Que se Infinite

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Qualquer sentimento não se conjuga apenas em palavras. É preciso ação para reafirmar o que se diz com tanta propriedade. Até mesmo a falta de uma ação – por que não? – pode ser encarada como “algo sendo feito”. Sabe quando você abre mão? Há quem diga que é aí que se pode ter um Universo de possibilidades. Mas também sabe quando você demonstra? É aí que se ratifica o que se sente.

Definir é impossível, eu sei. A expressão, por outro lado, está ao alcance de qualquer um. Ainda assim, não serão flores, chocolates e poemas que poderão dizer a alguém o quanto se ama. Se é tão fácil deixar claro quando não se gosta de alguém, por que não é assim também para se mostrar tocado por aquela pessoa? O momento merece uma frase: porque construir é bem mais difícil que destruir.

Não é receita de bolo, mas você vai precisar de respeito, carinho e confiança. E se isso já é importante antes de estar com alguém, imagine depois. A principal diferença nos relacionamentos é o que faz antes e após conquistar o outro. É tão animador ter que correr atrás de alguém. O famoso “fazer e acontecer”, né? Mas… é só isso? É só a busca, a caça, a conquista e fim?

Por favor, não faça tão pouco do amor.

Existem mais coisas entre o pensar e o dizer “eu te amo” do que o curto intervalo de tempo existente separando essas três palavras curtas. Existe a necessidade de transformar o sentimento em concretas ações espontâneas, mesmo que sentimento não exija provas. Quando não se limita a apenas falar do que passa por dentro, a exteriorização vem naturalmente.

Que não se perca a chance de dizer o quanto se ama as pessoas importantes por mais que palavras o vento leve. Saiba, porém, que o bem não se restringe a isso. Então, não se limite. Conjugado em memórias, presentes e sonhos, que se siga conquistando sempre quem se ama.

O sentimento que se infinite.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, já está disponível para compra aqui: http://www.bit.ly/AmorParaRaros 

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Aquilo que não se sabe dizer

Aquilo que não se sabe dizer

Às vezes, eu penso que uma música diz tudo que eu queria dizer pra alguém. Então, sem conseguir reunir coragem ou palavras minhas para ir até ela e me abrir, eu guardo. Guardo as coisas que queria falar, as poucas letras que se formaram na minha cabeça e qualquer sentimento que por um segundo tenha me enchido e me motivado. E isso não acontece poucas vezes. Até porque, não sei que dom é esse que as canções tem de traduzir o que sinto.

Já fiz uma playlist inteira só com formas de dizer “Eu te amo”.

Poderia até ficar nas músicas. Ou nas músicas de amor. Só que, em várias outras ocasiões, já me peguei lendo livros, vendo fotos, decifrando obras de arte e muitas delas, de alguma maneira, traduziam alguma coisa dentro de mim. Estranho isso. Um professor de português, certa vez, disse que eu não sabia me expressar muito bem, mas que meus olhos gritavam o que eu queria. Então, o segredo para deixar algo fluir nas minhas redações era apenas fazer com que os olhos “transbordassem para o papel” tudo o que queriam dizer.

Nunca consegui ser assim. Aliás, dar vazão aos meus quereres, desejos e vontades sempre foi algo complicado. Primeiro, porque eu não gostava de impor nada a ninguém. Segundo, porque tinha medo que a opinião dos outros em relação a algo que eu sentia poderia ser ruim. O que eu aprendi nisso tudo? Bom, que perdi várias oportunidades de falar algo e me posicionar. E, também, que a opinião dos outros não deveria ser tão importante assim. Mas eu preferi continuar colecionando palavras ao invés de distribuí-las.

Queria arrumar alguém para trocá-las, como figurinhas. Alguém pra conversar mesmo.

Assim, bem mais do que perder chances de me fazer ouvir ou declarar o que sentia, fui me guardando. Da vida, do amor, do mundo, de tudo. Aquilo que não se sabe dizer, agora sei, não será dito. Entretanto, o que pode ser colocado pra fora e que ajuda a levar uma vida melhor, precisa parar de travar a garganta e se afogar em covardia. Como toda teoria, eu ainda não tenho ideia de como fazer isso na prática.

Tão mais fácil colecionar palavras que não tenho coragem de usar.
Às vezes é tão mais fácil calar.

(Gustavo Lacombe)

Mais Gestos, Menos Palavras

Mais Gestos, Menos Palavras

Me fizeram acreditar. Eu queria, eu deixei e assim me enganei. Entenda, não estou dizendo que você trapaceou, me sacaneou ou coisa parecida. Só que me fizeram crer numa história que não era verdade. Não por completo. Quem sou eu pra dizer que alguém está ou não apaixonado, está ou não envolvido? Até que me provem o contrário, eu levo fé nas pessoas e suas palavras.

Mas, uma hora, só palavras não convencem.

No segundo seguinte em que eu me apaixonei, eu sorri. Acreditava que estava indo no caminho certo, que era a hora certa, que você era o cara certo. E pode até ser que todos os fatores estivessem apontando pra essa bela palavra: certo. E pode até ser que meus olhos buscassem você toda hora que piscavam e eu me pegava lembrando de algo que me fazia bem. Você me fazia bem. Mas não é tão simples assim.

Não quero mergulhar de cabeça em alguém que tem dúvidas, inseguranças. Claro que isso é normal e temos aos montes, mas eu não quero me entregar a alguém que olha o passado e pensa com carinho e vontade de voltar. Não quero me jogar num relacionamento em que eu não basto para a pessoa com quem estou.

Não quero quebrar a cara.

Poderia te agradecer por ter me mostrado tudo isso a tempo. Tempo de ver o quanto a gente precisa mudar pra ficar junto, tempo de repensar a paixão que nascia, tempo de entender quase que exatamente como você é, tempo para perceber que o que me fizeram acreditar não passava de um esforço temporário.

Você quer me fazer acreditar de novo? Tudo bem. Eu ainda estou aqui. Eu quero estar aqui contigo, mas aviso que vai dar trabalho. Já me provaram o contrário do que você insistia em me dizer. Como eu disse, eu levo fé nas pessoas. Eu levo fé em você e na gente.

Mas, agora, apenas gestos vão me convencer.

(Gustavo Lacombe)