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Fio de Cabelo

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dê o play e leia: Chitãozinho e Xoróró – Fio de Cabelo (http://www.youtube.com/watch?v=I_FVqBJaYxU)

Seis e vinte, acordo com o despertador da cafeteira – a melhor invenção dos últimos tempos no meu mundo.

Café quente pronto e fumegando e me sorrindo, parece até não me importo em acordar no meio da cama de casal vazia e fria. Segunda-feira. Lá vamos nós pra luta. Chega a dar preguiça, como todos os dias, mas existe algo de especial na segunda. Algo pra pior claro. Por mais que eu mantenha meu otimismo em dia, a vontade de voltar pro fim de semana fica sempre latente no corpo. O que era mais estranho ainda naquele dia é que, mesmo mantendo a sua aura horrível de primeiro dia de trabalho na semana, não queria voltar pra lugar nenhum no fim de semana.

Queria era esquecer a porra toda que tinha acontecido.

Minha sorte é passar o dia inteiro fora. Se fosse um escritor em seu homeoffice, tenho certeza que acabaria maluco. Sentar à mesa e não entender o porquê de só um prato, só um copo, uma refeição solitária. Encarar as paredes que sussurram algo de uma voz tão conhecida que me confunde e, toda vez que virar minha cabeça, parecerá que darei de cara com alguém. Não como um fantasma, mas como o resto de alguma coisa que ficou. Uma energia que os móveis, louça, tapeçaria, quadros e todo resto ainda guardam. Como aquela lâmpada incandescente que, mesmo sem o brilho de antes, ainda produz alguma luz. Luz suficiente pra dizer “eu ainda estou aqui”.

Deixei a água cair com tanta força no corpo durante o banho que poderia jurar serem dedos. A casa fazia o complô para me lembrar. Até que, no meio daquilo, as rajadas recordaram gritos. Pra quê, Deus? Todo homem se torna menino quando fala de coisas assim. Até o mais durão ou o cafajeste. Tem sempre aquela mulher que, sem nenhum motivo especial, se torna especial e faz o que quer do coração do cara. Encostei na parede, escorrendo junto com as gotas e vapor nenhum indo ao teto seria capaz de me levantar. Sentado jazia eu e qualquer vontade de continuar com aquele princípio de semana.

Não sabia se escorria a água ou as lágrimas.

A solução foi simples. Tirar o resto de shampoo da cabeça, colocar o que visse primeiro no guarda-roupa e sair correndo, como um preso fugitivo que nem ao menos olha pra trás para saber se está sendo seguido. Mas estava. Ali, agarrado ao paletó que precisaria vestir o dia inteiro, um fio dela. Primeiro, consegui rir. No meio de dez paletós do armário, consegui escolher justamente aquele com o fio preso a ele. Depois, chorei de novo. Quando a gente não está junto, qualquer traço real de que existia a presença do alguém amado é o bastante para colocar o sujeito numa montanha-russa.

Escolhi outro paletó, peguei todos os outros e levei pra lavanderia na esquina da rua. Não poderia correr o risco de dar de cara com outra situação daquela. Apesar de todos os sinais, nada fiz pra aplacar a saudade ou a falta. Quando a porta bateu, ficou a voz taxativa ressoando no apartamento e dizendo que, ainda que eu não entendesse, era uma decisão unilateral e meio egoísta mesmo. Quem vai embora falando de “unilateralidade”? Vai logo, então!, eu lembro que gritei. A gente é um tanto estúpido nas brigas.

Estava pronto. No fim das contas e das lembranças que iam e vinham, consegui me arrumar. Em pé junto a porta, senti um vento trazer um perfume. O raio do perfume dela, esquecido estrategicamente na penteadeira que ela ainda não tinha tido tempo de mandar buscar aqui, aromatiza o ar da casa. Fechei a porta e fui embora certo de que, quando voltasse, tudo estaria cheirando ela. Não, não bastava estar na minha cabeça. Tinha que invadir meus sentidos.

Não bastava muito, aliás. Bastava um fio de cabelo no meu paletó.

(Gustavo Lacombe)

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As Treze Pintas

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Ela tem treze pintas no rosto.

Excluem-se as marquinhas de nascença e cicatrizes. Aliás, o corte embaixo do queixo tem cinco histórias diferentes. O problema é que eu sempre esqueço, trato como um corte só e ela fica chateada comigo repetindo que cada uma delas importa. Cinco histórias, cinco cortes diferentes aos quais ela tem apego. Aí, ela me censura dizendo que eu não escuto nada do que fala, que às vezes uma coisa entre por um ouvido e sai pelo outro.

Fico rindo.

Nem adianta discutir argumentando que estava só provocando. As brincadeiras, em certos momentos, se amplificam e descambam pra um outro lado totalmente despropositado. Chamo isso de excesso de carinho. Ela de “falha na comunicação” mesmo. Não sei se é porque sou o mais romântico da relação ou se é a “raivinha” que causo nela, mas nem sempre estamos concordando – o que se acontecesse em qualquer situação tornaria esse romance um tanto se graça.

Entre concordâncias e desacertos, nem mesmo o número treze é consenso. Ela diz que prefere catorze e me manda procurar mais uma (ou que conte alguma duas vezes). Não vejo problema no treze. Inclusive, nem ao menos acho que traz azar.

E eu tenho mesmo é fé que a gente ainda vai muito longe.

(Gustavo Lacombe)

Olha pra mim e presta atenção!

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Você está perdendo a mulher da sua vida.

Olha pra mim e presta atenção – eu disse com todas as letras e vou repetir:

Você. Está. Perdendo. A. Mulher. Da. Sua. Vida.

Assim, pausadamente, talvez fique mais dramático. Mas veja o drama que virou isso aqui. A sua vida, a dela, a dos amigos que precisam ver os dois felizes – sejam juntos ou separados. Não é que ela pode ter quem quiser, mas, no caso, ela quer você. Será que é tão difícil entender? Tá na cara que ela te ama. E que você não está nem aí pra isso. Me corrija se estiver errado. Ou corra pro destino que você acha certo.

Pra longe ou pra dentro dos braços dela.

A gente conversa muito e é claro que você sabe disso. Eu poderia fazer segredo, mas vou ultrapassar alguns limites aqui e te contar coisas que não deveria. Ela tem sofrido, está diferente. Por mais que tente ficar bem, ela não está. Terminar com o grande amor da vida não é fácil. Quê? Não se assusta com isso não. “Grande amor da vida dela” é só uma expressão que a gente cunhou junto durante uma de nossas conversas. Sim, é esse o tamanho que você tem.

Agora, o que eu fico mais puto é ver que você não percebeu a chance que ela está te dando. Nenhuma – entendeu bem? NENHUMA – mulher que eu conheço será capaz de deixar pro homem a decisão de ficar ou não com ela. Pode ser que ela exija uma resposta imediata, pode ser que ela encoste o rapaz alguma vez na parede, mas deixar o destino em aberto e à espera de uma decisão do cara, só ela.

E se isso não for certeza de que você é isso tudo pra ela, eu não sei mais o que é.

Pense bem. Pense bem mesmo. Porque ninguém espera pra sempre e, apesar de tudo que ainda sente, ela vai seguir. Ela vai continuar com a vida dela e um dia você vai ficar se perguntando “por que não deu certo, meu Deus?”. E você vai saber a resposta.

Porque você não quis.

(Gustavo Lacombe)

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Mais Gestos, Menos Palavras

Mais Gestos, Menos Palavras

Me fizeram acreditar. Eu queria, eu deixei e assim me enganei. Entenda, não estou dizendo que você trapaceou, me sacaneou ou coisa parecida. Só que me fizeram crer numa história que não era verdade. Não por completo. Quem sou eu pra dizer que alguém está ou não apaixonado, está ou não envolvido? Até que me provem o contrário, eu levo fé nas pessoas e suas palavras.

Mas, uma hora, só palavras não convencem.

No segundo seguinte em que eu me apaixonei, eu sorri. Acreditava que estava indo no caminho certo, que era a hora certa, que você era o cara certo. E pode até ser que todos os fatores estivessem apontando pra essa bela palavra: certo. E pode até ser que meus olhos buscassem você toda hora que piscavam e eu me pegava lembrando de algo que me fazia bem. Você me fazia bem. Mas não é tão simples assim.

Não quero mergulhar de cabeça em alguém que tem dúvidas, inseguranças. Claro que isso é normal e temos aos montes, mas eu não quero me entregar a alguém que olha o passado e pensa com carinho e vontade de voltar. Não quero me jogar num relacionamento em que eu não basto para a pessoa com quem estou.

Não quero quebrar a cara.

Poderia te agradecer por ter me mostrado tudo isso a tempo. Tempo de ver o quanto a gente precisa mudar pra ficar junto, tempo de repensar a paixão que nascia, tempo de entender quase que exatamente como você é, tempo para perceber que o que me fizeram acreditar não passava de um esforço temporário.

Você quer me fazer acreditar de novo? Tudo bem. Eu ainda estou aqui. Eu quero estar aqui contigo, mas aviso que vai dar trabalho. Já me provaram o contrário do que você insistia em me dizer. Como eu disse, eu levo fé nas pessoas. Eu levo fé em você e na gente.

Mas, agora, apenas gestos vão me convencer.

(Gustavo Lacombe)

Vai Dizer que o Tempo não Parou?

Vai Dizer que o Tempo não Parou? – Gustavo Lacombe

Não, imagina só: você se arruma todo, passou o dia pensando naquele encontro e, quando tá de cara com a pessoa, trava. Eu sei que todo mundo tem uma hora que fica tímido, que não sabe como agir, queria até não ter mãos, já que mal sabe onde colocá-las. Toda a tensão do momento está nos seus ombros e, quer saber, você não está aguentando mesmo. Fica aquela cara de bobo e nada anda. A vida empaca.

O pior de tudo é que a pessoa que está contigo, e que provavelmente passou por todas as mesmas etapas que você, não age. São duas timidez impedindo que toda a expectativa de antes não se realize. Duas pessoas, sei lá, numa boate, morrendo de vontade de dançar, mas com a mão no bolso. Ficam dando aqueles passinhos pro lado, dão um sorrisinho sem graça pro outro, e a hora vai passando sem que os dois realmente dancem.

Nessa hora, e que Deus abençoe os imprevistos, sempre acontece alguma coisa. Como diria minha avó, “É Batata!”. Se você tiver no restaurante, a comida vai cair na sua roupa, se você tiver caminhando na rua, você vai tropeçar, se você estiver fazendo qualquer coisa, outra fora do roteiro vai acabar quebrando o gelo. E você vão rir, vão querer passar por cima daquela tensão que estava no ar e a as coisas vão começar a fluir.

Veja bem, não é receita de bolo. Não sei se isso vai acontecer no minuto trinta e quatro depois que ele puxar a cadeira pra você sentar ou ela disser que vai ao banheiro e te deixar esperando (ela foi retocar a maquiagem e voltou mais linda ainda). Não, essas coisas podem até acontecer depois, num segundo encontro. Sei lá, se a gente nunca sabe quando vai encontrar o caso, não tem nem como determinar se ele vai mesmo aparecer.

O mais importante é tirar proveito da situação. Se já existe toda aquela atmosfera que une as duas pessoas ali, no mesmo lugar, com o mesmo propósito de passarem o dia, a hora, a noite, um tempo juntas, é quase um jogo ganho. Lógico que a gente se decepciona, encontra alguém e não é nada daquilo que a gente esperava ou, até mesmo, conhecia. Acontece. Mas se existe a vontade de estar na presença da outra pessoa, nada pode impedir. Quer dizer… um monte de coisa pode, mas não hoje, por favor!

E então (ufa, finalmente!) o Universo age. Por algum motivo você puxou um assunto, a pessoa se interessou e vocês estão conversando descontraídos. Uma mão toca a outra, um olhar cruza com o outro e há uma sinergia ali. O peso nos ombros se foi, a expectativa fez sentido, mas já não traz nervosismo nem atrapalha. Um, dois, três risos juntos. E não mais que de repente, tudo pára.

É possível ouvir as engrenagens que movem o Mundo entrando em estado de repouso. A barulheira em volta se transforma em silêncio, ou o silêncio se transforma de breu. Apenas dois corpos se destacam e se mexem, lentamente, em direção ao outro. Fechando-se, os olhos preparam o terreno para a conclusão épica do que foi aquele dia. Ou a abertura do que será aquele caminho. As bocas se encontram, se confundem e, depois de alguns segundos, tudo volta a girar.

Já em casa, sozinho entre os móveis e a roupa jogada numa cadeira que serve de cabideiro, você volta a pensar naquela sensação. Muito louco isso. Poderia jurar que, realmente, a vida ao redor travou e ficou observando vocês dois. Você, que nem reparou no relógio que estava usando, tira-o e coloca em cima da mesinha de cabeceira. Estranho era ele não estar funcionando. Um arrepio sobre pelas costas ao ver os ponteiros travados. Não havia dúvida: até o tempo tinha parado naquele momento.Image

Sem escrever

Hey, galera!

Ontem fiquei sem escrever. Estava voltando de viagem e não tive tempo nem disposição para atualizar a página. Me dei um dia de folga mesmo. Às vezes é ótimo. Pensei muito no que escrever, e também pensei que bom por não estar escrevendo. É um exercício diário e doloroso. Uma ideia que foge e gente não tem como voltar nela, ou uma atualização que não entra e você fica doido porque não se lembra do que escreveu. É complicado.

Hoje vou tentar voltar ao ritmo normal. Programei algumas postagens (pra hoje 10/09) e pelo menos o dia está salvo. Escrevendo aqui, também, pra pedir, mais uma vez, desculpa por não ter estado presente na timeline de vocês. Confessem, foi até uma folguinha boa. Voltando a nossa rotina, espero que tudo dê certo pra vocês nesse restinho de ano que ainda temos.

Como ouvi por aí: “Até dezembro!”

Até dezembro muita coisa pode acontecer!

😉

G. Lacombe

Semana para colocar as coisas no lugar

Parece que a gente já acorda diferente, né?

Essa semana teremos um feriado. UHUL! Quinta já vai ser sexta, sexta será sábado, sábado jogará no seu lugar e domingo, bom… domingo sempre vem antes de segunda. Mas vai ser uma semana boa. Curta e boa. Hora da gente colocar algumas coisas no lugar e aproveitar o tempo livre pra fazer o que mais gostamos. E você gosta de fazer o que? Pra mim é redundância dizer “escrever”. Isso tá na cara. Só que tem mais.

Eu toco violão, canto, gosto de sair com os amigos, tomar uma gelada, ir à praia. A verdade é que eu gosto de aproveitar enquanto posso. Tem muita gente que depois, quando a rotina aperta e sufoca, fica se perguntando onde estão aquelas horas livres e os amigos que podiam fazer companhia? Muitas coisas a gente precisa deixar para amanhã e outras ficaram no ontem, sem que possamos fazer nada, e o hoje é muito curto. Precisamos saber o que fazer com cada segundo que a vida tem o dom de nos dar.

Então, galera, aproveita a semana com feriado pra reprogramar algumas coisas, ajeitar outras, repensar as prioridades. Sei que fazemos isso várias vezes no dia, no mês, sei lá, mas vamos colocar em prática. Setembro já chegou e o ano já está começando a pedir pra ir embora. Ainda tem muito tempo? Sim. Mas vai passar tão rápido quanto os segundos que voaram enquanto você lia este post!

Boa Semana a todos!