Imagem

Queria Dormir Contigo Hoje

Queria dormir abraçado contigo hoje.
Não apenas hoje, claro. Essa já é uma saudade que vem sendo cultivada desde a última vez que você esteve por aqui, mas que parece ter atingido o seu ápice agora à noite. Amanhã, acredito, estará pior com certeza. De qualquer jeito, hoje tá foda. Hoje bateu bem forte a falta. O calor do dia me faz colocar o ar-condicionado do quarto no máximo e você sabe de como gosto de te encontrar debaixo do meu edredom. Do seu lado, sei que sempre enrosca as pernas em um travesseiro e cola teu rosto noutro. Quando a gente dorme junto, eu faço o papel dos dois. É bom poder ser o teu conforto. É uma delícia fazer cafuné em você, passear meus dedos cheios de amor pelas tuas costas e ouvir tua respiração se acalmar no meu peito. Gosto até de quando você me sacode de levinho e pergunta “ué, mas já dormiu?”. Eu abro os olhos dando de cara com o teu sorriso. Pelo visto dormi e parece que já tô sonhando. Queria você aqui. De pijama ou babydoll, só de calcinha ou sem nada, com uma camisa minha ou sua, mas aqui. Tão perto dos meus olhos quanto do meu coração. Perto das batidas apressadas do meu peito como naquela vez em que tive um pesadelo e acordei de madrugada te agarrando. Sonhei que a gente tinha terminado, mas você estava bem ali, lembra? E a gente acabou fazendo amor no meio da noite e se declarando mais e mais. Hoje, independente do que poderia rolar, só te queria coladinha comigo. Corpos, almas e amores. Abraços, beijos e a confusão de pernas característica de duas pessoas que tentam a mágica de serem uma só. Queria você aqui nessa noite porque sinto falta, principalmente, de uma das melhores coisas que pode existir:
Acordar, olhar pra você e dizer “eu te amo” misturado ao bom-dia.
[ Gustavo Lacombe ]
“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, pode ser encontrado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros
Imagem

Saudade Eu Sinto Todo Dia

A rotina de carregar uma Saudade é como sentir todo dia a fisgada de um membro amputado. É como se faltasse uma parte literalmente. E é como se você sentisse que, mesmo apartada, esse pedaço seu ainda sinta tudo. Ainda dói, ainda ecoa forte o grito da amputação. Ainda parece que tudo está ali.

Mas, obviamente, você não está mais aqui.

Não sei os motivos e perdoe a minha ignorância em não querer sabê-los, mas hoje se comemora o dia da Saudade. Quem comemora? Comemorar o quê? Que a Vida está uma grande bosta, talvez? Que tudo está visivelmente no seu lugar, mas a arrumação não denuncia a falta do bem mais precioso que existe nessa casa: o Amor.

Sei que existem diversos tipos da Saudade, mas quase ninguém se lembrar de que ela pode ser boa. Saudade é uma doença da qual se aprende a controlar os surtos, até que uma hora ela volta com força. Não existe remédio, antídoto ou vacina. Existe, sim, a cura, mas sei que pra minha saudade eu nunca vou encontrar tal saída. Sei que terei de conviver com a certeza de que você não vai voltar.

Mesmo a porta continuando aberta, meu bem.

Pode ser que você não leia mais nada dessas sentimentalidades que eu escrevo e jogo pro Universo. Engraçado como a gente se pega falando tanto de um sentimento que parece possuir, mas, na verdade, o que existe é a grande ausência dele. As pessoas tem essa mania de falar daquilo que as falta, nunca aquilo que tem. Pedem desesperadamente para terem, mas esquecem de agradecer. Esquecem de valorizar.

Perder um grande Amor, dependendo das circunstâncias, deveria ser considerado crime. Porém, a pior prisão que existe se chama Arrependimento.  Divide-se a cela com a Culpa e o carcereiro é a nossa já falada amiga Saudade. E ela sempre vem, com seu sorriso amarelo, só pra lembrar que ninguém virá pagar a fiança. Eu sei que já não valho o preço.

Sei que a sua volta é uma aposta alta demais pra sua felicidade.

Sabe lá Deus por que hoje se comemora esse tão abominado dia, mas foi sufocado pelas lembranças que ainda carrego que decidi aliviar o peso do peito e te escrever. Talvez só sirva para a ferida voltar a sangrar. Talvez tenha um efeito bem melhor do que o esperado, mas falando em expectativa, eu apenas espero que você tenha chegado até o fim destas linhas.

Saudade eu sinto todo dia, toda hora.
Amor eu nunca deixei de sentir.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor é Para os Raros”, meu segundo livro, está e pré-venda e pode ser adquirido aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros

A Saudade é Uma Máquina do Tempo

Fecho os olhos e estou em outro lugar. Ainda com a cabeça no mesmo travesseiro do meu quarto, mas não é o teto que encaro. Teletransportado em menos de segundo. Ali, de abertos olhos e sorriso largo, estou frente a frente com ela. O peito aperta. Na minha mais maluca e ensandecida vontade de revê-la, busquei nosso momento mais feliz na memória e comecei a rezar mais ainda para que ficasse preso ali. Um bobo.

Perfeito idiota.

O corpo, mesmo com a esperança de sentir o calor dela novamente, continuava envolto aos lençóis frios. Na miragem, a boca saliva e logo estou pronto para o nosso beijo. Ficam à flor da pele a vontade, o carinho e o ódio comigo mesmo por a ter deixado ir. Sei que aquilo não está acontecendo de novo. Sei que é um sonho louco. E não adianta terceirizar a culpa. É minha. Com tanta coisa ruim agora entrando na cabeça, me pregam uma peça e sou atirado a um outro momento.

Ninguém está preparado para ouvir de quem ama que acabou. Meu devaneio me fez retornar a esse momento. A Saudade é uma máquina do Tempo, mas nunca se sabe onde ela pode parar. Fora de controle, me debatia em minhas próprias recordações de nós. Vi muitas coisas boas, claro, mas tive que olhar de novo para as ruins. Se eu pudesse, consertaria todos os meus erros. Se eu pudesse, lavaria todo o choro e levaria todo o mal que a fiz. Se eu pudesse, faria muita coisa diferente.

Mas, obviamente, não posso.

Fico torcendo para que, onde quer que ela esteja, o sorriso mais bonito a acompanhe. E por mais que a Vida siga, eu nunca a esqueci. Seguir é bem diferente de deixar ir.

[ Gustavo Lacombe ]

Imagem

A Verdade é Que Eu Minto

Eu sinto tanto a sua falta. 

Eu fico querendo me fazer de durão, de forte, mas no fundo eu sou bem frágil. Fico lembrando dos seus sorrisos com os meus e me vejo totalmente perdido agora. Não sei pra onde olhar, não sei onde estão aqueles nossos abraços, onde ficaram todas aquelas juras. Nós não éramos vazios. Nossos “te amo” eram cheios de carinho. E eu tô com tanta saudade de você. É foda ter que admitir assim, te mandando mensagem meio desesperado, saber que você vai acabar só visualizando e pronto. 

Queria poder bater na sua porta, olhar dentro dos seus olhos e ter a certeza de que esse é o único jeito. Tirar a prova, entender de uma vez por todas. Eu mal sei de você hoje em dia. Não tenho notícias, mal sei dos seus passos. A verdade é que eu minto muito todos os dias. Escondo num sorriso e nos meus gestos – aparentemente confiantes, toda a tristeza e incerteza quanto ao que faço. Claro que mantenho a determinação nos meus projetos, mas falta muito do teu apoio. Claro que continuo batalhando.

Mas era a tua mão segurando a minha que fazia eu me sentir invencível. 
Já não me acho em poucas palavras, me comovo em excesso quando relembro nós dois e não consegui te esquecer. Nessas noites tão vazias, fui me obrigando a viver em troca de algum meio que me fizesse abstrair o que sentia. Vivo sozinho. Solitário. Frio. E sei que o único calor capaz de me aquecer está longe demais agora. O tanto que você me falta eu tenho coberto em pranto, mas não adianta. Falta um pedaço grande demais em mim sem você aqui.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:

http://www.bitly.com/LivroLacombe

Imagem

Saudade de Você, um Buraco em Mim.

amor1

Estão faltando seus olhos no espelho do banheiro. Seja retocando a maquiagem ou simplesmente se olhando enquanto escova os dentes e se pergunta se aquela olheira um dia sai. As noites são sempre curtas ao lado de quem a gente ama, eu sei. Falta também o teu cheiro no grudado no lençol. Aquela essência tua que fica por dias na roupa de cama e que sempre penso três vezes antes de botar pra lavar. Penso que podia ter teu corpo aqui marcando o tecido do sofá.

Queria você ali jogada ou deitada no meu colo pedindo cafuné.

Eu tô querendo pedir mais do teu carinho. Mais de nós dois. Esse sentimento tão maluco que se fez presente em mim de uma hora pra outra tem me feito pensar em “antes” e “depois” de certas coisas. Você como marco zero da felicidade. Sinto muito a sua falta, sabia? Tipo, quando você começa a pegar no sono e eu me mexo na cama, até a tua reclamação de “fica quieto” me dando um soquinho no braço me faz sorrir. Ou, então, quando pede pra eu desencostar no meio da madrugada dizendo que está com calor.

Fico imaginando ouvir teus passos pelo corredor, torcendo pra que não seja o vizinho, mas uma visita surpresa. Queria que o olho mágico te colocasse do outro lado da porta agora. “Meu bem, só vim te ver”, seria tua fala. Ou não falaria nada e já chegaria me agarrando pra gente colocar o amor e a vontade em dia. Tem faltado tuas palavras na minha rotina, o ventinho que sai da tua boca enquanto fala e que me faz sorrir só de ouvir o som da tua voz.

Sinto isso tudo, mas você sabe o quanto sou reticente para começar a declamar “não sei viver sem você”. E, aqui, já ouço todo o teu discurso sobre como é preciso manter a individualidade de cada um. Até desses teus monólogos eu tenho saudade. Paro pra te escutar e viajo. Fecho os olhos e te vejo. E viajo de novo.

Falta um monte de coisa, mas sobra saudade.
Saudade de você, um buraco em mim.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
http://www.bitly.com.br/LivroLacombe

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos
@glacombetextos

Com você eu vivo, Sem você sobrevivo.

  

Eu poderia muito bem viver sem você. 

Não sou daqueles que chega ao ápice do drama e diz que “eu não vivo sem você”. Vivo, só não faço isso muito bem. Sobrevivo. Sou capaz de levar alguns dias em seqüência sem que sequer me dê conta da sua falta, mas inevitavelmente uma hora a conta chega. Procuro alguém pra contar minhas besteiras, pensar comigo os assuntos e dividir coisas novas. Não acho ninguém. 

Não é que eu busque você em outras pessoas, tente achar as suas qualidades e defeitos num novo encontro. Nada disso. É que me falta você. Para o bom e para o ruim, para a alegria e para a tristeza, para o dia a dia e para os planos. Sim, já disse que poderia passar por tudo sem a sua presença novamente aqui. Ainda respiro, ainda busco meus objetivos, ainda trilho meus próprios caminhos e assim vou vivendo, mas de mão de dada com meu ego. 

Aliás, travo brigas homéricas com ele sobre se devo ou não te procurar. Quanto mais eu digo que quero, mas ele me nega a necessidade disso. Minha cabeça me faz imaginar meu corpo em outros abraços, mas sempre acabo fantasiando tudo contigo no final. Eu estou levando, só não estou fazendo isso muito bem. Por mais que alguns dias sejam bons, percebo que eles são todos muito iguais. Falta a graça da coisa. 

Viver sem você eu até consigo, mas é que a vida é muito melhor com você aqui perto de mim.

[ Gustavo Lacombe ]

Me siga! Instagram: @glacombetextos / Twitter: @guslacombe

Quer ler mais de mim? Meu livro pode ser adquirido aqui: http://www.bitly.com/LivroLacombe

Imagem

Vale a Saudade

 

tumblr_ls7j8bNDi41qhq6ibo1_500

Porque, quando dá saudade, não há hora do dia que te diga “não ligue”, “não procure”. Pode ser de madrugada, pode ser de manhãzinha, no meio da tarde onde aquela obrigação não pode ser adiada. É sim, sem freio e sem nada na cabeça. Ou melhor, com alguma pessoa especial demais para deixar que a saudade esfrie.

Como se conseguisse, né?

Mesmo que pareça arrefecer, basta alguma outra coisa aparecer pelo caminho para ela voltar com o dobro da força, triplo do tamanho e sabe-se lá quantas vezes mais intensa. Solução tem, mas não acredito que seja em definitivo. No instante seguinte em que a presença se tornar passado, o espaço volta a ser preenchido pela falta. Ainda assim, vale o risco.

Vale te ter alguns curtos momentos ao meu lado e outros mais longos longe. Vale, mesmo que o tempo seja distorcido pelos meus sentidos e o que ocorra seja exatamente ao contrário. Cinco minutos a mais ao seu lado certamente não são o mesmo que cinco longe de você. Ainda mais quando a solidão me abraça. Obviamente, um abraço que nunca será parecido com o seu.

De qualquer modo – e, por favor, não se incomode com os meus devaneios provocados por estar distante demais do seu carinho -, isso tudo é só pra dizer: apareça.

Porque qualquer risco de sentir saudade de novo sempre é compensado com a chegada do seu sorriso.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos
@glacombetextos

Imagem

Retratos

Retratos

Me pego olhando um retrato nosso e lembro da cena. Você irritada comigo, eu sem saber o porquê, e mais um daqueles dias típicos em que sobrava carinho na hora de fazer as pazes. Como eu te amava, me lembro. Dentro daquele abraço, do qual você tentava se soltar a qualquer custo, te prendia com a certeza de que não haveria mais ninguém para caber tão perfeitamente em mim.

E ainda não há.

Paro, reflito e te procuro ao meu redor. Não tem nada seu por aqui. Estou no trabalho e mal tenho tempo de continuar minha meditação em nós dois. O dever me chama. Tem dias que eu mal consigo tocar no celular. Nossas conversas, tão intactas no tempo, às vezes são lidas sem pressa nessas noites em que eu preciso dormir, mas me falta seu braço.

Não estou feliz, admito. Tenho, sem dúvida, momentos em que vejo seu sorriso e uma paz sem limites me invade. Talvez seja esse o significado de alguém nos fazer bem mesmo não estando tão perto assim. Fico imaginando como poderia encher seus ouvidos por uma meia hora sem conseguir contar tudo que se passa aqui dentro. E, mesmo assim, consigo resumir tudo numa única palavra.

Saudade.

Volto ao retrato, procuro algum outro. Acho um em que estamos sorrindo, daqueles dignos do seu comentário de “estou feia” – enquanto eu te acho linda. Nessa também me recordo de como eu te amava. E sorrio. Me rio. Me desconcentro. Me pego entendendo que te amava de um tanto que ainda sobra amor aqui dentro.

Pra mais foto. Pra mais sentimento.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

Imagem

Como Numa Oração

Você pode ler esse texto ouvindo "I Say a Little Prayer", Aretha Franklin.
Você pode ler esse texto ouvindo “I Say a Little Prayer”, Aretha Franklin.

Acordo e penso.

Primeiro eu penso se você ainda está dormindo. Depois, penso se você ainda está acordado e se passou a noite inteira em claro por conta de um problema ou por causa de alguém. Penso isso tudo, certamente, antes mesmo de levantar da cama. Até agora eu vi: o branco do teto, a pintura pendurada na parede e o armário com a porta entreaberta e empenada que ainda não foi consertada por falta de tempo.

Levanto, vou ao banheiro e vejo o rosto sonolento no espelho – que julgo não poder ser tão meu assim. Parece somente um esboço, longe do que eu vejo nas fotos que guardei de nós dois juntos estrategicamente num lugar escondido e de fácil acesso. Ainda penso. Nessa hora, nenhum vestígio de ciúme me passa pela cabeça. Como numa oração, peço apenas que esteja bem onde quer que bem esteja.

Trabalho.

Durante um dia inteiro te encontro nos detalhes. No café de máquina que você detestava reclamando do gosto de metal e bebendo do mesmo jeito, na caneta que me deu de presente e riu quando fiz aquela minha cara de “que raio de presente é esse?”, nas notícias de que o mundo está mais quente, mais violento e menos amoroso com direito a uma fala sua invadindo meus ouvidos e assaltando minha atenção com “onde nós vamos parar?”.

Não, eu não me pergunto “onde nós paramos”. Eu sei exatamente onde foi que paramos e porque não continuamos. Olho para as minhas mãos, aperto minha roupa tentando me concentrar no que estou fazendo, mas logo fico me perguntando como será que você está vestido. Os dedos largam o algodão sabendo que ele em nada se parece com os seus cabelos. Eu sempre gostei do jeito que se vestia. E de me embaraçar em você também.

Sorrio. E logo levo um esporro do chefe pela desatenção em algo. De volta à realidade. Ainda penso. Durante o trajeto para casa, ao chegar, ao preparar o meu jantar, ao cumprir minhas tarefas, ao realizar meus hobbies, ao relaxar.

Ainda penso porque, quando se carrega um amor, tudo faz lembrar. Mesmo que eu prove e me cerque de coisas novas, de pessoas diferentes e sensações que nunca senti, ainda penso. Até antes de dormir penso e, como numa oração, peço apenas que esteja bem onde quer que bem esteja.

Ainda penso. E ainda amo.

(Gustavo Lacombe)