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Nós

Quero me amarrar em você. Quero ir me perdendo calmamente por cada um dos teus encontros e derramar meus olhos em você centímetro por centímetro. E deixar que você molhe a língua, os sonhos e as horas pelos meus pelos, cabelos e jeitos. Num balanço calmo, deixar que nos confundamos sem saber onde começa ou termina a felicidade. Sentir como se todas minhas veias bombeassem sangue para o teu coração, num desejo de te dar a Vida. Depois, sentir a urgência das mãos que te apertam – como se o amanhã fosse longe o bastante para não ser vivido. Moça bonita, se aninha no meu peito e se larga em mim. Joga fora tuas angústias e loucuras. Pode vir, mas traz pra cá apenas o que couber em nós. Esquece os medos da Vida. Me usa pro teu bel-prazer. Como os laços mútuos de uma renascença, refaz em mim teus caprichos. Já não sei o que é dia, o que é noite. Sei apenas o que é estar contigo. Vivo o conflito de te querer sempre. Coisas de quem ama, de fato. Nós: empapuçados um no outro. Completos com as emendas do corpo e desafiando alguém a achar um fio solto. Nós: laço mais perfeito do Amor.

[ Gustavo Lacombe ]

Texto do meu novo livro “O Amor é Para os Raros”.
Reserve o seu aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

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Eu. Quero. Nós. Dois.

Eu. Quero. Nós. Dois.

Eu podia entrar no meu carro, ou pegar um táxi, ou mofar num ônibus, ou ser maluca o suficiente para ir a pé até a casa dele. Podia levar minhas malas com todas as minhas coisas, ou uma mochila com uma muda de roupa, ou uma bolsa pra ele me levar pra sair ou só minha carteira de identidade pra não andar desprevenida. Podia chegar lá e pular no colo dele, ou podia rasgar a camisa dele e jogá-lo na cama, ou podia dar um beijão gostoso, ou podia ir pra lá só pra ver um filme e ficar de conchinha na cama matando a minha carência.

Veja bem, meu bem, eu podia fazer tudo isso, mas não quero.

Eu. Não. Quero.

Ainda existe um carinho, claro. Eu o quero bem assim como ele também me quer bem. Ainda existe uma história, claro. Mesmo que tenha sido terminada, ela nunca vai deixar de ser a minha história com ele. Ainda existe um desejo da parte dele para que eu volte, claro. Ele faz questão de me mostrar isso e deixar a porta aberta. Mas aí, eu te pergunto: o que eu fiz com tudo isso? Nada.

Eu podia mentir pra você e ir lá passar uma noite com ele. Matava minha vontade que só aumenta porque você não apaga meu fogo. Enquanto você se decide se vai ficar de raivinha pelo meu passado ou se vai aproveitar o que tem nas mãos, minha carência aumenta (eu já falei que tô carente, né?). E sim, estou nas suas mãos. Por mais que diga que me dei pela metade, pese todas as possibilidades que eu te apresentei. Eu podia fazer tanta coisa que te magoasse e terminasse com as nossas chances…

Só que não existe mais possibilidade da minha vida amorosa não ser ao seu lado.

Estou, antes de tudo, dando uma chance para nós dois. Chance de me pegar pela mão e me fazer feliz. Chance de amarmos de novo. Chance de sermos mais do que uma história, mas o presente do outro. O que não deu certo, passou – mesmo você insistindo em olhar pra mim e enxergá-lo.

Aliás, já enjoei disso.

Eu podia ficar até amanhã aqui explicando o quanto eu quero ser feliz contigo. Eu podia, mas vou me calar. Abre os olhos. Eu estou aqui. É só você querer enxergar.

Eu. Quero. Nós. Dois.

(Gustavo Lacombe)