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Hora de Dormir

Ela entra no quarto só uma calcinha, vira pra mim e fala “vamos dormir?”. Puxa o lençol e se ajeita rapidamente. Consigo ouvir um risinho e sei que ela faz esse tipo de coisa só pra me provocar. Eu vejo as costas nuas que ela me oferece e deito de conchinha. Entro no jogo. Finjo meu sono. Deixo que minha mão pare na barriga e não explore nem pra cima, nem pra baixo. Fico ali fazendo rodeios e carinhos. Nem mais perto dos peitos, nem ousando descer para o sexo. Ela não queria dormir? Pois, então, dormiremos. Acomodada no abraço, não demora muito e me chama no meio do escuro. “Amor?”, pergunta. Eu…, respondo com a voz meio nasalada. “Você me acha gostosa?”, e pega minha mão que estava ali inocente, fazendo-a descer até o meio das suas pernas. Parece que um tsunami já passou por ali. Ela está completamente molhada e faz questão de me mostrar. A esta altura, já estou excitado o suficiente para não conseguir esconder o nosso perfeito encaixe. Roço nela tentando aliviar um pouco da pressão do sangue que bombeia e dispara meu coração. “Você é a mulher mais maravilhosa que eu já tive”, digo. Ela refuta aquilo. “Não quero seus elogios. Eu sei o que a gente tem e o grau de importância de cada um, mas eu quero saber se você me acha gostosa. Quero saber se você me visse na rua, você pediria meu telefone, pensaria em mim, bateria uma por mim no banho…”, e tira o meu dedo molhado de dentro dela, enfiando-o na boca. Ainda estamos na mesma conchinha do começo. Pergunto se ela quer dar pra mim, ela diz que quer dormir. Apenas queria tirar aquela dúvida. Por que isso, questiono. Porque eu quero ser desejada. Mais? Sim, mais. Pra você, eu não te amo o suficiente? Ama, mas hoje eu quero mais que amor. Quero me sentir como aquelas mulheres que fazem o cara gozar só de imaginar estarem com elas. Antes da gente ir pra cama pela primeira vez eu já fiz muito isso. E você sonhava em fazer o que comigo? Já fiz quase tudo. Você sonhava fazer amor ou foder comigo? Os dois. E a gente já fez os dois. Até mesmo foder com amor, que é melhor ainda.  (Ainda estamos de conchinha, mas ela já está com a mão em mim e eu ainda estou tocando-a) Mas me diga o que você quer agora? Eu quero agora tudo que o teu tesão quiser me dar e, garanto: pra mim ainda será pouco. Eu dou conta, digo. Tem certeza que quer tentar? – e agora ela se vira de frente pra mim, passando uma perna pela minha cintura e empurrando a minha cabeça levemente para descer até o meio dela. “Você sabe que? Se começar, não vai poder parar, né?”, intima. Eu apenas assinto com a cabeça e desço devagar até onde ela quer. Ainda arrumo um segundo para perguntar “mas você não queria dormir?” e dou um sorriso safado que guardo para essas ocasiões. Quero, lindo, mas eu estou meio egoísta hoje. Não quero simplesmente dormir. Quero dormir molinha, e sei que só consigo isso depois de gozar gostoso. Você vai praticamente me usar? Com toda certeza. E sorriu mordendo o lábio pra mim.

Ela sempre consegue o que quiser de mim com aquele sorriso.

[ Gustavo Lacombe ]

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Saudade: o Melhor Afrodisíaco

Existem diversos tipos de sexo. Alguns melhores que outros, uns sem graça, e até os divertidos. Ainda assim, de todos os tipos existentes, um dos que mais faz explodir o tesão no casal é o ótimo sexo de “fazer as pazes”. Reconciliação, sabe? É quando, depois de um certo tempo separado, os dois resolvem voltar e tentar mais uma vez.

Não existe nada melhor para a libido que a Saudade.

Tive uma das minhas noites inesquecíveis com ela num dia que a gente, depois de um tempo longe, resolveu voltar. Tínhamos saído, tomado algumas caipirinhas e rido muito. Entenda: voltar é uma decisão que precisa ser encarada de frente. Não se pode deixar arestas ou desacertos com o passado. É preciso seguir em frente e mudar o que antes fazia mal.

Porém, nós dois na cama sempre foi algo surreal.

Aquela noite foi a prova. Chegamos em casa alegres, nos beijando e meio despreocupados se fazíamos muito barulho ou não. Claro que tomamos o mínimo de cuidado para não acordar ninguém na casa e na vizinhança. Lembro que colocávamos o colchão no chão para não deixar que a cama fizesse muito barulho. E ela gemia no meu ouvido apenas.

Fizemos Amor com gosto. A posição preferida dela era a mesma que a minha, mas a gente ia mudando conforme dava na telha. Lembro da cara dela quando me olhava e pedia para eu ir lambendo do queixo dela até lá embaixo. E, também, de como ela pedia pra eu fazer devagarinho. Mesmo depois da separação, parecia que o tempo não tinha passado. Intimidade sempre é o segredo.

E se você me perguntar o que mais me marcava em nós, era o jeito com que ela pedia pra eu soltar todo o peso do meu corpo em cima dela depois do amor feito. Depois do gozo, com os dois dando risinhos um pro outro e as declarações sendo feitas. Suados, acabados e transpirando toda a vontade represada por aquele tempo afastado.

No dia seguinte, sentados à mesa do café, ela vira pra mim e diz: – Não devia ter dado pra você ontem, mas o álcool tirou a minha inibição. Eu ri. Perguntei se ela tinha se arrependido e ela respondeu que não. Todo aquele desejo do outro guardado. Toda aquela saudade que precisava sair de algum modo. Toda aquela paz sentida depois de uma noite fazendo Amor.

Era Saudade demais pra nos segurarmos.

[ Gustavo Lacombe ]