Ninguém é Obrigado

Demora-se a entender que nem todas as vontades vão bater, nem todas as químicas vão casar e nem sempre os momentos serão ideais. Não adianta colocar o dedo na cara de alguém e dizer que “você não me valorizou” ou qualquer coisa parecida. As pessoas, sim, acabam tratando outras como opção, enquanto essas outras se esgoelam para gritar ao mundo inteiro que precisam ser e se sentir prioridades. A vida não é tão simples, mas se faz sempre o favor de complicá-la. As relações, então, se você já teve algum tipo delas, são complexas ao extremo. Seres humanos são falhos: enxergam defeitos onde não tem, inventam desculpas, se ofendem com pouco e, principalmente, tem valores distintos. O que é mega-ultra-hiper importante para um pode não fazer a mínima diferença para outro. E, a partir desse ponto, se subentende que a falta de diálogo é o mal da humanidade. Por fim, tudo pode ser um grande problema de comunicação. “Eu quero isso”, “você quer aquilo” e “fulano quer outra porra totalmente diferente”. Acostumem-se, por favor. Não sejam desrespeitosos e egoístas o suficiente para achar que só existe o seu jeito. A gente é sempre só mais um que, de vez em quando, dá sorte de topar com alguém que, na nossa singularidade, nos torna único. E, então, com todos os “timings”, vontades e afins conspirando a favor, temos algo que dá certo. Sem pressão, até descobrir que ninguém é obrigado a nada.

[ Gustavo Lacombe ]

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Sempre um Pouco mais de Atenção

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Todos queremos atenção, mas às vezes não sabemos dosar a cobrança. Como quando uma mensagem chega no celular. Você demora para responder? Depende de quem mandou a mensagem, você responderia. Sim, se a outra pessoa não é tão importante assim, a demora não parece algo ruim. Se o assunto não é relevante, pode esperar.

Agora, se é aquele carinha ou algo urgente, a resposta vem mais rápida que um pit-stop de 2,3s da Red Bull na Fórmula Um. Vomita mais palavras que um dicionário inteiro. Depois de enviar, vive a dor de esperar, criando a expectativa de quando a resposta virá. Sente-se jogado no limbo – após longos e torturantes dois minutos. Está junto com as outras pessoas para as quais usou o mesmo critério antes.

Sofrimento. Naquela de ficar encarando a tela, manda outra mensagem. E outra. E cobra atenção. E, quando vê, está parecendo uma criança implorando colo da mãe. A pessoa responde. Diz que estava fazendo outra coisa (mas que outra coisa era mais importante agora do que dar atenção pra mim?) e pede desculpas meio sem graça.

Pede porque acha melhor desculpar-se do que deixar o outro com a cara amarrada. É daqueles que evita o choque, a confusão. Pratica a política de boa vizinhança e não cede a chantagens emocionais. Agora, não há quem aguente cobranças intensivas e extensivas. E, se critica, acaba ouvindo aquela famosa frase em tom de lamento “você não liga pra mim”.

Hey! Dá pra entender que o mundo não gira ao seu redor? Que todo mundo tem compromissos? A vida nos manda eleger prioridades? Não é que você possa ser jogado para escanteio, mas se o caso não é de vida ou morte, pode-se responder depois. Demorar uns minutos não mata ninguém.

Cair no esquecimento é outra história.

Daí em diante, assimila quem quer, continua sofrendo quem é besta. Mais importante do que reparar como nós mesmos agimos nessas situações, é entender como as pessoas com as quais nos relacionamos agem. Atenção tem que ser recíproca.

(Gustavo Lacombe)