Imagem

Um Fim Sincero É Melhor Que Ter Uma Sacanagem de Pretexto

“Eu gosto de você, mas não posso ser o que você quer agora”. Talvez essa seja uma das desculpas esfarrapadas mais sinceras que eu conheço. A pessoa sai algumas vezes contigo, demonstra um tipo de querer mais profundo, mas uma hora se vai. Você, que já criava aquela expectativa de de poder se render e se jogar, fica com a mala semi-pronta e o coração na mão. Mas é bom, sabia? É bem melhor ver alguém pular do barco num momento precoce que ver alguém desistindo de algo maior. Sei que batemos muito na tecla do Amor, mas estamos querendo-o a qualquer custo. De qualquer maneira. Estamos colocando num lugar especial quem não deveria nem ser cogitado lá. E a culpa é de alguém? Não acredito em “culpa”, se é que você me entende. Se relacionar, amar, se entregar, saber se é a hora ou não, tudo isso é de um jogo social que demora até aprendermos a praticar. E não tô falando que precisamos saber momentos exatos de enviar mensagens, fazer “joguinhos”, fingir-se de morto ou fazer falta. Tô falando que na experiência empírica do Amor é difícil mesmo começar a compreender os sinais de que alguém não está tão a fim assim de você ou se é algo mais que uma paixonite. Quando se trata de algo já construído e que os dois veem como uma relação certa, sou sempre o primeiro a reforçar a necessidade da preservação e do bom funcionamento para ambos. Só que, sendo alguma coisa rasa, que um dos dois decidiu abrir mão por saber que só iria haver machucados e sabendo que não queria estar mais ali, o fim talvez seja uma das coisas mais incríveis que alguém pode dar. Um fim sincero, justo e sem muito drama. Sem uma sacanagem para servir de pretexto. Um ponto final que, quase sempre, nos dá a chance de começar outra história.

[ Gustavo Lacombe ]

 

Quer me ler mais? Compre meus livros! Aqui:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

Imagem

Dar/Comer

Dar/comer é um vocabulário pertencente ao universo do sexo. A pergunta é se ele é chulo ou não. Acredito que tudo depende do grau de intimidade da pessoa que está ouvindo. Depende também de quem está falando. De quem são as outras pessoas em volta. E ainda da situação, né? Pelo amor, é preciso bom senso. Alguns lugares, pessoas e ocasiões vão pedir para que você diga “transar”, “fazer amor”, mas nunca “foder” ou “comer”. É fato que o vocabulário existe e é largamente usado por todos. Conheci a história de um cara que adorava ouvir a mulher dizer “meu nêgo, quero dar pra você”. Baiano, gostava de ouvir aquelas exatas palavras. Dava um tesão fodido, segundo ele. Claro que entre quatro paredes. Claro, quando só estavam os dois. Não acredito que homens conversando vão usar palavras diferentes. É do universo masculino (e eu não acho que tenha machismo nisso) usar comumente comer/dar (apesar de saber que muitos também usam num tom pejorativo). Talvez utilizem o “levar pra cama”. O que sinto falta nessa discussão toda (e aqui falo dessas conversas que os caras tem com os amigos mesmo) é a nobre pergunta “mas você fez gozar?”. Pô, comer é uma parte muito simples do trabalho. É enfiar o pau e gozar. É só isso mesmo? Ainda que seja por uma noite? É pra isso que o cara se envolve, leva pro motel, fala que sentiu uma química? Talvez eu esteja querendo profundidade numa discussão que só deixa de ser rasa quando fala de futebol. Porém, não me furto a dizer aos caras: dizer que comeu é fácil, quero ver chegar se gabando de que fez meia hora de oral e ela gozou na sua cara. Quero ver dizer que se preocupou e que, inclusive, ficou chateado por não fazer aquela menina especial “chegar lá”. Quero ver deixar a otarice de enumerar quantas mulheres tiraram a roupa pra você e passar a se preocupar se quem está contigo naquele momento goza com você. Dar/comer é simples. Difícil é ir além do vocabulário chulo.

[ Gustavo Lacombe ]

Texto do livro “Depois da Meia Noite”, que pode ser comprado aqui:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

Imagem

Transa Não Tem Manual

Algumas das minhas melhores começaram sem muito estardalhaço. Não acho que esse seja o padrão, mas na maioria das vezes é isso que acontece. Você não cria muitas expectativas, vai “pra ver qual é” e se surpreende. E é uma delícia quando se é surpreendido.
 
E isso prova, pelo para mim, que intimidade é bom e faz maravilhas por um casal, mas a porra da química é fundamental. De verdade, não acho que transar com uma pessoa diferente ajuda pelo fato de você “perder a vergonha” já que não vai ver de novo. Isso de ir onde nunca foi é para casos íntimos mesmo.
 
O ponto-chave pra mim é o fator inesperado mesmo. É o toque do outro que arrepia, o encaixe das pernas que parece perfeito, a boca que vem deslizando pela pele e só para quando se dá por satisfeita, o gemido que enlouquece e o fato de, inacreditavelmente, nada no outro incomodar.
 
Como assim incomodar? Fácil.
 
Tem gente que acha problema em qualquer coisa. Tem gente que vê pêlo em ovo e não consegue aproveitar a transa. Fala que o outro sua muito, reclama da unha grande, que não pode marcar, que se incomoda em toda posição que faz, que chega ao cúmulo de botar a culpa na camisinha, no perfume muito doce, no raio que o parta! Tem gente que estraga qualquer clima.
 
O que essas noites tiveram de tão diferente assim para eu considerar como as melhores? Entrega. Um prazer mútuo em querer se dar. Uma vontade de aproveitar o tempo sem a pretensão de ser o melhor, mas tornando-se pelo fato de saber que reparar bem no outro e ter atenção com o seu gozo é primordial.
 
Já vivi o contrário também, óbvio. Criar expectativa e se frustrar, quem nunca? Sabe quando você olha pra alguém e pensa “deve ser um fodão”. Na hora H não é nada daquilo. Acontece. E sei que já deve ter acontecido o mesmo com alguém que me quis e, na hora, descobriu que eu nem era isso tudo (apesar de eu achar que eu sou isso tudo, mas essa teoria de todo homem se achar bom é outro texto).
 
Mas vale ressaltar: todo homem se acha foda na cama.
 
Só que nunca existirá um “manual da boa foda”. Se a música diz que sexo é escolha, eu posso garantir a você que sexo bom pode até ser um exercício de conhecimento e intimidade, mas a grande maioria é encaixe, química e uma puta sorte de ver que as vontades coincidem e todo o resto casou certinho.
 
E, claramente, essa é a explicação para a famosa expressão “amor de pica” e “chá de buceta”. Quem sabe o que quer e ainda sabe bem o que fazer, quando encontra quem entende da parada e faz uma noite ser pouco pra dar conta de tudo que os corpos pedem, tem grandes chances de se enquadrar numa dessas definições.
 
Por isso, também, que tanta gente viaje para rever pessoas, tanta gente que leva uma noite no coração, na cabeça e na imaginação de poder ter novamente, tanta gente que conta nos dedos as pessoas que realmente fizeram o gozar ser bem mais que o ápice de um prazer, mas uma memória carregada para sempre.
 
Com algo que é quase impossível de explicar: química.
[ Gustavo Lacombe ]
Imagem

Eu Serei Pra Sempre o Teu Melhor

– Deixe seu recado após o bip.
 
BIP.
 
– Você vai lembrar de mim. Vai lembrar quando aquele cara chegar tirando a sua roupa de uma forma estabanada, quebrando o fecho do sutiã e pedindo desculpas. Ou não. Jogando a blusa na puta que pariu e tendo dificuldades de achar depois. Aliás, a calcinha que você perdeu no meu quarto, eu achei. E joguei fora. Não quero guardar nada como uma mortalha do que passou.
 
Passou porque nós dois não soubemos fazer mais do que deveríamos ter feito. Brigávamos pelos motivos mais idiotas e uma hora a cama não deu mais jeito. Não há sexo que segure tantas merdas ditas, tantos erros espalhados pelo caminho e dois estúpidos que não souberam parar antes de perderem o que tinham. Dói dizer e admitir, mas é a verdade.
 
E você vai lembrar de mim. Vai lembrar de quem fazia as piadas mais sem graça e te fazia se sentir bem com um abraço na hora de dormir que, em cinco minutos, virava uma fogueira debaixo dos lençóis. Você se virava de costas e as minhas mãos chegavam no meio das suas pernas. As suas, por sua vez, sabiam exatamente o caminho até o meu short. A gente sempre ficava com cara de sono, mas e daí?
 
A gente transava feliz e passava o dia seguinte tão na boa quanto.
 
Até isso vai te fazer lembrar. Vai te fazer fechar a cara e pensar “puta que pariu, eu dei pra outro ontem e tô pensando nele hoje”. Não haverá nada de errado com isso. É apenas um truque da memória que dirá e jogará na cara que será impossível me esquecer. Pelo menos até a próxima saída. O próximo porre. O próximo amor de uma noite. Durante muito tempo em sua vida, como já canta o Rei, eu vou ficar na tua vida.
 
Isso é um misto de profecia com maldição. É um meio-termo entre a vontade de fazer diferente com a raiva de ter pedido. É a mágoa que não se converte em felicidade por ter vivido com a frustração de ainda sentir tanto. É a soma de uma garrafa de vodka com um balde de energético. É o fundo do poço te ligando, mandando mensagem e morrendo de vontade de foder de novo contigo.
 
Mas, não, você deve tá com outro. Eu poderia falar coisas, insinuar outras, mas vou ser mais babaca do que já estou sendo. Sei que você vai lembrar. Quando alguém te tocar como eu te tocava. Eu vou ser a comparação máxima. Eu vou ser o parâmetro. E mesmo que alguém seja melhor, em alguma coisa eu serei insuperável: teu passado todo sou eu.
 
Ok, passado. Porque nós dois não soubemos ser presente.
 
Vai acabar a bateria e, antes disso, deixa eu dizer que te amo. Que ainda te quero. Foda-se. Gosto mesmo. Cansei de me fazer de durão. Eu sinto falta. Da foda e da forma com que a gente sabia, sim, ser feliz. Antes de tudo desandar. Antes da separação ser o único caminho. Se não desse mais pé, eu diria.
 
Eu ainda –
 
Fim das suas mensagens. Para ligar para o número que deixou o recado, pressionar 5. Para apagar, disque 0.
 
[ Gustavo Lacombe ]
Para me ler mais, compre meus livros! Aqui:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros
Imagem

Algumas Dores Precisam Ser Sentidas

Algumas dores precisam ser sentidas. Vividas. Eu queria conseguir te dar uma parte dela, mas não posso. E o mais engraçado é que você plantou tudo isso em mim. Tá. Talvez seja pouco parte das expectativas que eu coloquei na gente. E não me diga que não deveria. Ou você já viu alguém viver como se a coisa inteira pudesse acabar no dia seguinte?

Isso não existe.

Na minha cabeça a gente ainda tinha um tanto pra viver. Eu vi, sim, que estávamos meio mal, mas que podíamos melhorar. Não funciona isso de chegar num ponto e, pronto, jogar fora. Depois daquela conversa, eu tentei. Pelo menos nisso, meu bem, posso deixar minha consciência tranquila. Não foi por falta de tentativa e sentimento. Eu me doei e continuaria me entregando até realmente atestar o fim.

Pra mim não era. Isso tá na cara. E me corta saber que você agora me olha como parte do seu passado. Logo agora que eu ainda penso, que eu ainda quero, que eu ainda sinto. Agora. Sinto agora. Talvez um dia eu “sinta muito”, mas nem sei direito o que fazer. Meu coração fica nessa de se auto-flagelar enquanto repete que a culpa disso tudo foi daquela toalha em cima da cama, daquele uber que a gente não dividiu, do programa de domingo que não fomos porque eu tava com preguiça.

Sim, eu já falei que a “culpa” não é dele, mas coração ouve alguma coisa?

Algumas dores precisam ser sentidas. Queria ser uma daquelas pessoas que vão pra balada, se enroscam com a primeira alma viva que passa na frente, mas não consigo. Simplesmente não consigo. E fico aqui remoendo, mas eu sei que vai passar. Talvez esse seja o pior. Um dia, quando você não for mais nada, vou ter a certeza de que passou. É uma merda isso.

Alguém que sabia de tudo, uma hora, não vai saber mais nada e nem conseguirá adivinhar o que eu quero comer. Logo você, que sabia de trás pra frente todos os meus gostos, manias e desejos. Desejos. Foda-se, uns amigos me dizem. Eu não consigo internalizar isso ainda. Não há revolta. Há uma frustração. A gente ainda tinha tanto pra ver por aí. É como se a mala estivesse pronta.

E não tivesse com quem viajar.

Mas vai passar. Vou sentir tudo, sentir muito, até sentir muito. Sim, sentir muito por não ter vivido contigo o que eu queria. Quem sabe, nesse dia, eu não sorria por ver que, então, tenho alguém que quer viver isso tudo comigo. Sentindo tudo. Sentindo muito.

[ Gustavo Lacombe ]

Quer me ler mais? Leve meus livros pra casa! Compre aqui com frete e autógrafo incluídos:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

Imagem

O Amor dá Certo, Sim

O Amor dá certo, cara. Se não deu com outra pessoa, pode dar certo na próxima vez. Eu sei que é foda ficar colocando o coração na linha do trem e esperando que ele não passe por cima. Talvez essa seja uma boa analogia pro sentimento. É como ficar em seus trilhos, com as flores na mão, mentalizando que o comboio vai parar antes de te atingir. Mas sempre tem quem feche os olhos, se jogue ali e seja feito em pedaços. Eu sei que tem. É difícil convencer alguém que já se machucou, que já se entregou e que não vê motivos para acreditar de novo que tudo aquilo vivido foi aquilo tudo vivido em outra ocasião. Entende o que eu tô falando? Não é confuso, é questão de tentar mostrar que cada vez que nos abrimos pro Amor temos uma nova chance de ser feliz. E quando algo dá errado, temos outra chance mais adiante. Sim, gostaria de olhar na cara da próxima pessoa que chegar perto de você e dizer a ela “cuida com carinho porque esse coração é especial e já sofreu mais do que deveria”. Aliás, prometo fazer isso quando a oportunidade se apresentar, mas não adianta eu pedir cuidado se você também não quiser tentar. Amar é para os corajosos, aprendi, e raros são aqueles que aceitam o desafio de viver tudo que vem no pacote. O Amor dá certo, mas vai viver aquele clichê inevitável de dar muito errado antes até chegar a esse ponto. E, sendo bem realista, é preciso entender e aceitar que algumas pessoas são apenas caminhos, nunca chegadas. Algumas histórias são apenas capítulos, nunca livros completos. E o que dá certo por um certo tempo não quer dizer que não valeu a pena ser vivido. Eu sei, cara, que dói terminar, ver alguém que era tudo se transformar em nada, mas você já pensou que alguém que é quase nada hoje pode vir a ser seu tudo algum dia? O Amor é apostar. Arriscar. Arriscar-se. O Amor dá certo, sim, basta acreditar que o próximo trem não passará por cima de nós.

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

As Migalhas Que Você Aceita

Eu sempre fico triste quando você me diz que ele te quer por perto, mas que não abre mão da liberdade encontrada na vida de solteiro dele. Fico triste porque você se coloca nas mãos de um cara que não faz questão alguma de te assumir, de te dar colo, de ser bem mais que um sexo certo. Te vejo fazendo uma força descomunal para encontros, saídas e motéis que, depois de chegar em casa, apenas arrastam o teu psicológico pra um período de abstinência. Talvez ele seja teu vício. Mania. Costume. Dose temporária de algum carinho que nem sei se outra pessoa te propõe, mas que cegamente você acredita só encontrar naqueles braços. Não quero ser cruel ao dizer isso tudo. Não quero ser alguém que prefere te ver mal que com ele, mas esse argumento de que você não aguenta ficar longe é o pior de todos. Ele te separa da coisa mais preciosa dentro de um relacionamento à dois: a felicidade. Percebe como que “ser feliz” e “estar com alguém” são coisas que caminham juntas, ainda que possam ser vividas separadamente? Claro, eu posso ser feliz sozinho como posso ter alguém e ser infeliz. Olha pra você: tem metade do homem, fica feliz por alguns instantes, mas depois se vê sozinha e lutando para ter as migalhas do afeto, os restos da atenção. Ele não vai deixar um sábado à noite com os amigos por você. E nem vai te levar junto. Você já não é mais tema das conversas de família. Você não ocupa mais um lugar na agenda ou na rotina. É sempre “vamos ver quando dá”, “a gente combina”, “tá de bobeira hoje?”. E, do lado de cá, somos nós, seus amigos, que aturamos tuas crises, teus choros, tuas ligações depois de ver alguma foto com alguma garota em algum lugar. Aturamos porque te amamos, mas dá vontade de te sacudir algumas vezes e dizer “por que você não engole esse amor e aprende a se valorizar?”. Eu tento, garota, mas ninguém desce amor-próprio goela à baixo de alguém. Talvez você precise quebrar (mais) a cara. Eu vou estar aqui pra te ajudar sempre, mas não posso calçar seus sapatos e andar pro rumo que eu julgo melhor. Eu fico triste? Fico, mas tenho certeza de que nunca é tarde para abrir os olhos. Um dia você vai ver que sentir amor por uma pessoa é uma coisa, ter um relacionamento com ela é outro. E, quando só um lado gosta, é impossível ir a qualquer lugar.

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

Que Diferença Faz!?

Qual a diferença se fulano ama alguém do mesmo sexo ou do outro? Qual a diferença se sicrana se agarra com uma mulher ou um homem no escuro do seu quarto? Ontem eu vi um amigo postar sobre Amor e perder seguidores. Não, não acho que você seja obrigado a aceitar e gostar de tudo, mas a respeitar sim. Posso te falar uma coisa? Sempre existiu. Tudo isso que está aí, do que você defende ao que você ataca. Sempre esteve. E, te garanto, sempre foi amor, prazer, sexo. Promiscuidade. E fácil taxar alguém de outra orientação e não perceber que o cara que dorme com 5 mulheres diferentes em 3 dias também caberia numa definição assim. Ou será que cabe? Acho que deveríamos cuidar mais de nossos próprios rabos antes de sair por aí cheirando e denunciando o dos outros. Acho que temos de enfrentar mais os nossos próprios preconceitos e ver que não será uma cara feia ou uma opinião “abalizada” que mudará alguma coisa na vida de alguém. Olha, eu aprendi que toda repressão sempre tem uma reação, e essa reação pode te afastar de pessoas ou te colocar no centro de uma briga. Brigar pra quê, se estamos falando de Amor? Juro, eu não consigo entender. E se vierem argumentar que não pode se beijar escandalosamente em público, que não pode ser visto de mais dadas e que não podem assumir, vou sempre responder: qual a diferença que isso faz pra você? Um casal se agarrando na rua pode ser de mal gosto independente do casal. Andar de mãos dadas é carinho. Quantos pais não fazem questão de manter isso com os filhos? E amor não é crime para ter que “assumir” nada. Vamos pregar a maior religião que existe: o Amor. O resto é preconceito. E se surgir a pergunta no final, não, eu não sou gay, só defendo o direito das pessoas amarem quem elas quiserem. E isso não muda nada na minha Vida. Que sejam felizes. Que gozem. Que aproveitem. Até por que, quem goza não inferniza a Vida alheia. Nem denuncia textos. Nem perde tempo torcendo contra algo que nem lhe compete. Sejamos Amor. Vistamos Amor. Vivamos o Amor.

#aaaaaahlacombe

Imagem

Já Me Esqueceu, né!?

Ela abre uma rede social e vê a foto do ex com a atual. Ri depois de se comparar com ela e pensa “me trocou por isso!?”, mas logo para. O sorriso no rosto do casal incomoda e ela manda “JÁ ME ESQUECEU, NÉ!”. Rola um sentimento de posse ruim nessa hora. O amor vivido não foi esquecido, mas o que se sente é um misto de ódio em ver que ele seguiu e prazer em saber que ela é mais bonita. Mas o sorriso continua ali. Não, nada diz que eles são namorados, há quanto tempo se conhecem, mas ela já presumiu aquilo tudo. Acha até que já viu aquele rosto em alguma foto com ele antes, mas não consegue se lembrar. Arquiteta universos inteiros só com a sua paranoia e cria mundos completos só com as besteiras que sua imaginação é capaz de contar. Pensou em ligar. Pra ele. Acabou conversando com uma amiga que mandou: lembra daquele suplemento que você comprou que vinha dizendo “para melhores resultados tenha uma dieta balanceada”? Então, a própria embalagem já dizia que nessa vida não existe milagre. A perna não vai engrossar sozinha, a barriga não vai chapar sem dieta e, acredite, teu coração não vai esquecê-lo de um dia pro outro. Ela riu da analogia. “Que horrível”, falou, mas viu que era verdade. Quando terminou o relacionamento, cortou o cabelo, voltou a correr e decidiu se cuidar mais. Tinha dado certo. Sentia mais gente olhando, mas o sentimento ainda resistia. Talvez aquela foto tenha servido pra alguma coisa. Pra motivar a se abrir, a viver coisas novas. Perguntou qual era a boa e foi embora pra casa da amiga levando uma mala de roupas. Sim, uma mala pra uma noite. E, naquele dia, bloqueou o ex, como quem precisa de uma camisa de força para não esticar a mão ao que vicia. Bloqueou, sim, e não viu, meia hora depois, que ele tinha editado a legenda e escrito:

parabéns pela formatura, prima!

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

Alguns Términos São Livramentos

É muito estranho ver alguém se distanciar e dar mais alívio que saudade. Alguém que era tão próximo, que sabia tanta coisa de mim, mas que foi apertando tanto a rotina que sufocou os pensamentos, diminuiu todos os espaços e acreditou que cercar alguém era amor. Era, sim, mas… sei lá. Fica um gosto esquisito na boca do fim. Entendo quando alguém me olha e diz “você se livrou”, mas não é assim que o coração percebe a realidade. Entende? Talvez alguns dedos apontem e digam que era abusivo. Abusivo uma ova. Problemático, quem sabe, mas eu fui me sujeitando e, quando vi, aceitava coisas porque gostava. Aqui, mais uma vez, dirão “abusivo”. Ainda me parece estranho. Vi uma vez numa revista que algumas pessoas vivem essa situação e não percebem. Precisam que alguém de fora diga, mostre e, em certos casos, tire daquela realidade. Mas por quê? Se o outro me prometeu mudar, por que não acreditar? Cheguei a me comparar várias vezes com várias outras amigas que viviam coisas piores. Nunca apanhei, nunca deixei de sair. Tinha que aturar ciúmes e desconfianças, mas que casal não passa por essas coisas? Quando eu dizia que era “complicado” terminar, muita gente me falava que eu é quem complicava tudo. Não sei. Sei que hoje me sinto assim, com mais alívio na alma do que peso na consciência. Mais vontade de viver essa nova fase do que saudade do que passou. Ficam as lembranças, claro, mas não consigo deixar de achar estranho. E pensar que, no final das contas, nem fui eu quem colocou o ponto final. Vai entender. Talvez fosse tão maluco que tudo foi meio fora de lugar e de ordem. Talvez eu tenha me livrado mesmo, falta apenas descobrir.

[ Gustavo Lacombe ]

Quer me levar pra casa? Compre meus livros!
Aqui: http://www.gustavolacombe.com.br/livros