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Todo Amor

[Você pode ler este texto ouvindo “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” – Cazuza]

A rede embala o que pra muitos é mentira. O Amor, tão mal falado e tão gasto, escorre pelos dedos que se entrelaçam e pelas pernas que se embolam. O vento que abraça os corpos poderia ser como aquele que esculpe formas em pedras, tão imóveis quanto nossos olhos agora repousados um no outro. Até que você os fecha, chega perto, me arrepia inteiro. Ainda não me dei conta do que está acontecendo, mas meu sistema nervoso central já sabe e dispara o sangue para onde deve. O movimento seguinte é rápido, mas é o necessário pra me fazer sentir seus peitos contra mim, tua respiração se apressar e teu peso se precipitar sobre mim. E é aí que te ouço dizer “a casa tá cheia, vem comigo”. Lá vamos nós. Eu já acostumei a te seguir sem perguntar muito. O sentimento faz essas coisas. Te prega peças algumas vezes, mas eu tenho o feeling atento. A maior roubada que você já me meteu foi naquela loucura dentro do cinema. O que poderia acontecer hoje? Me vejo, então, em pé no banheiro, semi-nu, você liga a água e eu digo baixinho “é a suíte dos seus pais!”. Foda-se, você responde. Eu achava que tinha sossegado contigo, mas agora entendo que a aventura na verdade é o próprio ato de amar contigo. E ali, mais uma vez, eu confirmo que o sexo por sexo pode até ser bom, mas quando se deixa misturar com o Amor… é foda. O vidro embaça, o gosto da tua boca me inebria mordo a fruta. Se alguém bate na porta, a gente não ouve. Se alguém reclama, a gente não se importa. Sou teu pão, tua comida, e confesso que amo essa rotina doida que a cada dia vira mais poesia.

[ Gustavo Lacombe ]

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O Amor Aceita Tudo

O Amor aceita tudo. Aceita que pessoas completamente diferentes podem se encontrar e dar um jeito para ficarem juntas. Aquelas pessoas que as outras pessoas olham meio torto, sabe?, sem entender como que elas estão construindo algo. Pois bem, o Amor as aceita assim como elas são e elas, sabendo da limitação de cada um, apostam no que podem ser. Juntos. O Amor aceita que gente completamente parecida, com gênios fortes parecidos, com personalidades fortes parecidas, com indecisões parecidas, tenham um relacionamento gostoso. Mesmo que elas briguem muito, que volta e meia entrem numa discussão exatamente pelo caráter muito similar que cada uma tem. O Amor as aceita, abre os braços e segue firme a sua caminhada. O Amor aceita que você ame alguém sem recíproca. Sendo genuíno, uma hora ele entende que deve continuar sua trajetória e passa a desejar com toda a sua força o bem daquela pessoa que se amou. É claro que seria muito melhor que o sentimento fosse correspondido, mas não sendo, o Amor deseja sorte – para quem vai, para quem fica e para o próximo encontro. O Amor até aceita que alguém brinque com ele. Desperdice-o. Aceita que o outro teve a coragem de exercer o seu livre arbítrio e fez uma escolha. Machucou? Sim, mas nem por isso ele nega o que houve. Aceita que houve um erro e decide se quer ficar ou não, decide se perdoa ou não (que no final acabam sendo coisas diferentes). O Amor ainda aceita que você seja covarde. Que você não se declare. Que perca a oportunidade. Aceita, acolhe o teu sentimento, mas se sente livre para mudar pra um arrependimento ou, pior, a ir embora. Veja bem, a frase “o Amor aceita tudo” já passou da hora de ser ressignificada. Chegou o momento de valorizar o que realmente importa e, ainda que se fique triste, que a dor não defina nossos próximos passos. O Amor que aceita tudo é o mesmo que sabe das voltas que o Mundo dá e da Lei do Retorno. Ele não esperneia por quem não quer ficar, mas para quem o trata bem ele abre seus braços e transforma uma vida em lar.

( Gustavo Lacombe )

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Ela Se Jogou da Janela do Quinto Andar

Ela acordou assustada. O sangue que manchava o lençol não estava ali na noite anterior. Procurou algum corte, uma ferida. Nada encontrou. Tentou se mexer mais um pouco, mas a dor de cabeça a atingiu com tudo. Estava de ressaca. Sentia na boca a remanescência daquele gosto de energético com vodka. Parecia a morte. Enxergou algo no chão, jogado. Mal pôde acreditar quando ligou todos os pontos: era uma camisinha, o sangue teria vindo da sua virgindade, alguém a estuprou na noite passada. Alguém que ainda estava ali.

Olhou pro lado e viu o namorado.

Quis gritar, mas só conseguiu mesmo se levantar e caminhar com dificuldade até a cozinha. Sentia-se um lixo. Sentiu-se como a mulher mais usada de todo o planeta. Sentiu a dor que subia do meio de suas pernas e tinha certeza de que havia lutado contra. Não que ela não quisesse experimentar o sexo. Já tinha até conversado com o namorado sobre isso. Só queria esperar mais um pouco. Ter certeza. E sabia que, na noite passada, essa era uma convicção que ainda não tinha. Virou a garrafa inteira de água. Molhou o chão, sem se importar.

Decidiu tomar um banho. Ligou a água quente e, sem se importar com o barulho do chuveiro, lavou-se. Esfregou-se. Quase ficou em carne viva. Sentia uma espécie de podridão na alma. Sentia-se contaminada por um vírus. Sentia-se suja demais para ficar limpa com algum sabonete de pH neutro. Chorava copiosamente. Chorava por saber que a pessoa que amava e dizia amá-la de volta tinha sido capaz de cometer o maior crime contra ela. Preferia ter uma bala na cabeça do que passar por aquilo.

Correu no quarto do pai, que viajava na ocasião. Ainda notou que o seu agressor dormia profundamente. Abriu as gavetas, procurou a arma que sabia estar escondida ali. Pensou, sim, em dar cabo da própria Vida. Viveu um dilema existencial dentro de si. Tinha sido criada como uma menina forte, que aprendeu a lutar pelos seus direitos e que não se calava diante de algo ruim. Só que aquilo era pior. Era o Inferno do Inferno. Alguém tinha sugado toda a sua força e coragem para seguir. Morrer parecia a única saída.

Num impulso, correu pra varanda.

Passou uma perna pela grade. Inflou o peito, pensou não ter mais jeito, mas antes de passar a outra metade do corpo, viu a vizinha olhando consternada. Em choque. Mirando sem acreditar no que via. Ela travou. A vizinha saiu correndo, bateu na porta do apartamento e se desesperou ao constatar que estava trancada. A menina, ainda sem saber o que fazer, sentou-se na grade e sentiu o vento no rosto. Imaginou quantas outras garotas não teriam passado por aquilo. Pensou em quantas vozes se calaram sem poder gritar ao Mundo sua dor.

Tentou voltar. A mão escorregou. A perna enganchou numa das grades e ela ficou pendurada. Gritou. Sentiu o pé arder numa dor lancinante e viu que tinha torcido algo ali. O joelho formigou. A grade parecia querer ceder. Ela viu que não teria jeito. Outros vizinhos viram a cena e se desesperaram. Gritaram mais alto ainda. Até que ela sentiu uma mão a puxar. Algum anjo teria sido enviado. Um Salvador. Não, era o próprio namorado, ainda meio bêbado. Caíram no chão, abraçados. Salvos. Ele a apertou. Ela chorou.

“Você ficou doida!?”, ele perguntou.

“Nunca mais encoste em mim”, disse. Ele não entendeu direito. As batidas na porta continuavam. Ela abriu. Encontrou a vizinha, o porteiro e o síndico ali esperando. Se escondeu atrás deles, apontou pro garoto que vinha na sua direção e, finalmente, conseguiu gritar. O grito que não saiu no banho, que não saiu na varanda, que não tinha saído da garganta de milhares de meninas que descobrem ter ao seu lado verdadeiros monstros. Pediu a polícia, o Pai, o Papa. Qualquer um. Só não queria ficar ali.

E enquanto era contida pelos moradores, berrava na cara do sujeito que a tinha violado o absurdo acontecido na noite passada. Agradeceu a Deus por não ter se jogado. Ela já tinha morrido, não poderia fazê-lo de novo. E já havia decidido, entre aqueles minutos turbulentos da manhã, que a sua voz não iria se calar.

E continuou gritando até a polícia chegar.

[ Gustavo Lacombe ]

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Eu Fui Além de Todos os Meus Limites

Eu me entreguei sem pedir nada em troca. Só por você mesmo. Só para fechar os olhos e viver algo que julgava poder ser inesquecível. Estaria mentindo, porém, se não dissesse nada sobre a minha esperança. A que eu acabei cultivando falava no meu ouvido sobre a possibilidade de você realizar que eu era a certa, a que se doava, a que te queria e a que fazia todas as loucuras pra te ver feliz. Não apenas na cama.

Qualquer uma pode se dar desse jeito.

Eu te dei mais. E nunca te cobrei. Só eu sei os limites que ultrapassei pra isso. Talvez agora tudo que digo soe como cobrança, mas não é. É apenas a minha consciência acertando as contas com o meu próprio coração. Desculpa te envolver nesse processo, então. Se eu tentei ser de todas as formas a mulher ideal pra te abrir sorrisos sinceros e colorir a tua Vida, a responsabilidade é inteiramente minha.

Não estava nos meus planos me apaixonar, mas não sou dessas pessoas que sufoca o que sente e cria as chances de se ressentir no futuro. Eu até posso me machucar, mas eu vou até consigo suportar. Até aqui. Até essa linha tênue entre continuar insistindo com essa minha esperança boba ou aceitar de vez que a gente nunca terá nada e que preciso aceitar o tanto que você me dá.

O pouco que você dá.

Não quero, contudo, atirar na sua cara que o carinho é besteira. Não é. O que faz diferença pra mim é a intensidade. Eu já não consigo chamar teu nome no escuro e torcer pra que você acenda a luz e me encontre. E se você quer continuar brincando de cabra-cega, desculpa, mas não é isso que quero. Talvez seja apenas uma falta de sintonia.

Talvez seja eu estragando o que conseguimos levar de forma tão leve até agora. Talvez seja exatamente isso: eu querendo algo que me prenda, você desejando continuar a voar. Eu posso até ter tentado ser a Ideal, mas certamente não sou a mulher que você quer ter agora.

[ Gustavo Lacombe ]

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Ela tem Mania de Acender Estrelas Quando Sorri

Ela reclama de alguma coisa – pra variar – e eu sorrio. Fico bobo olhando aquela cara nervosinha e ela me xinga. Isso eu ouço. Rio um pouco mais. E ela detesta quando está falando algo sério e fico assim. Digo que passo um tempo admirando a boca dela. Delícia de boca.

Sou apaixonado pelos detalhes.

Tipo quando ela fica vermelha na parte do colo ao colocar uma blusa de alcinha e pegar um pouco de sol. Ou, então, quando ela está em casa e senta de pernas cruzadas na cadeira enquanto come algo e me repreende dizendo que segurar o garfo na mão esquerda é que é o certo. Ou, ainda, quando fica fugindo da água quando a gente toma banho juntos e diz que só vai lavar a cabeça no dia seguinte. É isso.

Quer dizer, tem muito mais, eu sei, mas já dá pra ter uma noção. São essas coisinhas miúdas que compõe esse ser tão complexo que me encantam. Se você me perguntar se eu faço tudo certo com ela, vou ser obrigado a dizer que erro sim. Perfeição nunca foi o meu forte. Eu juro que tento.

Observo onde ela me chama atenção, onde falho e procuro não errar nas mesmas coisas – cometo apenas erros novos. Ela pergunta se nunca vou aprender a decifrar alguns sinais que me dá. E eu confesso que sou um mal aluno em alguns quesitos. Digo “certas coisas nunca conseguirei aprender. Pendurar a toalha depois do banho e deixar te amar, por exemplo”.

E ela sorri.

Não o sorriso que ela usa para as notícias boas, para uma surpresa ou quando encontra algum conhecido na rua. Ela tem vários tipo de sorriso, aliás. Mas usa, sim, um sorriso que ela guarda só pra me dar. Ela tem mania de acender estrelas quando sorri.

E, em mim, acende uma constelação inteira.

[ Gustavo Lacombe ]

 

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Você Será a Eterna “Outra”

Peraí, eu acho que não entendi direito. Você ama alguém que diz amar outra pessoa que diz amá-la também e que não tem noção alguma do que acontece, sendo que ele tem noção exata da merda que faz e você sabe o tamanho da encrenca em que se meteu. É por aí? Ou eu perdi algum detalhe?
 
Se você me disser que ela sabe desse rolo todo, vou brincar dizendo que é pra chamá-la pra um ménage, mas eu ainda tô me decidindo se fico chocado com a situação toda ou se dou na sua cara pra você tomar um pouco de juízo. Em ambos os casos eu apenas espero que você entenda a sinuca de bico em que está seu coração.

Você ainda tem um, certo?

Pode ser que eu esteja sendo um pouco duro contigo, eu sei. É que eu não consigo entender algumas coisas nessa história. Você se submete a ser a outra, me diz que isso já acontece há algum tempo, diz que ele teve outras namoradas durante esse período e ainda acredita que ele pode gostar de você. Não, ele não gosta.

Detesto ter que ser o cara que coloca os pés de alguém no chão, que corta os balõezinhos de felicidade ou dá esse choque de realidade, mas alguém que ser o filha da puta da parada. Alguém precisa fazer o trabalho sujo, entende? E eu prefiro tentar te fazer sacar isso tudo antes que a merda fique maior. Antes que alguém se machuque feio nessa história. Antes que você comece a criar esperanças de não ser mais a outra.

Você não tem, né? Só faltava essa.

Até porque, parece que está bem certo que você será a eterna “outra”. Ele não gosta de você, ele gosta da sua disponibilidade em atendê-lo quando ele precisa. Tá, ele pode gostar de você sim, mas nunca será o suficiente para te promover – se é que a gente pode falar assim. Eu mandaria você pular fora, só que você fala até que “ama”.

E quando se coloca o coração no meio, pode jogar fora qualquer conselho.
Qualquer tentativa de ajuda é inútil.

[ Gustavo Lacombe ]

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Quando Eu Decidi Te Pedir Pra Ficar

Eu decidi te pedir em namoro quando eu senti mais medo de te perder pra outro do que a vontade de conhecer uma nova pessoa. Quando todo perfume que cruzava comigo pela rua me fazia lembrar do teu por mais diferente que fosse, só porque era o seu o que eu queria sentir. Quando todas as músicas começaram a parecer querer descrever cenas, momentos e lances de nós dois em detalhes, refrães e afins. Quando eu passei a sentir um certo cansaço em explicar que estávamos apenas nos conhecendo e me peguei sorrindo com a ideia de ter ao meu lado como par. Quando já não conseguia associar mais coisas básicas a um programa solitário e, então, praia, cinema, parque e açaí só seriam completos com você. Quando eu passei a achar que seu nome tinha alguns sinônimos como “carinho”, “sorriso” e “sonho”. Quando uma pontinha de ciúme – algo que eu quase nunca sinto – me beliscou num domingo qualquer em que decidimos falar sobre coisas do passado e eu já queria colecionar histórias contigo. Quando passei a fazer mais meio saco de pão de queijo porque sabia que você iria lá pra casa assistir série comigo e adorava comê-los concentrada na televisão. Quando minha mãe começou a perguntar pela “norinha” dela. Quando eu passei a imaginar que toda foto de casal de mãos dadas na internet poderia ser a gente. Quando meu irmão me disse “game over”. Quando você me olhou bem fundo e a única coisa que eu soube dizer foi “eu preciso de você”. Quando você respondeu “e eu preciso de você mais ainda”. E o mais engraçado disso tudo é que quando eu decidi te pedir em namoro foi no exato instante em que eu mais tive o maior receio de não conseguir te fazer feliz porque sabia que ser feliz era o mínimo que você merecia. Mesmo assim, morrendo de medo e quase não acreditando que depois de tanto tempo estava prestes a me jogar de novo, fiz o pedido.

Sim, enfim.

[ Gustavo Lacombe ]

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Eu vou te amar pra sempre.

Eu vou te amar pra sempre. Talvez você não entenda isso agora, mas quando nós dois formos velhinhos e você olhar aquele nosso retrato junto. Vai se lembrar do cara que tentava te fazer sorrir, mas que acabou te fazendo chorar também. Vai recordar alguns erros meus e tentar lembrar porque não demos certo. Talvez, ali, vai sorrir ao imaginar que num Universo paralelo nós poderíamos estar juntos.
Longe demais um do outro agora.
Sabe lá se você ainda vai ter alguma notícia minha. Provavelmente, não. Serei um memória apenas. Memória daquelas que você vai esperar suas netas crescerem para contar a elas todas as loucuras que cometemos enquanto estivemos juntos. Inclusive a vez que você achou que tivesse grávida, mas era só um alarme falso.
Sei que estarei em outros momentos também. Talvez quando você ouvir chamando o meu nome, mas que obviamente é de outra pessoa. Ou, então, quando estiver numa daquelas lojas de suco e ver no cardápio o meu favorito. Os meus favoritos. Lembrar que eu amava tomar açaí e que mal dividia com as pessoas. Vai lembrar. E, pode apostar, eu ainda vou estar te amando nesse dia.
Porque o amor não se vai dessa maneira que muitos pensam. Ele não some, não pede as contas e se muda. Não deixa uma carta e desaparece. Ele se torna inquilino eterno de nós. E você vai saber, não sei de que jeito, mas saberá, que eu ainda estarei com esse sentimento no meu peito ao recordar o que fomos.
Se éramos algo tão bom, você se perguntará, por que então tivemos que viver aquele desfecho? Talvez você chore. De novo. Talvez você recorde os meus erros e queira me bater de novo por ter jogado fora tudo isso que criamos. O que era lindo e se acabou. O que marcou nós dois de um jeito que vai ser pra sempre.
Eterno em nossos corações.
Espero, sinceramente, que você se alegre depois disso. Porque se eu já não consigo conviver com a certeza de que seremos apenas uma lembrança, quanto mais em saber que mesmo daqui há muito tempo você ainda se entristecerá comigo. Ria, por favor. Lembre das vezes que contei uma piada ruim. De quando te esperei com uma flor na mão. De quando fizemos amor. De quantos planos a gente fez.
E um permaneceu: sentir eternamente esse amor.
Eu sei que vou te amar pra sempre.
[ Gustavo Lacombe ]
“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser reservado aqui: http://www.bit.ly/oAmorÉParaOsRaros
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Mulher das Estrelas

Pode ser que eu tenha te pedido num dia desses em que olhava pras estrelas e, me sentindo sozinho, imaginei alguém pra me completar. Pensei, inclusive, que estava sendo bobo ao imaginar alguém que suprisse necessidades, preenchesse lacunas, espantasse saudades, vivesse loucuras. Eu chego a rir quando me lembro que deixei até os céus me darem alguém de quem eu gostasse mais.

Eu só queria um sorriso pra poder viver em paz.

E foi aí, Mulher das Estrelas, que a gente topou num desses dias em que todos os encontros parecem casuais demais para serem chamados de Destino. Na verdade, entendi, o acaso e os mal traçados caminhos da Vida são apenas pré-histórias que podemos seguir ou não. Dobrar uma esquina, ou não. Acender um cigarro, ou não. Atravessar o sinal, ou não.

Vamos escolhendo o que fazemos, sem nos darmos conta de que tudo que vivemos faz parte do plano de ver duas linhas se cruzando e dois sorrisos se abrindo. Nesse dia, bem antes da escuridão do céu se abater sobre nossas cabeças e as estrelas aparecerem como testemunhas de nós, deixei que a naturalidade não se apossasse de mim.

Você bem recorda como estava nervoso. Não sei se senti algo diferente, mas fui embora já traçando meios de te fazer pousar em minhas mãos. Desculpa a sinceridade, mas antes era apenas um desejo. Mal sabia eu que, enfim, desabrocharia num beijo todo o querer de te fazer ficar pra um café, pra uma conversa, pra uma música, por uma noite, por um fim de semana, por um certo tempo.

Pra uma Vida.

Pode ser, resgatando meus pensamentos mais longínquos, que um dia eu tenha te pedido à Lua. Que eu tenha fechado meus olhos e desejado com força que me aparecesse alguém como você. O que sei de verdade, Mulher das Estrelas, é que você chegou e mudou tudo aqui.

Me fez sorrir, me faz feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

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Amor Proibido Nunca Tem Razão

Eu te amo e ninguém sabe. Quer dizer, você está sabendo agora. Não contei nem pra minha melhor amiga porque eu tenho certeza de que ela ficaria falando nos meus ouvidos o quanto é errado me declarar para alguém que não pode fazer nada com o Amor que eu sinto. Ela diria “se enxerga, garota, ele não vai largar a namorada para ficar contigo”.

Eu tinha essa certeza até hoje.

Não sei se você fez o certo ao vir me perguntar se eu estava solteira, me chamar pra sua casa para fazer um trabalho que é só pra semana que vem e ainda mandar uma mensagem falando pra eu levar pipoca. Eu acho que sou bem grandinha para entender todos os sinais de que você quer transar comigo. “Só me comer”, no jargão dos meninos.

Aliás, essa do filme é mais velha que a minha Vó. E eu fiquei pensando se eu cairia, se eu deixaria transparecer, se eu contaria para sua namorada, se eu me aproveitaria da situação. Ligar o foda-se é mais fácil no meu caso porque eu não devo satisfação pra ninguém. Se esse interesse proibido ficar às escondidas, problema nosso. Se vazar, problema seu e dela. Até porque, eu não a conheço.

Uma coisa que a minha melhor amiga também me diria é que você não vale nada e que não posso arriscar minha reputação com os amigos por sua causa. Olha só, logo ela que ficou colocando pilha quando a gente se conheceu pra eu puxar assunto. Tudo bem, foi só até descobrir que você era comprometido. O meu desejo ficou enrustido. Aí, agora que eu tenho a chance, o que faço?

Puta situação difícil.

Eu não sou escrota. Eu não sou dessas. Não vou me sujar por causa de um momento. E, ao mesmo tempo, fico martelando o pensamento das suas mãos em mim, da tua boca na minha, da gente fazendo esse trabalho aí. Eu te quero, você me quer, mas até que ponto vale correr o risco de machucar alguém que não tem nada a ver com o nosso interesse? É covardia, entende!?

No fundo, ninguém tem razão. Você sabe o quão filha da puta está sendo e eu sei que serei do mesmo nível se topar essa loucura. Amor proibido é muito gostoso nas músicas e nas novelas, mas na Vida real é bem diferente. Pensando direitinho, acho que não nasci pra ser a outra. Eu até quero descobrir se você é isso tudo, mas isso tudo que você é pertence a outra pessoa.

Eu achava que te queria.
E eu tinha essa certeza até hoje.

[ Gustavo Lacombe ]