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Não Tente Carregar o Peso do Mundo

Chega uma hora que começamos a acumular o peso de um mundo inteiro nas nossas costas. O nosso e o das pessoas que nos cercam. O nosso e das pessoas que amamos. Queremos resolver tudo, abraçar tudo, corrigir tudo, ter controle de tudo. Queremos colocar pingos nos is, saber momentos ideais para apostar, recuar, dizer, investir, falar. Queremos saber, antever, reaver. Queremos muito e, pra variar, sempre queremos pra ontem. Até que alguma coisa acontece e tudo aquilo que fomos empilhando no nosso colo cai. Vemos, com a obviedade de tudo isso, que é impossível querer carregar tanto. Ter o controle de tudo. Querer dominar e calcular a exatidão dos passos. Dá um “tilt”, uma coisa ruim no peito e um nó na cabeça. Vem a frustração, vem a culpa, vem a raiva. Vem um sentimento de impotência e é nessa hora que a gente olha pro lado e vê alguém se dando bem e parecendo acumular dez vezes mais funções do que nós mesmos acumulávamos antes de “quebrar”. Nos comparamos. Causamos o pior dos efeitos em nós mesmos buscando uma saída que, na verdade, é apenas o poço criando mais fundura. Dá vontade de rasurar a vida. Chega uma hora que dá vontade de resetar as emoções e recomeçar, como se tudo passado pudesse estar em branco – mas não podemos. E talvez seja essa hora a melhor hora para nos abraçarmos, olharmos com carinho pra nossa vida e pararmos de nos culpar. É impossível conseguir carregar tudo, resolver coisas para todos e seguir um caminho sabendo do todo. É inevitável se machucar, é preciso se curar. É foda sentir a dor de uma sacanagem, mas é bom demais apostar no Amor e acertar. É preciso parar de fazer cafuné na culpa como se ela já fosse de estimação porque, na real, limpar a nossa consciência e conseguir pedir desculpa aos outros e dar o perdão a nós mesmos são passos que nos fazem conseguir seguir. Chega uma hora, enfim, que a gente apenas leva o que é suficiente para nos fazer bem. Sem precisar de todos, de tudo. O extraordinário pode até seduzir, mas o realmente necessário é o que nos satisfaz.

[ Gustavo Lacombe ]

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O Amor Move o Mundo

O Amor move o Mundo.

Pelo menos o meu mundo é movido pelo Amor. Ele que me dá forças para levantar da cama e me faz querer dormir para descansar e, no dia seguinte, continuar a caminhada. Amor aos sonhos, aos projetos, a tudo que faço e sei que ainda devo realizar. Um sentimento que me aquece a alma e me faz persistir, resistir, querer evoluir.

Se é fácil lidar com ele? Fácil é, o problema é que nem todo dia é bom. Acho que falta as pessoas admitirem isso para elas mesmo. Nem todo dia será levado com um sorriso no rosto e a certeza da vitória. Pode ser muito lindo o discurso de “você precisa ser grato!”, mas não é simples. Em alguns momentos eu quero jogar tudo pro alto, ligar o “foda-se” e sucumbir.

Até que penso em como será a minha vida sem fazer o que eu faço.

Acho que eu poderia ser qualquer outra coisa. Poderia ser médico, engenheiro, professor de educação física, dono de uma loja de roupas importadas da Bolívia, vendedor de sanduíche na praia em parceria com a minha Avó, ou qualquer outra coisa. Só que escolhi escrever. Escolhi sentar na frente do cursor piscando e da folha em branco e ficar matutando o que seria despejado ali.

Criatividade ou suor, só eu sei o quanto sangro pra fazer isso. Ou quanto entrego de mim. E quanto isso me preenche. E como eu nada seria se não tivesse a escrita. Se não fossem as palavras. E isso, sim, é o Amor que eu sinto pelo que eu faço. Amor que é retroalimentado pelo sentimento que carrego por quem me cerca – e isso vale para todos, até quem eu não conheço, mas que de certa forma é impactado todos os dias pelo que eu faço.

Eu poderia ser o que for e, quer saber, sendo escritor eu posso ser qualquer coisa através dos meus personagens.

É essa empatia que eu busco sempre. Aprendi a escrever mais sensações do que características mais palpáveis. Ah, e isso foi uma das maiores lições que aprendi com o sentimento. O Amor não é cego, ele só não tem olhos carregados de pré-julgamentos como certas pessoas. Ele sabe bem onde encontrar suas razões para amar e, não raramente, esquece de nos explicar. Dane-se, ele diz. Para se amar não é necessário longas explicações, apenas sorrisos sinceros.

E é esse mesmo Amor que move o Mundo. Que faz pessoas ignorarem distâncias, passarem borrachas em passados e seguirem firmes naquilo que acreditam. Que define segundas chances, horas de partir e momentos certos (ainda que precipitados ou com algum tipo de medo). Que nos diz quando cair de cabeça ou recuar um pouco. Que está (ou deveria estar) em tudo.

Por fim, sei que não sentimos exatamente da mesma maneira, mas chegamos perto quando tentamos resumir tudo em palavras. Os “depende” da Vida são fornecidos pelas circunstancias em que nos encontramos e que definem nossas ações, mas que acabam apenas contribuindo para que voltemos na afirmação inicial.

E sem Amor nós nada seríamos.

Torço para que todos descubram o que amam. E amem sem medo algum de serem feliz.

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Não tente impedir, o Mundo continuará girando.

Não adianta você querer impedir o Mundo de girar. Por mais desejo que você tenha de parar o tempo ou de não conhecer o que se esconde logo à frente, ele nunca irá parar. E, eu sei, talvez demore até que consigamos aceitar que certas coisas não são para acontecer, certos sonhos seguirão sendo sonhos, e que certas pessoas apenas passarão por nós. Nada é, apenas está. Está de passagem, está de acordo, está pronto. Não está na hora, não está sendo, não está definido. Entender o caráter transitório da Vida é primordial para não se machucar tanto à tôa. Estamos sempre criando expectativas, renovando as esperanças e nunca direi que isso é errado. Atento apenas para o fato de que nem sempre as coisas saem como queremos. Longe de assumir um caráter conformista, sou apenas mais um que tenta dizer o quanto é doloroso insistir no que não quer ficar, no que não é pra ser. Torço do fundo do meu coração que a sua força seja exemplo e que toda a sua determinação seja retribuída com realizações. Entretanto, te peço olhos bem abertos e intuição apurada para o movimento natural que o Mundo tem de não deixar nada no seu lugar por tanto tempo assim. Digo sempre que é preciso abraçar o que disser “sim” para nós e vier para somar, e acenar o maior “não” para o que apenas perturba nosso juízo e nada nos acrescenta. Nessas tantas voltas que testemunhamos, ficamos com aquilo que nos afrouxa o riso, alivia o espírito e enobrece o coração. E o resto que fique pelo caminho, esquecido nos giros que o Mundo deu.

[ Gustavo Lacombe ]

Meus livros, “O Amor é Para os Raros” e “Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, podem ser encontrados aqui:
bit.do/Lacombe