Eu que Já te Amo Tanto

Parece que eu ainda tenho um tanto pra te dizer, um tanto pra ver ao teu lado, pra viver contigo. Parece que todo tempo junto foi pouco e o que vem pela frente me traz uma ansiedade que há muito tempo eu não sentia. Talvez seja do tanto que te quero e como diz um poeta que gosto (ou acho que ele diga algo assim), já te amo tanto e ainda nem te amo tudo. É por aí. O mais incrível do Amor, e que a gente vai descobrindo conforme o vive, é que se transforma, se expande, se refaz, se renova. E não importa o quanto eu já tenha sofrido, amado, caído, levantado; parece que sou novo de novo. O sentimento tem esse poder mesmo e é uma dádiva poder encontrar alguém que te faça sentir-se assim. Há quem rode o mundo e nunca mais encontre. Há quem desista. Há quem viva sem dar valor. E eu tenho a sorte de ter você. “Obrigado” parece pouco, até engraçado, mas diz do tempo que estamos juntos – suficiente pra te marcar na minha história, curto pra dizer que é o suficiente. Por fim, gosto de ir tateando o futuro e ir descobrindo que nos meus dias tem sempre um tiquinho a mais de você, de nós, e que a saudade será sempre o reforço da certeza do quanto nos queremos. Saudade essa que sinto dos momentos já passados, “sorridos”, amados, juntos. Saudade do que ainda vem, do que vai ser e do muito que queremos construir. Espero que numa vida dê tempo.
 
[Gustavo Lacombe]
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Menção ao amigo @lucaoescritor

Seu Futuro Não é Essa Dor

Eu queria poder arrancar do teu coração essa dor que te causaram. Esse descaso. Essa falta de carinho. Descobrir uma sacanagem não é em si a pior parte, mas sim a certeza de que o outro não levava tão à sério o sentimento como você levava. É o “tanto faz” que mata. Desculpa dizer isso, mas tenho quase certeza de que se ele virasse e dissesse “eu me apaixonei por outra pessoa” doeria menos. E seria assim porque ao menos há um sentimento que justifique. Essa indiferença é foda. Essa sensação de que não foi porra nenhuma, de que era a mesma coisa que nada. Agora? Só o tempo. E eu sei o quanto é estranho pensar que vai passar. Alguém que era tudo e preferiu ser… pois é. Se foi ontem e ainda doer hoje, não tente não sentir. Digo isso porque varrer pra debaixo do tapete só te fará mais mal. A dor é inevitável, mas seguir é prioritário. Deleta, bloqueia, manda à merda, queima com as amigas, não toca mais no nome, joga fora as recordações, ocupa aos poucos a rotina com outras coisas. Talvez dê vontade de tomar um porre, ligar pra um contato, fazer uma merda por aí. Talvez dê vontade de sair correndo e parar na frente da casa dele. Você vai viver o misto dessas sensações e eu entendo até se disser que já passou por isso. A gente se machuca quando se entrega. E não nos entregamos só uma vez na vida. O trincado fica no coração, mas a cola é amor. Próprio. Teu futuro não é isso, sabe? Amanhã doerá bem menos e você vai ver que um pé torcido é pior. Tem que ser pior do que esquecer alguém que te faz tanto mal. No fundo, fica aquela sensação de que “se livrou”. Demora até perceber isso, mas quando bater vai te encher de um jeito que o sorriso voltará inteiro ao teu rosto e talvez você nem se lembre – da dor, porque de certa forma toda decepção fica. Desculpa afirmar isso, mas não foque no deu errado. Veja o quanto você esteve certa e continua ao seguir teu rumo. Vai viver tua vida e construir tua história. O que deu errado vai ser só um tijolinho. Daqueles que a gente passa e nem vê.

[ Gustavo Lacombe ]

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Amizades Sinceras, Brigas Também

Eu gosto daquelas amizades em que as pessoas brigam, mas não se desgrudam. Daquelas em que algumas verdades são jogadas na cara, mas as desculpas também são tão sinceras quanto. Aquelas que todos ao redor se perguntam como que os envolvidos conseguirão ficar longe um do outro no caso de alguma separação, ou daquelas em que essas mesmas pessoas dizem “só vocês podem se aturar”.

Claro que, como qualquer outra, esse laço também pode sofrer com as imprevisibilidades do Tempo e da Vida. Não é sempre que conseguimos manter por perto aqueles que nos enchem o peito de alegria. E, com a distância física e o atropelar da rotina, nos pegamos pensando em quem não deveria ter saído nunca de perto, mas que infelizmente a estrada separou. O reencontro, quando presente, mostra que o elo ainda é forte.

Passam-se os anos, não se passa a amizade.

Acredito, sim, que devemos lutar o quanto podemos para sermos vistos e necessários àqueles que gostamos e queremos cuidar. Entretanto, sendo as urgências do agora mais fortes, que consigamos sempre manter um lugar especial para quem faz nosso coração vibrar. Uma amizade, eu sei, é dos amores mais bonitos que existem. Da recíproca ao ombro sempre pronto, todo o sentimento está ali.

E ainda que a sinceridade de um dos lados venha a machucar, sabe-se que é apenas um jeito de dizer “eu sei que você melhorar”. A amizade não tem dedos. Não tem inveja. Não tem pudor. Não tem hora. Não tem vaidade. Tem carinho, ainda que permeado por eventuais porradas. Tem cumplicidade, mesmo trazendo à reboque todas as verdades.

Tem Amor, definição mais que perfeita. Precisa.

[ Gustavo Lacombe ]

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Não tente impedir, o Mundo continuará girando.

Não adianta você querer impedir o Mundo de girar. Por mais desejo que você tenha de parar o tempo ou de não conhecer o que se esconde logo à frente, ele nunca irá parar. E, eu sei, talvez demore até que consigamos aceitar que certas coisas não são para acontecer, certos sonhos seguirão sendo sonhos, e que certas pessoas apenas passarão por nós. Nada é, apenas está. Está de passagem, está de acordo, está pronto. Não está na hora, não está sendo, não está definido. Entender o caráter transitório da Vida é primordial para não se machucar tanto à tôa. Estamos sempre criando expectativas, renovando as esperanças e nunca direi que isso é errado. Atento apenas para o fato de que nem sempre as coisas saem como queremos. Longe de assumir um caráter conformista, sou apenas mais um que tenta dizer o quanto é doloroso insistir no que não quer ficar, no que não é pra ser. Torço do fundo do meu coração que a sua força seja exemplo e que toda a sua determinação seja retribuída com realizações. Entretanto, te peço olhos bem abertos e intuição apurada para o movimento natural que o Mundo tem de não deixar nada no seu lugar por tanto tempo assim. Digo sempre que é preciso abraçar o que disser “sim” para nós e vier para somar, e acenar o maior “não” para o que apenas perturba nosso juízo e nada nos acrescenta. Nessas tantas voltas que testemunhamos, ficamos com aquilo que nos afrouxa o riso, alivia o espírito e enobrece o coração. E o resto que fique pelo caminho, esquecido nos giros que o Mundo deu.

[ Gustavo Lacombe ]

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Seja Feliz. De Preferência Hoje.

  

Vivemos esperando a hora certa. 

Não, aquele vestido agora não. Estou gorda. Não, aquele chopp agora não. Preciso perder os quilinhos que marcam a minha blusa. Não, aquele investimento agora não. Preciso ter mais certeza de que é isso mesmo que eu quero. Nisso de vivermos esperando o timing certo das coisas, perdemos o timing da vida. Impomos condições para que possamos sorrir. E nunca sorrimos.

Postergamos a felicidade para um “eu do futuro” que, quando olha para o nosso “eu do passado”, sempre se pergunta: por que diabos não começamos a ser felizes antes? Por que não adiantamos logo os sorrisos e entendemos, de uma vez por todas, que a felicidade não pode ser programada? Ninguém sabe do porvir. Cansamos de fazer planos e vermos a vida mudar todos eles de repente. E aqueles sonhos que insistem em ficar por várias vezes se tornam frustrações. 

Isso acontece não só porque passamos a achar que nunca conseguiremos alcançá-los, mas por nós darmos conta de que não fazemos nada no presente para tirá-los da cabeça e transformá-los em ações. Não quero que as pessoas ajam mais por impulso ou se precipitem, só acho que temos de parar de adiar nosso próprio bem. 

A felicidade não pode ser uma utopia, uma idealização que só será real quando o espelho disser que você está magro, quando seu chefe finalmente te der um aumento ou só quando você trocar de carro. A felicidade tem que ser sentida. É aquele abraço apertado de um amigo, um beijo de alguém amado, um domingo pra não fazer nada ou ter com quem dividir a sexta. Aliás, felicidade pode ser até um ombro amigo para chorar as tristezas, mas é bem mais que “ter”. Ninguém é dono da Felicidade. 

A questão não é de ter, mas de ser. De preferência hoje.

[ Gustavo Lacombe ]

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Oração ao Tempo

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(Recomenda-se ler esse texto ouvindo a música “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso)

Esses dias andam quente.

Quentes de rachar. Fico lembrando da última vez que tirei um casaco do armário e chego a conclusão de que o Tempo tem andado muito rápido. Pra quê corre, Senhor? Quer ser notado ou tem corrido desse jeito só porque eu fico achando que te tenho por inteiro? Eu sei que não. Já aprendi nos momentos que quis que o Senhor voltasse, mas você sempre me repetia “siga e olhe para frente”. Nem ao menos me pedia desculpas, apenas firmava o passo rumo ao horizonte e ia.

Esses dias andam quente de se perguntar se em qualquer outro lugar seria melhor viver. E cadê coragem pra largar tudo? O Tempo ri de lado e sacode a cabeça parecendo dizer “você não sabe de nada”. E se esse pensamento realmente não for uma bobagem? Quem me garante que vai servir pra alguma coisa? Tudo se comprova no Tempo – Senhor compositor de Destinos.

Não há tratos com o Tempo que não se desfaçam na primeira Saudade. É do ser humano reviver e reaflorar emoções que já passaram, ainda que no escuro de um quarto ou na falta de um dia mais frio. E esses dias tem feito tanto calor que qualquer pessoa que saia na rua já é tomado por aquela sensação de cadê-a-sombra-por-favor. Só se percebe o valor de certas coisas assim, quando elas nos faltam.

O Tempo faz o mesmo.

Você o ignora, ele levanta da mesa e, quando se percebe, está pedindo para ele voltar. Não irá. É preciso ir atrás dele. E, por fim, ao alcançá-lo, encontra-se nele um templo onde pedidos são aceitos e deixados por vezes ao seus pés. Tempo, um dos Deuses mais lindos, que continue trazendo esses dias, quentes ou não, em que continuo compondo meu destino.

[ Gustavo Lacombe ]

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Atemporal

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Talvez você já tenha existido em outras épocas, outro lugares, para outras pessoas. Talvez, sabendo exatamente o que é hoje pra mim, você tenha sido tudo aquilo que descobri através da nossa convivência para as pessoas que, assim como eu, também sonhavam te encontrar. Longe de ser uma criação perfeita e acabada, você é essa coisa gostosa de se descobrir aos poucos e não querer mais que saia de nossas vidas.

E não importa se foi ou é, sei que pra sempre será esse mistério.

Será a dúvida, a certeza e as indecisões todas juntas. Batidas e misturadas junto com as histórias que cada um colocou no papel, num poema ou simplesmente passou aos outros dizendo o quanto valorizavam certa presença. Aposto ainda, que você tenha sido desenhada, recriada, imaginada e idealizada milhões de vezes. Isso até mesmo depois de já ter sido descoberta por outros. A humanidade tem isso de querer sempre uma nova descoberta para si, mesmo sendo mais do mesmo e aquela história conhecida contada de um jeito diferente.

Prove-me o contrário se puder.

Diga que está longe de ser tudo que digo que é e eu paro. Sinceramente, eu paro. Mas só se você conseguir. Missão quase impossível já que você é daquelas que não admite ser justamente por saber o quanto somos imperfeitos e buscamos sempre o melhor a cada dia. Sei, também, que você olha pro lado e enxerga mais qualidades nos outros do que em si mesmo, e não fala isso só para cavar um elogio.

Talvez você tenha agido assim em todas as outras eras pelas quais passou e viveu. Talvez, na hora de inspirar tantos que tentaram te traduzir em livros, escritos e músicas, tenha sido sintetizada num gesto, num ato, num presente, num beijo, numa flor, num sorriso. Numa vida. Num destino, quem sabe. Porque você é o Amor. Tão conhecido e desconhecido ao mesmo tempo. Tudo isso e mais um pouco.

O Amor.
Você.

[ Gustavo Lacombe ]

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@glacombetextos

Não Sufoque

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As pessoas precisam de espaço.

Espaço pra terem saudade, pra sentirem falta. Ninguém consegue se dar conta de que a presença da outra pessoa é realmente importante se ela está sempre ali. Você se acostuma, torna banal algo que deveria ser raro e especial. Não que um encontro precise acontecer só de tempos em tempos, mas marcar presença constante é sufocante. Como um lençol, que precisa amenizar o frio, não matar de calor.

Alguns de nossos pares funcionam assim: precisam estar longe para sentir o quanto querem estar perto. É estranho? Sim, mas te garanto que é perfeitamente entendível. Querem um tempo. O Tempo é tão único que cada um tem o seu. Enquanto estar ao redor de alguém não for bom pra um dos dois, tenha certeza que nada frutificará. Pelo contrário. Tentar agradar demais, elogiar demais, se mostrar disponível demais, apenas o fazem se tornar mais um rapidamente.

E isso nada tem a ver com saber – ou não – dar valor.

É apenas uma questão de dar espaço, como já dito. Nem todas as coisas precisam de você, aceite. A vida segue com ou sem a sua presença. Mas quando ela acontecer, que seja por uma boa causa. Ainda que ligações de madrugada, mensagens no meio da tarde e esperas na saída do trabalho sejam sempre bem vindas, tornar surpresas rotina acabam fazendo com que essas mesmas surpresas sejam banais.

Um “eu te amo” dito repetidas vezes enjoa. Claro que, em alguns momentos, pode-se gastar as palavras (acompanhadas de gestos, por favor!). Em outros, um olhar já diz tudo. A distância é craque em tornar palavras abraços. Quando não se pode estar perto, quer se estar presente de alguma forma. Mas nenhuma tecnologia vai substituir o físico. Assim, estar dentro do coração do outro é bem mais importante.

Valorizar o momento a dois é tão importante quanto compreender que os momentos sozinhos também são bons. Por mais que se construa uma estrada junto, cada um tem que fazer sua parte, tocar sua vida e assumir seus projetos. Para tal, é preciso saber onde começa e termina o quadrado de cada um. Querer um tempo para si não é egoísmo, nem tampouco prova de que não se gosta mais de alguém.

Às vezes é apenas uma mera necessidade.

(Gustavo Lacombe)

Eu Quero um Tempo

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Eu não acredito mais em “tempo”, mas aprendi a respeitá-lo quando o colocam de diante de mim. Na única vez que lancei mão deste artifício, foi com a clara intenção de me afastar e começar a mostrar a outra pessoa que a vida sem mim poderia ser melhor. No fundo, acho que faltou coragem pra chegar e dizer “não quero mais”. Hoje, vivo a situação contrária (tá vendo, cara, como o mundo dá voltas!?). Mas, segundo ela, essa é a melhor chance que a gente tem de ficar junto.

E eu acredito nisso.

Sobre seguir a vida, não acho que saindo e pegando todas resolva. Não acho que procurando um amor antigo resolva. Muito menos acho que fazer algum tipo de mal pra mim resolva. Se bebo muito hoje, amanhã acordo com ressaca e ainda com a saudade. O melhor é ficar quieto e (tentar) não pensar demais na outra pessoa. Tá, essa é parte mais difícil.

É difícil porque tudo me faz lembrá-la. Minha cama, meu carro, a rua dela, um cabelo castanho, uma palavra que ela usa muito, um presente ainda na estante, as fotos visíveis (antes de serem escondidas) e, principalmente, a inspiração que vem pra escrever sentimentalidades afloradas pela distância e a nossa falta de contato.

Tudo bem, é impossível não lembrar. Mas eu decido o que fazer com isso.

Porque eu posso muito bem não ficar mal com a situação. Se foi ela quem pediu o tempo, ela que assuma o risco de me perder. E não é que outra vá me tomar hoje à noite ou amanhã, mas quando ela voltar (se é que vai querer) posso não estar mais esperando. Opa, acho que não era pra dizer que estou esperando, né?

Entretanto, essa é a verdade. Quando se ama, se suporta muitas coisas. Até mesmo um pedido como esse. Amor próprio tem nada e tudo a ver com essa história toda. Nada porque, num primeiro momento, ama-se, espera-se e pronto. Que ninguém questione. Por outro lado tem tudo porque não dá pra ficar chorando e sofrendo por alguém que, ainda que seja por um tempo, não quer saber como está.

Prefiro, então, não dar veredictos. Assim como podemos enxergar a verdade de várias formas diferentes, esse pedido vai pelo mesmo caminho. Se ela mesma me disse que essa é a melhor chance, eu preciso acreditar nisso se ainda quiser acreditar em nós dois. Mesmo não compreendendo mais o porquê do “tempo” e mesmo não sabendo como dar “tempo ao tempo”, eu sei alguma coisa sobre “acreditar”. Ter fé.

E eu nunca deixei de acreditar na gente. Seguirei acreditando até que me provem o contrário.

(Gustavo Lacombe)

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É Preciso Espaço pro Tempo

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Você não sabe quanto tempo eu esperei esse sorriso.

Quanto tempo eu fiquei olhando pros outros casais imaginando quando chegaria a minha hora. Noite, manhã, tarde. Fiquei pensando no que faria, no que falaria. No final das contas, sobrava solidão. Me frustrei, sabia? Porque colocava muita pressão em pessoas que não podiam me dar o que eu queria. E eu queria construir. Não sei se um castelo, um palácio ou só uma palafita. Um barraco, talvez, mas queria. Nem que minha casa fosse os braços do outro e a gente se beijasse na chuva, considerando ser uma goteira. Tudo bem.

Só queria onde descansar. E estou falando de colo, não de colchão.

Resolvi dar tempo. Só que ninguém sabe o tanto que é preciso dar de espaço pro amor e tempo para o próprio tempo. Ninguém sabe mesmo. Digo mais: não adianta dizer que “tudo vai dar certo”. Corta essa. As coisas dão certo por um tempo, depois degringolam. É normal. Aí, ficam um tempo dando errado, mas voltam pro lugar. É um ciclo. São as águas que se remexem e depois se acalmam.

Até que um dia – êta expressão que gosto! – alguma coisa acontece no coração.

Você vê alguém cruzando a rua, vê entrando no elevador, pedindo um Mocha no Starbucks, correndo em Copacabana ou simplesmente sorrindo num piquenique, e há um estalo. Fica aquele barulhinho na cabeça remoendo o encontro como a seta de um carro fazendo “plec plec plec”. Logo esse som se mistura às batidas do coração, vira confusão e tudo que (não) se quer é se declarar e saber a resposta. Vai que dá certo.

Vez ou outra, uma em milhão (dizem especialistas), dá. Pode abrir o sorriso com calma.

Depois de tudo percorrido, pra não dizer sofrido, pode-se voltar a escancarar os dentes sem medo ou culpa. Faz-se isso apenas para juntar a boca na outra no simples prazer do beijo, antes tão proibido. Você não faz ideia do quanto eu esperei pra soltar esse sorriso, antes tão amarrado.

Você não faz ideia do quanto esperei pra poder ser amado.

(Gustavo Lacombe)