

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Amar: verbo sentido direto no peito.

É conjugado pela presença de certas pessoas que tirariam o sentido do mundo se não existissem.

Não aceita objetos, apesar de sempre gostar de um agradinho, um presente.

Falado por muitos, é demonstrado por poucos, sendo um verbo verdadeiramente em extinção.

Por vezes é confundido com outros, mas sua associação com amizade é válida.

Gostar e adorar são comumente usados em seu lugar quando se quer esconder sua raiz mais funda no peito.

Sinônimo é meu olhar encontrando o dela. Aí, verbetes e definições não são mais precisos.

Os corações conjugam o amor na recíproca.

( Gustavo Lacombe )

Eu me Rendo

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Não faça caras e bocas porque eu sei os motivos que você as usa. Vem com esse jeito manso, falando baixinho e, quando dou conta de mim, já estou pedindo involuntariamente “usa e me abusa”. Acha que esse par de pernas de fora e um sorriso enlaçante serão suficientes para amarrar meu coração desconfiante? Acha que é fácil chegar só com carinho, agradando meus ouvidos e levando o que quer?

Se você acha que sim, eu me rendo. É assim mesmo que é.

Achei até que não era comigo. Não sei de onde eu tirei essa sorte de você bater olho e querer descobrir quem era aquele menino. É claro que eu já te notava, já ensaiava palavras, mas nada demais. Lembro da ligação, de ficar mudo e não ficar mais em paz. Duplo sentido nas suas orações, e eu nas minhas só pedindo haver uma saída. Algum caminho que não me fizesse presa tão abatida.

Cerco apertado, corda no pescoço. Fico olhando pro lado só pra tentar disfarçar o nervoso. Quem para e segura uma mulher quando vem decidida, quando sabe o que quer? Quem fica na frente quando ela vem quente e, dura na queda, não desiste se ouve um “não”? Coração bandido, ou mata o desejo ou morre num beijo, mas é sempre certeiro o tiro.

Já pressinto o afogamento por beijos molhados e o asfixiamento por abraços apertados. Já sei que todas as armas estão sendo usadas. Você brota na minha na frente, mais uma vez, toda arrumada. Cadê minha fala, pelo amor de Deus!? Dissimulada, faz de conta que não tá fazendo nada. Ainda tem a maldade de perguntar “o que é que eu fiz?”.

Quer saber?, faça o que quiser eu me rendo, mas me faça feliz.

(Gustavo Lacombe)