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Ela Não é Mais Sua, Ela é Dela

Senta aqui, cara. Vamos conversar.

Sei que esse papo pode te machucar, mas é pro seu bem. Te encontrei aquele dia com cara de quem estava acabado e só fui saber depois do ocorrido. E, sim, você estava e ainda está com o mesmo semblante. O mesmo rosto grave e preocupado de quem não sabe o que fazer agora. Eu, como seu amigo, só posso te dizer pra seguir. Ela não é mais sua.

E digo esse “sua” porque várias vezes a ouvi dizer isso. Lembro de como ela te olhava fundo no meio da galera e não se sentia envergonhada ao falar essas coisas. Aliás, acredito que nem todas as pessoas sejam corajosas o suficiente para demonstrarem seus sentimentos, mas as que o fazem certamente estão mais perto de viver a plenitude do que sentem.

E vocês viveram tudo que podiam.

Sei que fica a sensação de que a estrada ainda era longa, mas se foi algo que os dois decidiram, deixe que cada um siga sua estrada. Ela agora é toda dela. Você, também, é todo seu. Se um dia tiver que dar certo de novo, dará, mas não adianta você interromper tudo aquilo que foi planejado e não continuar sua batalha pelos seus sonhos. Nem ela iria querer isso.

Não sinta inveja ou raiva do sorriso dela. Dói para os dois, mas ninguém é obrigado a conservar um luto. Ou, então, reflita por quantas vezes você esteve mal e teve que sorrir na hora de uma foto. Talvez aconteça o mesmo do lado de lá. Mire-se no exemplo: ela está tentando ficar na paz dela, do jeito dela. E você deveria tentar fazer o mesmo.

Vocês já não podem se ajudar.

Não coloque toda a culpa do fim nos seus ombros. Ela é tão dela quanto você agora é seu. Cada um vai buscar o que é melhor pra si. Não se trata de ser egoísta, mas de tentar enxergar qual a melhor saída para se curar disso tudo. E, tenha certeza, a Vida só melhora quando a gente decide que quer melhorar. Ficar parado não vai adiantar.

Devolva-se como ela se devolveu.

[Gustavo Lacombe]

Para comprar meus livros, acesse:

bit.do/Lacombe

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A inocência de acreditar no “Pra Sempre”

Aconteceu muito de repente. Pra mim, pelo menos. Não esperava que ele viesse com tão poucas palavras, mas tanto a dizer. Não esperava que o olhar mudo conseguisse traduzir, ao final daquela frase, o que eu supus que nunca chegaria. Doce inocência de quem ama acreditar que o “pra sempre” pode acontecer. Justo comigo. Justo com a gente.

Injusto demais, desculpa dizer.

A decisão era algo concreto no rosto, nos gestos e na Vida dele. Me comunicou com profundo pesar, mas como um apresentador de telejornal que na notícia seguinte fala dos gols da rodada. “Vou ter que partir”, falou. Simples e direto. Preciso, cirúrgico. De uma polidez que achei até fria. De uma valentia em ser indiferente ao sofrimento que me causava e que ele sentia, mas que não parecia demonstrar.

Caralho, até ontem nós éramos juras. Até ontem meu corpo pressionava o seu e você me dizia que eu era a mulher. Que eu tinha o beijo mais gostoso, que a boca era a mais macia, que nunca tinha feito amor como fazia comigo. Que porra é essa de chegar dizendo que vai ser melhor assim. Melhor pra quem? Melhora pra quem, porra!?

Fica calma, não. Fico não.

Talvez amanhã eu rasgue nossos retratos. E não quero essa cara de que eu posso fazer o que quiser. Nem essa outra de que eu tenho razão. Não queria ter razão, queria ter amor. O seu amor. Você tem ideia do quanto ainda é importante pra mim? E agora, só porque você vai ser transferido e mudar de cidade, julga que é melhor pra nós dois chegarmos ao fim.

Tem alguma coisa aí. Ou você já não me amava mais há algum tempo ou tem alguém por trás desse término. Eu sei. Não é possível que você abra mão de nós dois assim, como quem descarta uma latinha de refrigerante depois de beber. Ou quem joga fora um doce pela metade porque enjoou de comer.

Se é isso mesmo que você quer, vai.

Aprendi que não se deve segurar quem não quer ficar. Não vou gastar minhas forças tentando te explicar o que pra você já está mais do que claro. Se você não me quer e não há o que eu possa fazer, tenho certeza de que vou sofrer o bastante pra me reencontrar. E vai passar. É foda pensar que vai, mas eu sei que passará.

Pode ir.

[ Gustavo Lacombe ]

Meu segundo livro:
http://bit.ly/AmorParaRaros

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Antes que o Estrago seja Maior

Antes que os beijos se transformem em agressões e passemos a nos fazer mal diariamente e ininterruptamente. Antes que os abraços que eram trocados com tanto carinho passem a ser maiores inconvenientes que protocolos formais. Antes que um comece a enxergar o outro como uma enorme pedra no sapato e um intransponível obstáculo para que seja plenamente feliz. Felicidade que era encontrada lado a lado, mas que agora só se sente quando se está distante.
 .
Melhor parar. Parar de varrermos para debaixo do tapete toda a desconfiança, toda guerra velada que se estabeleceu entre duas pessoas que tinham o pacto de dividir bem mais que uma cama. Uma guerra silenciosa e que não se admite. Melhor deixar de fuzilar o outro com as mesmas desculpas ou com as mesmas respostas céticas quanto ao presente e ao futuro. Se já não se consegue mais encontrar graça no que se vive e se passa a pensar no passado como um grande desperdício de tempo, melhor parar.
 .
Não é fácil, de certo, entender que a mesma cama já não cabe os dois. Não importa o tamanho. O que antes se fazia em ninho, agora se travestem de armadilha em que, todas as noites, precisamos cair. É difícil aceitar e traçar a linha do tempo que desencadeou em poucas memórias gostosas e apenas a verdade dolorosa de que não se tem mais para onde seguir. A estrada acabou e o que resta é afogar no peito o que sobrará do sentimento. Antes que o Amor se transforme algo ruim. Melhor parar.
 .
 Em certos devaneios, viaja-se longe para quando tudo começou. Todo início parece o Paraíso. Todos os defeitos são abraçados, as qualidades exaltadas, os beijos mais longo, o sexo mais quente. Os erros são bem mais perdoáveis. Tenta-se encontrar os primeiros tropeços e há aquela pontada de arrependimento em não ter conseguido mudar. Tenta-se pensar que, sendo alguém diferente e beirando a perfeição, poderia tudo ter dado certo. Certo do jeito que hoje já não há mais disposição para se alcançar. Tenta-se refazer tudo que foi feito só para não ter que enfrentar a dor de partir.
 .
E, sem que se possa mudar algo, abre-se aquela vida em duas e se passa a viver efetivamente separado – o que já era assim há tempos. As noites lado a lado já tinham se transformado em mentiras. O que era tão verdade já tinha descambado para uma falsidade. As respostas tinham se tornado automáticas, vazias e sem um pingo de afeto. Talvez apenas com a torcida de que um dos dois pudesse dar o primeiro passo. Antes que alguém se machuque mais ainda, melhor ser sincero. Nem que seja pela última vez.
 .
Melhor acabar antes que seja tarde e o estrago seja maior.
 .
[ Gustavo Lacombe ]
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Quem Não Quer Sou Eu

Eu não tenho vontade nenhuma de voltar contigo.

Agora, então, que você me aparece com essa cara de choro e falando tudo aquilo que eu queria ouvir – agora mesmo é que eu não quero. Fiquei esperando, por muito muito muito tempo mesmo, que você viesse aqui e me fizesse mais uma vez de boba. Prometesse, jurasse, esperneasse e colocasse em prática todo o seu teatro de me dissuadir e fazer me entregar novamente.

Fiquei alugando o ouvido de conhecidos amigos e despejando tudo que sentia, pedindo opiniões e gastando minhas suposições para cogitar que você, talvez, pudesse estar sentindo falta de mim. Falta do que a gente tinha. Esperei pela pedrinha na janela, a mensagem bêbado de madrugada, a ligação pela manhã, as flores manjadas de desculpas, a surpresa no meio da tarde no meu trabalho.

Mas, aí, eu cansei de esperar.

A internet passou a  me contar aos poucos que você ia seguindo a sua vida. Eu ia me decepcionando com algumas de suas atitudes, me surpreendendo com outras, mas fui vendo que, sim, tinha sido muito melhor você ir embora. A Vida tinha me livrado de você, certamente.

Então, não vou esconder o choque da surpresa por te ver aqui e a indiferença da previsibilidade de que você faria tudo isso. De novo. Eu podia ter apostado que não perderia. Sempre tive a certeza que mais cedo ou mais tarde você estaria aqui nessa posição. Mendigando, pedindo, implorando e recebendo toda a minha pena de volta.

Só que, antes, eu esperava isso de uma forma tola, porque te queria. Hoje, esperava justamente por saber que sua encenação teria de voltar aqui. O ato final, lógico. Eu não volto pra você porque você teve todas as chances e preferiu usá-las de outras formas que não me fazendo feliz. Não adianta querer fazer agora.

Agora, quem não quer sou eu

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser adquirido aqui:
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Acabou, Cara.

Acabou, cara. Acho que a gente cumpriu um ciclo, e ele já está encerrado. Não vou dizer “nunca mais vai dar certo”. Não gosto dessa coisa de “nunca” e “sempre”. Mas, definitivamente, essa não é a minha vontade hoje. Eu estou seguindo. Não tão tranquila, não tão segura, mas em paz.

Acho que o resto se ajeita durante a caminhada.

Sim, eu “acho” muita coisa. Suponho, aposto, acredito, confio. Não quero ter a mesma certeza que a gente tinha do sentimento um do outro. Não serviu de nada. Eu carregava uma paixão cega, mas abri os olhos pra mim. Isso não quer dizer que esteja olhando para outras pessoas, já esteja saindo e me aventurando por aí.

Se você hoje me procura por posse, melhor reavaliar o que você entende sobre o que é Amor. Mas, se for sentimento mesmo, perdoa minha falta de jeito. Não quero te magoar. Já basta tudo que você me fez chorar todo esse Tempo. E foi Tempo, viu. Você podia ter sido tudo.

Por mais clichê que pareça, eu quis te dar meu Mundo, mas você preferiu ficar do lado de fora dele jogando pedrinhas pra que eu aparecesse na janela. E era só isso. Envolvimento superficial o bastante pra que a gente não construísse nada de muito concreto.Me fala: quais eram nossos planos, nossos projetos, nossos sonhos?

A culpa é um pouco minha? Pode até ser.

Só que eu não quero voltar pra enganação que a gente criou. Eu não digo nunca, não porque quero manter uma esperança na gente – coisa que, de fato, nem sequer existe, mas porque não controlo as ações do Destino. Entretanto, pra mim é certo: acabou, cara.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
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A “Turnê Mais Acasos” segue seu rumo e chega a Recife dia 29/7. Mais informações aqui: http://www.bitly.com/TurneMaisAcasos

Sim, Isso é um Adeus.

Estou seguindo a minha vida, como você mandou, mas preciso escrever isso tudo antes. Sim, isso é um adeus. Não vou colocar “até breves” muito menos tentar confirmar com “nunca mais”, mas a minha intenção é te transformar em passado e conseguir me deixar levar pelo rio da vida. Não posso mais continuar ancorado a você.

Ainda assim, antes de rumar a uma nova etapa, queria lavar toda a roupa suja com meu coração. Pode até ser que isso tudo aqui escrito seja problema estritamente meu, mas como você é parte envolvida, estou te adicionando a todo esse processo.

No fundo, eu queria poder falar de saudade da boa, de expectativa que dá frio na barriga e o sorriso que se abre só de pensar na gente. Mas não, não posso falar de nada disso porque isso pertence apenas ao que ficou no passado.

Falta apenas eu me convencer de que tudo acabou.

Veja bem, eu queria que fosse você. Nos meus sonhos mais malucos, era você quem acordava comigo na cama, quem me dava bom dia, quem mandava mensagem perguntando onde a gente iria jantar em plena quarta-feira. Era você nas viagens, nos porta-retratos, nas histórias da família.

Era você quem eu queria. Sempre quis. E fui deixando que todas essas divagações enraizassem em mim de tal forma que, agora, só vejo como única saída essa tentativa de te arrancar de vez.

Já fui traído várias vezes antes ao me decidir fazer isso. Traído por um coração teimoso em te ter aqui. Agora não. Tenho carta branca de tudo ao meu redor. Era pra ser você, mas você não quis ser.

Não te culpo, não me culpo. A gente precisa entender que nem tudo sai como o planejado e nem todo sonho se realiza. Não posso dizer que não deu em nada. Deu em amor. Deu em coisas lindas que vou levar pra sempre. Deu, inclusive, nesses sonhos que criei com base no que eu sentia.

E eu senti muito forte. Como um fogo que logo se espalha pela vegetação rasteira e incendeia o que encontra pelo caminho. Meu coração foi um ardor incrível, mas cansou de se queimar na brasa das cinzas que restaram. Estou seguindo minha vida, como a planta que nasce do solo renovado.

Ainda há esperança e, certamente, lá na frente eu serei bem mais feliz.

[ Gustavo Lacombe ]

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Desmandos

Desmandos

Depois daquilo, você sumiu. E eu sei que você sempre faz isso de propósito. Sei que, quanto mais você manda seu coração me esquecer, mais ele desmanda e não te obedece. Não é privilégio seu. O meu faz o mesmo. Parece impossível arrancar um ao outro do peito. E é. Engraçado porque, ao mesmo tempo que entramos nesse hiato, nos ligamos ainda mais ao pensamento do outro.

Como se a gente se afastasse só pra ter que lembrar o quanto se gosta.

Você se esconde numa parede de vidro. Eu continuo te vendo apesar dos seus esforços. Ainda sei como pensa, como age. A recíproca também é válido. Minha previsibilidade te diz aonde vou, onde estou, o que faço e o que deixo de fazer. No fundo, é apenas uma tristeza matando uma história. Bonita ou não, sofrida ou não – é a nossa história.

Por telefone é fácil. Você espera um, dois toques e sabe que vou atender logo. Por mensagem, então, melhor ainda. Ou qualquer outro meio que junte as suas palavras (faladas, escritas, digitadas, codificadas) com a sua falta de coragem de me encarar. Sem me ver, sem olhar meus olhos, fica tranquilo dizer “tchau” – ainda que seja tão difícil como diz.

Eu quero ver você falar ao vivo. Quero ver. Quero te ver. Quero sentir, cara a cara, frente a frente, que é isso e não tem mais volta. Quero ouvir da sua boca sem filtros, fios ou telas: eu não te amo mais. Duvido. Se eu não duvidasse e não te amasse mais, aceitaria numa boa. Mas é justamente o contrário.

Não vou me convencer. Enquanto você não fizer isso, vou jurar de pé junto que a gente ainda tem salvação, futuro. Nessa distância não tem despedida, não tem recaída, não tem entendimento, não tem credibilidade. Entendo porque queira sumir um pouco. Você já fez isso antes, mas precisa acontecer um encontro. Talvez aí, olhando pra dentro de mim e repetindo tudo isso que já disse, eu entenda.

Mas eu duvido muito que consiga.

( Gustavo Lacombe )