Tudo Aquilo Que Camuflo Pra Não Dizer Que Te Quero

Eu ainda me perco no teu olhar toda vez que encaro tua foto. Fico parecendo aquelas carinhas de celular escondendo o rosto. E confesso que abro algumas redes sociais só pra mergulhar mais uma vez nos teus olhos – com o cuidado de não dar bandeira claro. Já imaginou se te ligo por engano? Esse querer escondido, fruto de uma vontade que eu nem sei de onde veio, parece estar em tudo que eu vejo e que me faz lembrar você. Longe de ser uma obsessão, mas um vício gostoso que eu gosto de ter.

E não consigo escancarar.

O medo de dizer como eu me sinto parece esbarrar na certeza de que o “não” (que eu já tenho) se materializará. E eu sou péssimo para lidar com rejeição. Sou péssimo em me abrir e ter que ver o outro dizer que não preciso revelar esse tanto de coisa. Sou pior ainda pra aprender a desfazer as minhas certezas. E eu me agarro à dúvida antes de saber que você realmente não me quer.

As coisas que te falo e depois emendo com um “tô brincando” apenas refletem o espírito de quem não sabe como chegar e dizer “olha, eu queria uma chance de te fazer feliz”. Uma, que seja. E que, entretanto, ensaia todos os dias isto diante do espelho. Na minha platonidude, podendo ser objeto direto da fala de Platão e seu olhar de desejo ao que não se tem, miro de longe quem eu queria ter tão perto. Continuo torcendo para que o teu sorriso mantenha-se aberto – como eu sempre gostei de ver.

E como eu adoro saber que está.

Se um dia, por fim, eu criar coragem de dizer, espero ser capaz de te fazer compreender que sempre existiu o medo que converte todo lindo sentimento em segredo. Só que não adianta. Um dia, eu sei, diante de tudo que transborda em mim e que sinto ao estar junto a ti, vou acabar deixando escapar em sussurro tudo aquilo que camuflo nos meus “bom dia”, “você tá bem?” e “se cuida”. Tudo que eu nem preciso dizer, visto que os olhos já brilham quando eu estou com você.

[ Gustavo Lacombe ]

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Meu Melhor Presente

Esse ano foi tenso. E uso o “tenso” como um adjetivo negativo e positivo ao mesmo tempo. O viés negativo vem do tanto de notícia ruim que recebemos. Tragédias, dores, mortes e uma barbárie no meio dessa confusão que se instalou no país. Positivo porque, mesmo diante de tantas coisas ruins, acho que minha vida andou de uma forma bastante boa e eu cresci como pessoa. E, no meio disso tudo, ainda me veio você.

Agradeço por ter te encontrado. Sei que cheguei num período meio conturbado pra você, mas fomos nos acertando e curtindo a presença do outro. Fomos aprendendo as particularidades, as nuances e descobrindo o que se escondia na história de cada um. Você me contando vitórias, derrotas e traumas. Eu, do meu jeito, fui também me abrindo e dizendo dos meus medos, me deixando mergulhar nos seus olhos.

E eu ainda te olho.

Se deixar amar é uma das maiores lições que podemos receber. Nos acostumamos a exacerbar nossos defeitos e ter raiva do espelho. Raiva das nossas escolhas. Contigo eu percebi que o carinho por nós mesmos é fundamental. E até mesmo quando falei algo que te feriu, recebi teu colo dizendo que erramos mesmo e que aquilo também ia passar. Importante era o meu arrependimento genuíno.

Sobre colo, perdi a conta de quantas vezes procurei teu braço no meio da noite ou do dia só pra me ajeitar e descansar no teu carinho. Também não sei dizer o número de situações em que te vi sorrir ao meu lado depois de fazer amor – e os dois se olhavam com aquela certeza de que cada momento junto valia. E vale. E como uma piada interna que só a gente entende: ainda te olho. Fundo. Me enxergando na sua pupila dilatada.

Refletindo o Amor.

Meu melhor presente esse ano foi você, como um Natal fora de época ou um aniversário que entregou o presente um pouco mais tarde. Virou meu vício com cada beijo que me acende, as mãos que me instigam e a companhia que me completa. Meu porto, onde tenho o mais perfeito abraço. Meu melhor, procurado só pra te entregar em encontros que matam saudades, afinam nossa sintonia e repetem baixinho que eu poderia morar em você.

Te olhando pra sempre.

[ Gustavo Lacombe ]

Basta Só Você me Olhar

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Basta te olhar.

Basta te ver chegando. Do outro lado da calçada já te enxergo e a nuvenzinha negra que insisto em carregar na minha cabeça se dissipa. Problemas? Desde que seus olhos castanhos cruzaram a rua e me abraçaram, não lembro de nenhum deles. Traz uma bolsa no ombro, uma sacola na mão e um sorriso no rosto.

Linda.

Vou adicionando certezas a minha vida cada vez que você faz essa mágica de chegar me fazendo feliz: você é minha cura. Se algo começa a dar errado, fecho os olhos e penso em você. É como quem segura um escapulário nas mãos, ou faz uma figa, ou tenta qualquer outro lance de sorte. Penso na sua imagem e todo o mal se esvai. Isso! Você me traz sorte, você é a minha própria. A sorte em pessoa. Em boca, mãos, pernas e voz no meu ouvido que insiste em nunca desistir de mim. Como que as coisas vão dar errado assim?

Ao teu lado, já sinto, sou invencível. Aí, você atravessa a rua, para na minha frente e me beija. Basta só você me olhar e, nesse momento, tenho mais uma certeza.

Certeza de que posso ser qualquer coisa com você.

(Gustavo Lacombe)

#ela