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#Clube: Todo Homem é Bom de Cama

Desafio qualquer pessoa a encontrar um homem que admita “eu sou ruim de cama”. Desafio e deixo aqui meu exagero em dizer que, encontrando um exemplar desta linda espécie que se autodeclare pertencedor de uma baixa performance sexual, eu publico as próximas edições deste livro com o nome do sujeito. E ainda lhe dou os devidos créditos e espaço para refutar minha tese, só pela sua mea culpa.

Duvido muito que encontrem.

E não digo que ninguém encontrará um cidadão que fale isto porque este tem medo de passar por alguma possível vergonha. Digo isto porque sei da soberba que todo cara tem ao julgar a si mesmo. Sei que todos eles poderiam estrelar dezenas de filmes pornôs – filmados na mesma semana, inclusive. Sei que todos pensam possuir um condicionamento físico invejável, comparado apenas ao de um jovem maratonista. Sei que são todos verdadeiros atletas do sexo.

Sei que muitos já tiram a roupa pensando “vou fazer as coisas mais loucas que ela nunca fez”. E gozam antes de fazer tudo de mais básico que elas gostariam que tivesse sido feito. Sei que muito garotinho é criado para pensar que ele é o resultado de anos de evolução humana, resumida no ato de tirar a camisa com uma música de propaganda ao fundo, fazendo carão pra garota e dizendo “você não perde por esperar, meu bem”.

Essa é a verdade: todo homem se acha bom de cama.

Fico triste, obviamente, pelas namoradas ou ficantes de amigos quando eles descrevem qualquer noite como “foi foda! Gozei umas três vezes e acabei com ela!”. Não quero a visão romântica do sutiã se desprendendo do corpo e indo ao chão. Não quero os detalhes sórdidos de como cada um fez seu oral. Queria apenas ouvir um “foi bom demais, foi uma troca, foi uma noite em que cada um se deu como podia”.

Aliás, até quero um clichê aqui ou ali. Quero que esse cara pense na chance maravilhosa que está tendo de viver aquilo e entender que, por mais que seja uma mera atração física, existe uma obrigação de tornar aquilo tudo divertido. Na minha cabeça, pode até não ter amor, mas é preciso um mínimo de dedicação em fazer gostoso.

Talvez algum homem aqui torça o nariz. Até porque, nenhum deles vai chegar dizendo alguma verdade parecida com “ah cara, gozei três vezes, foi bacana, mas no final eu não consegui fazê-la gozar também. Fiquei bem chateado com isso”. E não falam porque, na cabeça de muitos deles, basta ficar por cima como se fosse uma britadeira e ouvir a mulher gemer alto. Isso já é algo satisfatório e que corrobora a visão de que eles são bons nisso.

É por essas e outras que eu adoro o ditado “não finja o seu orgasmo, deixe o cara saber que ele transa mal”. Isso, então, se torna quase um apelo: não finja que está sendo bom quando, na verdade, está sendo uma merda. Não faça de contas que a casa está caindo quando nem a cama está rangendo direito. Um orgasmo falso pode até significar o afago no ego de quem se ama, mas pode ser a continuação da arrogância atrasada de outro.

Acredito que é uma via de mão-dupla.

Homens precisam parar de ir pra cama pensando apenas no próprio pinto. Acho que precisam e devem conversar com quem dividem a cama e o prazer. Mulheres podem continuar sendo sinceras sem pensarem que a verdade irá machucar. Pode ser esse, enfim, o caminho para termos menos pessoas frustradas em relação ao sexo – ou um número menor de gente se achando por aí.

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Hora de Dormir

Ela entra no quarto só uma calcinha, vira pra mim e fala “vamos dormir?”. Puxa o lençol e se ajeita rapidamente. Consigo ouvir um risinho e sei que ela faz esse tipo de coisa só pra me provocar. Eu vejo as costas nuas que ela me oferece e deito de conchinha. Entro no jogo. Finjo meu sono. Deixo que minha mão pare na barriga e não explore nem pra cima, nem pra baixo. Fico ali fazendo rodeios e carinhos. Nem mais perto dos peitos, nem ousando descer para o sexo. Ela não queria dormir? Pois, então, dormiremos. Acomodada no abraço, não demora muito e me chama no meio do escuro. “Amor?”, pergunta. Eu…, respondo com a voz meio nasalada. “Você me acha gostosa?”, e pega minha mão que estava ali inocente, fazendo-a descer até o meio das suas pernas. Parece que um tsunami já passou por ali. Ela está completamente molhada e faz questão de me mostrar. A esta altura, já estou excitado o suficiente para não conseguir esconder o nosso perfeito encaixe. Roço nela tentando aliviar um pouco da pressão do sangue que bombeia e dispara meu coração. “Você é a mulher mais maravilhosa que eu já tive”, digo. Ela refuta aquilo. “Não quero seus elogios. Eu sei o que a gente tem e o grau de importância de cada um, mas eu quero saber se você me acha gostosa. Quero saber se você me visse na rua, você pediria meu telefone, pensaria em mim, bateria uma por mim no banho…”, e tira o meu dedo molhado de dentro dela, enfiando-o na boca. Ainda estamos na mesma conchinha do começo. Pergunto se ela quer dar pra mim, ela diz que quer dormir. Apenas queria tirar aquela dúvida. Por que isso, questiono. Porque eu quero ser desejada. Mais? Sim, mais. Pra você, eu não te amo o suficiente? Ama, mas hoje eu quero mais que amor. Quero me sentir como aquelas mulheres que fazem o cara gozar só de imaginar estarem com elas. Antes da gente ir pra cama pela primeira vez eu já fiz muito isso. E você sonhava em fazer o que comigo? Já fiz quase tudo. Você sonhava fazer amor ou foder comigo? Os dois. E a gente já fez os dois. Até mesmo foder com amor, que é melhor ainda.  (Ainda estamos de conchinha, mas ela já está com a mão em mim e eu ainda estou tocando-a) Mas me diga o que você quer agora? Eu quero agora tudo que o teu tesão quiser me dar e, garanto: pra mim ainda será pouco. Eu dou conta, digo. Tem certeza que quer tentar? – e agora ela se vira de frente pra mim, passando uma perna pela minha cintura e empurrando a minha cabeça levemente para descer até o meio dela. “Você sabe que? Se começar, não vai poder parar, né?”, intima. Eu apenas assinto com a cabeça e desço devagar até onde ela quer. Ainda arrumo um segundo para perguntar “mas você não queria dormir?” e dou um sorriso safado que guardo para essas ocasiões. Quero, lindo, mas eu estou meio egoísta hoje. Não quero simplesmente dormir. Quero dormir molinha, e sei que só consigo isso depois de gozar gostoso. Você vai praticamente me usar? Com toda certeza. E sorriu mordendo o lábio pra mim.

Ela sempre consegue o que quiser de mim com aquele sorriso.

[ Gustavo Lacombe ]

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Você Será a Eterna “Outra”

Peraí, eu acho que não entendi direito. Você ama alguém que diz amar outra pessoa que diz amá-la também e que não tem noção alguma do que acontece, sendo que ele tem noção exata da merda que faz e você sabe o tamanho da encrenca em que se meteu. É por aí? Ou eu perdi algum detalhe?
 
Se você me disser que ela sabe desse rolo todo, vou brincar dizendo que é pra chamá-la pra um ménage, mas eu ainda tô me decidindo se fico chocado com a situação toda ou se dou na sua cara pra você tomar um pouco de juízo. Em ambos os casos eu apenas espero que você entenda a sinuca de bico em que está seu coração.

Você ainda tem um, certo?

Pode ser que eu esteja sendo um pouco duro contigo, eu sei. É que eu não consigo entender algumas coisas nessa história. Você se submete a ser a outra, me diz que isso já acontece há algum tempo, diz que ele teve outras namoradas durante esse período e ainda acredita que ele pode gostar de você. Não, ele não gosta.

Detesto ter que ser o cara que coloca os pés de alguém no chão, que corta os balõezinhos de felicidade ou dá esse choque de realidade, mas alguém que ser o filha da puta da parada. Alguém precisa fazer o trabalho sujo, entende? E eu prefiro tentar te fazer sacar isso tudo antes que a merda fique maior. Antes que alguém se machuque feio nessa história. Antes que você comece a criar esperanças de não ser mais a outra.

Você não tem, né? Só faltava essa.

Até porque, parece que está bem certo que você será a eterna “outra”. Ele não gosta de você, ele gosta da sua disponibilidade em atendê-lo quando ele precisa. Tá, ele pode gostar de você sim, mas nunca será o suficiente para te promover – se é que a gente pode falar assim. Eu mandaria você pular fora, só que você fala até que “ama”.

E quando se coloca o coração no meio, pode jogar fora qualquer conselho.
Qualquer tentativa de ajuda é inútil.

[ Gustavo Lacombe ]

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Lacombe Responde: Sexo Representa Intimidade?

A Mariana F. de Recife me mandou a seguinte pergunta:

“Lacombe, fico com um carinha da minha faculdade. A gente se pega, vai pra cama e tudo, mas fingimos que não nos conhecemos pelos corredores. Afinal, sexo representa algum grau de intimidade? Fiquei pensando nisso e queria a sua opinião como homem. Que a gente só quer isso, eu sei, mas essa coisa de nem olhar um pro outro, às vezes, me deixa incomodada, sabe?”

Mari, vou começar respondendo logo a sua pergunta para que a gente não perca muito tempo:

Não, sexo não representa intimidade. Pra mim, sexo pode ser apenas uma vontade, um tesão que bate e você quer saciar. Entende? Uma necessidade fisiológica para certas pessoas inclusive, mas fica longe de ser intimidade. Há quem não consiga entender e aceitar essa separação, mas parece justamente ser a realidade em que vocês estão vivendo agora.

Até porque, intimidade representa uma troca muito maior do que simplesmente tirar a roupa fazer umas sacanagens com o outro. Pra mim, intimidade se tem com quem você pode contar, desabafar e procurar em qualquer momento – seja ele bom ou ruim. Intimidade é convidar para ir na sua casa, conhecer seus pais, sair nas fotos de família e, claro, saber de perto como anda a sua Vida. É uma série de fatores que te fazem colocar aquela pessoa num outro patamar que as demais.

Vou entender se você me disser que também considera o sexo como uma forma íntima de se relacionar. Claro que é. Porém, ele passa a ter outra conotação quando vai para esse lado. Ele representa uma maneira de demonstrar carinho, afeto e até o mesmo tesão e vontade descritas anteriormente, mas num grau de envolvimento com o outro bem mais elevado.

Passa a ser bem mais que apenas tirar a roupa e acabar na cama. Conheço pessoas que só transam quando se sentem muito seguras com o parceiro e com os próprios sentimentos, porque consideram o sexo como algo para ser feito com amor. E, se pensarmos bem, essa é uma das melhores formas de se fazê-lo mesmo.

Existe alguém errado nessa história? Não. Cada um leva a sua verdade e enxerga o ato em si da maneira que lhe convém. Havendo respeito e consenso de ambas as partes, todo mundo sempre sai ganhando. Se houver algum sentimento bom a mais, melhor ainda. Se for apenas atração, tudo bem também. Se for só isso, como acontece com você e esse carinha, qual o problema? Vocês não devem nada para ninguém.

O que você deve pesar é se começar a se sentir mal pelo o que acontece. Aí, precisaria parar antes que alguém se machuque. Se for conveniente, tudo bem mais uma vez. Só não espere dele nada além disso nem se permita cobrar nada a mais. Sexo vocês tem, intimidade não.

[ Gustavo Lacombe ]

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Esperem o Domingo

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Esperem o domingo de manhã. Se ao chegarem em casa num sábado de madrugada o corpo acusar o cansaço da noite, não forcem. Esperem. Tomem um banho quente, troquem carinhos e durmam de conchinha, mas não transem. Recuperem-se para que, no dia seguinte, possam se entregar renovados aos braços um do outro.

Não que seja preciso segurar o tesão. Se der vontade de jogá-la na cama ou de partir para cima dele naquele fim de festa mesmo, façam. Sexo não merece ser regrado, compromissado ou agendado. Só que é melhor estar com carga total do que meia bomba, fazendo por fazer. Acredite: a vontade que bate não passa no dia seguinte.

Longe de ser um negar-fogo. Se o outro insistir, atenda. Mas, por favor, se puderem, esperem o domingo de manhã. O sábado não precisa de uma transa para ser maravilhoso. Aposto até que à tarde já rolou alguma coisa antes de saírem, deitados juntos no sofá, com um tempo sobrando…

Já o domingo – ô diazinho – precisa de algo para acendê-lo. Ele começa sem graça, preguiçoso. Fica em cima do muro: sem a festa do dia anterior nem o trabalho de segunda. Nada melhor que aquele corpo colado ao seu para agitar o dia.

Até porque é neste dia da semana que fazemos as coisas mais chatas, como almoços de família, estudar para provas, mudanças, faxinas. Quando o único compromisso é dormir até mais tarde, acordem prontos e com o tesão que sobrou da noite anterior. Tem muito homem que já levanta assim; e muita mulher também.

E, depois, pode rolar um banho a dois. No chuveiro são mais mil e uma possibilidades. A claridade que entra pelo basculante vai te dizer que foi melhor esperar. O corpo cheiroso
e mais que desperto em cima da cama, junto da toalha, vai provar que foi melhor esperar. O pique maior e mais longo, aguentando quantas vezes forem necessárias até que os dois se deem por satisfeitos, também dirá que foi melhor esperar.

Agora, se a vontade bater no corpo e não quiser largar, que façam sábado. Se quiserem aproveitar que já estão ali e precisam daquele desfecho para tornar o dia inesquecível, façam! Sem problemas! Há quem prefira não contar com o dia seguinte. Afinal, a gente nunca sabe como o outro pode acordar.

Só peço que, se puderem, esperem o domingo.

( Gustavo Lacombe )

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Eu Escolhi Sumir

Sumi, sim!

Sumi no primeiro instante em que me dei conta de que era apenas um divertimento. Não é que não fosse divertido. Não é que eu não posso admitir que também gostava muito da situação, mas chegou uma hora que eu cansei. Enjoei depois de te dar todas as pistas e provas sobre o meu envolvimento e te ver se esquivar com tudo. Eu fui embora na hora em que percebi que de jogadora, passei a ser o jogo.

Ainda tive que ouvir você recitar Caetano. Tive de aturar os versos “então, tá combinado, é quase nada / é tudo somente sexo e amizade”. Aturei aquele dia por conta de todo o tesão que estava sentindo e que queria colocar pra fora, mas logo depois de amassar os lençóis, você pegou sua roupa e foi embora. Eu me senti uma puta, sabia? Aliás, uma puta pelo menos saberia que o esquema era aquele. Foi o que faltava pra eu me dar conta.

Não quero te culpar ou te julgar. Na sua cabeça, você estava certo. E, claramente, não posso dizer que estava errado. O problema foi você não ter enxergado além do pinto. Foi não ter entendido que ao seu lado existia alguém disposto a ser bem mais que um encenação. Quer dizer, isso foi um problema pra mim. Eu que acabei me deixando levar por tudo que era bom sem conseguir me dar conta de que era apenas uma curtição.

Até que eu sumi.

Sabia que poderia demorar até você perceber que algo tinha mudado. Com tanta gente pra dar atenção, por que se preocupar com apenas uma que sumiu, né? Mas o bom pastor sempre vai atrás da ovelha que se desgarra do rebanho. E olha você aqui agora. Mandando mensagem de “sumida” logo de manhã pra ver minha reação e testar meu humor.

Eu tô bem.
E vou continuar sumida.

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