A dor de Amor a gente cura com outro Amor?

Eu fico imaginando com quem você usa aquela saia que eu te dei. Uma de listras que você tinha que quebrar a cabeça pra saber com qual blusa vestir e que eu ficava cobrando pra usar comigo. Ou, pior, aquela lingerie preta. Lingerie que tantas vezes já virou a minha cabeça. E eu sei que usa porque você me disse, numa outra conversa, que ela ainda cabia. “Ainda fica sensacional”, disse imitando as caras e bocas que eu fazia ao te ver vestindo ela.

Só ela.

Me pego imaginando as pessoas que te encontram por aí, pra quem você se dá e os domingos sozinha em que fica em casa. Claro que isso tudo é problema seu. Não quero me atrever a regular nada. Nunca pude e nem posso agora. Me encaixo, incrivelmente, nas lembranças misturadas ao presente e pareço começar a pintar uma miragem. Eu e você juntos. Só que em sonho.

Queria, sim, poder sair desse turbilhão de sensações, mas acho até natural quando cultivamos um carinho tão grande por alguém. Eu fico imaginando coisas e sei o quanto eu deveria cuidar de mim. Voar pra longe. Há quem tente me ajudar, tirar essa confusão de mim. Há quem diga que não vale a pena, mas eu sempre rebato dizendo que as maluquices são minhas e os devaneios não vão sumir num passe de mágica.

Get over it, uma outra amiga me diz – aproveitando minha fragilidade para me dar um selinho. Não, cara. Não é isso que eu quero. Não é pra trocar, não é pra substituir, não pra me distrair. Não funciona assim. Os erros vão continuar ecoando na minha cabeça junto com aquele último encontro. Se fosse apenas questão de colocar outra pessoa no lugar não existiria todo esse drama.

Eu sempre duvidei do “curar dor de Amor com outro Amor”.

Espero, de coração, que você esteja feliz. Ainda não consigo te encontrar sorrindo por aí, mas desejo que (longe de mim) você esteja bem. E eu vou me cuidar mais. Porque quando a gente enfim consegue entender que não faz mais parte da Vida do outro, a única coisa que resta a fazer é cuidar de si. E eu vou cuidar de mim.

[ Gustavo Lacombe ]

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Bola Dividida

Não sei de onde as pessoas tiram essa coisa maluca de que não é possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo. Ora, se somos tocados de formas lindas por gente que quer o nosso bem, o interesse em manter aquela relação pode surgir e logo despertar sentimentos maiores por mais de um alguém. A diferença, acredito, está no respeito e na sinceridade com que se leva todo esse emaranhado e embolado de paixões no peito. Gostar de duas pessoas não é o problema; trair a confiança delas e faltar com respeito, sim.

É tipo aquelas situações em que se namora um sabendo que o coração também bate acelerado por outro. Uma história antiga, talvez. É errado? Não posso ousar dizer que é. Existem tantas situações adversas e complicadas ao se falar de Amor que começar a tentar impor limites e cercadinhos, diminuir ao “pode e não pode”, torna o sentimento algo mecânico e lógico. E, claramente, a única coisa que não funciona muito bem perto disso tudo aí é a razão.

Então, se você se pergunta o que fazer num cenário em que este caos está armado, tenha certeza de que o que você tem nas mãos não está te satisfazendo completamente. Como eu disse, não é estranho nem anormal sentir que outra pessoa causa comichões no peito e cosquinhas na alma, a diferença básica aqui é que quando estamos felizes numa relação não conseguimos pensar em ter outra coisa com qualquer outra pessoa. Pelo menos eu penso assim.

Estando solteiro, acredito, o peso dessa maluquice toda pode até diminuir, mas não acaba. Isso porque estando com mais de um ao mesmo tempo e cultivando coisas boas nesses encontros, também se cria expectativas que, no final, vão acabar machucando alguém. Complicado, eu sei, mas é o preço que se paga por tentar viver mais de uma história por vez.

Sei que o assunto é polêmico, mas perceba o quanto me esforço para pontuar que, no final das contas, o mais importante é o respeito que se leva por quem está em nossas vidas. Trair é sempre a última e pior das opções. Não tá legal? Quer terminar? Beleza, termina. Porém, não destrua tudo aquilo que foi construído com zelo e dedicação. Às vezes confundimos uma empolgação de momento com algo que ela não é e nunca será.

Se ao destrinchar o coração você ainda não tiver certeza de como agir, tenha coragem suficiente para não empatar a vida do outro. Ninguém pode ser culpado pela nossa confusão. O gostar não é o problema, atrasar o outro, sim. E estando mais que certo de que é impossível se decidir para onde seguir, fique sozinho. Pelo menos ninguém sai machucado dessa zona toda.

Qual o Limite do Amor por alguém?

O Amor é um sentimento que não tem limite.

Respondo logo a questão para que você tenha a opção de parar esse texto se assim quiser ou, decidindo continuar a ler, desvendar algumas questões juntos comigo tentando vislumbrar uma outra perspectiva para essa pergunta.

Eu acredito que o Amor que sentimos por alguém não tenha limite. O tanto que ele cresce dentro de nós é o tanto que o peito consegue suportar. E você já viu coração com paredes? O sentimento vai ocupando o que dá, consegue e encontra de lugar. Quando vê, toma um espaço que você nunca tinha imaginado que pudesse ocupar. O coração não parece ter o tamanho original; você é todo ele.

Não acho errado se entregar totalmente. Não quando você encontra no outro um terreno fértil para isso. Sou meio contraditório ao dizer para não se criar expectativas, mas sendo o outro tão bom e fazendo planos, como não cultivá-las e viver aquele gostinho bom de imaginar uma caminhada inteira junto de alguém? É muito difícil não o fazer.

Entretanto, errando conosco a outra pessoa, essa infinitude toda se põe ameaçada. Queria muito poder te dizer que quanto mais o carinho cresce, maior é a chance de não acabar. Infelizmente não funciona assim. Não funciona porque numa relação as ações de ambas as partes devem ser levadas em consideração. E um erro nunca passa impune ou deixa o que se sente incólume.

A construção se abala.

Aí, enfim, chegamos ao ponto de esclarecer o que pode delimitar esse Amor: o respeito e a tolerância. Digo sem medo de errar que só consegue amar plenamente alguém aquele que sabe respeitar o outro. E, do outro lado da moeda, aquele que sabe tolerar algumas coisas, aprendendo a ceder e entender que numa relação nem sempre seremos apenas felizes. Decepções também acontecem. Perdoar é preciso.

Levando isso em consideração, damos de cara com o ditado “tudo tem limite”. Tudo depende do peso que você aceita carregar. Tudo vai de acordo com a linha tênue entre gostar do outro e gostar de si mesmo. Tudo vai de conseguir enxergar o quanto que se dá e o que se recebe; reciprocidade é preciso – mesmo sabendo que sentir igual é quase utopia.

A melhor resposta? O Amor é um sentimento que não tem limite, cresce o quanto pode, mas é delimitado pelo respeito e tolerância. Onde não existe uma harmonia entre esses fatores não pode existir uma relação saudável. Pode, sim, haver algo entre duas pessoas, mas claramente será prejudicial para alguma das partes.

E, até onde vai o meu entendimento sobre o assunto, Amor bom é aquele que faz bem. Aquele que respeita o outro como ele é, que abraça, carinha e, acima de tudo, não abusa do sentimento tão lindo que existe ali.

 

Rótulos, Embalagens e outros Invólucros

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Rotular qualquer coisa pode ser ruim. Tratando-se de pessoas, então, pode ser pior ainda. Fofoqueiro, galinha, santa, egoísta ou qualquer outra palavra que defina alguém, acaba sendo usada num sentido pejorativo. Portanto, é preciso pensar bem antes de estabelecer que o limiar das suas relações será pautado pelo nome que dá a elas. Principalmente no campo do amor, onde cada vez mais as pessoas se prendem ao detalhe de um nome.

Só para poder chamar alguém de “meu” ou “minha” e, enfim, levar o sentimento a sério.

Sei que nem todo mundo que pede em namoro o faz porque se sente inseguro, mas seria ingênuo da nossa parte acreditar que colocando apenas uma palavra no meio de um casal tudo mudará. Confiança, respeito, carinho e outras atitudes ligadas a um relacionamento a dois surgem bem antes de um pedido oficial. Se elas não existem, não será uma embalagem bonita que mudará alguma coisa.

Talvez role aquela saia justa na hora das apresentações para pais e familiares. Vocês são amigos, ficantes ou namorados? Todas essas palavras tem o seu peso. A primeira pode indicar que não existe nada e que os dois continuam fazendo o que quiserem e com quem quiserem. A segunda apenas diz que rola um beijo na boca ocasional. Agora, a terceira é a iminência do casamento.

Se você ainda acredita em alguma coisa assim ou parecida, parabéns. Você está errado.

Tudo depende de quem se relaciona contigo. Uma pessoa mais tradicional, criada com costumes mais antigos e que ainda os mantém, vai demonstrar que espera o pedido de namoro. Vai querer cumprir as etapas e mostrar que nomear o que existe entre vocês dois é importante. Já outra, pode nunca se importar com isso e conduzir a relação pela forma que o envolvimento se dá e ir se entregando conforme sente a reciprocidade no outro.

O amor acontece naturalmente, sem precisar ser forçado a caber num invólucro que diga de qual tipo é. Embalagens podem ser mentirosas, enganando quem olha de fora e iludindo quem está dentro. Acredito que seja preciso apenas ser sincero. Assim, a força de um “a gente tá junto” de verdade é tão grande quanto uma aliança de ouro no dedo.

(Gustavo Lacombe)