Quando Eu Decidi Te Pedir Pra Ficar

Eu decidi te pedir em namoro quando eu senti mais medo de te perder pra outro do que a vontade de conhecer uma nova pessoa. Quando todo perfume que cruzava comigo pela rua me fazia lembrar do teu por mais diferente que fosse, só porque era o seu o que eu queria sentir. Quando todas as músicas começaram a parecer querer descrever cenas, momentos e lances de nós dois em detalhes, refrães e afins. Quando eu passei a sentir um certo cansaço em explicar que estávamos apenas nos conhecendo e me peguei sorrindo com a ideia de ter ao meu lado como par. Quando já não conseguia associar mais coisas básicas a um programa solitário e, então, praia, cinema, parque e açaí só seriam completos com você. Quando eu passei a achar que seu nome tinha alguns sinônimos como “carinho”, “sorriso” e “sonho”. Quando uma pontinha de ciúme – algo que eu quase nunca sinto – me beliscou num domingo qualquer em que decidimos falar sobre coisas do passado e eu já queria colecionar histórias contigo. Quando passei a fazer mais meio saco de pão de queijo porque sabia que você iria lá pra casa assistir série comigo e adorava comê-los concentrada na televisão. Quando minha mãe começou a perguntar pela “norinha” dela. Quando eu passei a imaginar que toda foto de casal de mãos dadas na internet poderia ser a gente. Quando meu irmão me disse “game over”. Quando você me olhou bem fundo e a única coisa que eu soube dizer foi “eu preciso de você”. Quando você respondeu “e eu preciso de você mais ainda”. E o mais engraçado disso tudo é que quando eu decidi te pedir em namoro foi no exato instante em que eu mais tive o maior receio de não conseguir te fazer feliz porque sabia que ser feliz era o mínimo que você merecia. Mesmo assim, morrendo de medo e quase não acreditando que depois de tanto tempo estava prestes a me jogar de novo, fiz o pedido.

Sim, enfim.

[ Gustavo Lacombe ]

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Se tiver Alguém aí Pra me Ouvir

Não é que eu me sinta idiota olhando pro céu e pedindo alguma coisa, mas é estranho que a gente só faça isso quando sente o coração apertado. Se tiver alguém aí pra me ouvir, que leve tudo que eu disser pro coração dela.

Queria que entrasse uma brisa pela janela do quarto dela, tocasse o seu rosto – como um beijo – e mostrasse que ainda existe o carinho aqui. Depois de conseguir chamar a atenção dela, que a brisa a envolvesse e a desse um abraço. Sinto saudade daquele abraço. Sinto falta das mãos dela. Se agora, olhando pro alto, algum ouvido aí estiver atento, que possa ouvir esse meu lamento. Quem chora hoje sou eu, mas sei que fui eu quem fiz mal a ela.

Durante muito tempo eu fui um babaca. Um grande babaca. Tá, perdoa o meu vocabulário. Não quero ofender, mas é que algumas coisas só são bem traduzidas com um palavrão. E eu fui tanta coisa… Se essa brisa que entrou pela janela e a deu um beijo e um abraço pudesse soprar algo no coração dela, que embalasse um pedido de desculpas. Sinceros. Envolvido no mais profundo arrependimento. E remorso.

Eu aprendi, você sabe, que arrependimento não mata, mas que, quando a ficha vai pra quem magoa, é ruim também.

Ainda bem que eu não fui muito magoado na Vida. Bem, você deve saber. Eu acho que sabe. Mas acabei magoando muito. Ela, então… Consigo lembrar de cada choro, de cada erro. Por que eu insisti? Ah… Difícil. A gente, às vezes, não pensa. A gente só aprende quando perde. Talvez essa seja a grande verdade do Universo. Vou ter a Vida inteira pra me arrepender disso.

Vou contar aos meus filhos e netos sobre como perdi um Amor – o dela – que era pra ser daqueles de “pra sempre”, mesmo que a esta altura eles já saibam que o “pra sempre” é uma grande utopia. Você sabe, se é que tem alguém aí me ouvindo, que minhas mãos estão, de certa forma, atadas. Ela pediu pra eu sumir. E eu respeito isso. Quero que ela seja feliz. Nunca quis o mal dela. E, se essa brisa pudesse – além do beijo, do abraço e das desculpas – deixar um recado.

Que dissesse que eu ainda a amo.

Mesmo que ela não acredite. Mesmo que ela sorria e diga baixinho que é mentira. Mesmo que ela volte algum desdém a isso. Mesmo que nunca mais eu tenha outra chance. Eu a amo, você sabe – se é que tem alguém aí pra me ouvir.

[ Gustavo Lacombe ]

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