Sobre ter Tesão em Você de Qualquer Jeito

fanfiction-iron-man-burning-1671098,270220141734 Você volta suada de um treino e diz que vai pro banho. Não deixo. O rabo-de-cavalo pingando evidencia que hoje foi pesado e eu até sei o quanto você quer se livrar dessa roupa molhada. Sem problema. Eu ajudo com isso. Me coloco entre a porta e teu corpo melado, agarro pela cintura e logo sinto os soquinhos nas minhas costas em protesto.

– Perdeu, meu bem – eu digo enquanto deixo meu olhar cair no teu.

Te deito no chão e começo a beijar a sua nuca. Mais protestos. “Eu to fedida”, manda. Não me importo. Mesmo. Você é linda de qualquer jeito. E meu tesão por você é maluco também. Ainda mais com esse top decotado e essa calça de ginástica. Não sei os outros caras com suas namoradas e afins, mas eu tenho um tesão do cacete quando te vejo assim. 

Relaxando aos poucos, os beijos vão ficando mais longos. Percebo o quanto te incomoda marcar a minha roupa de suor, o quanto quer descansar depois do treino. Peraí, falta só mais uma série comigo. No chuveiro.

– Vem – digo levantando ela é já tirando a roupa.

Você ri. Levanta uma sobrancelha, me chama de bobo, e pergunta como é que qualquer coisa sobe te vendo naquele estado. Eu rio junto. Isso é vontade misturada com amor e outras coisas mais.

Eu não te desejo apenas maquiada e pronta pra uma festa. Eu te quero suada, ensaboada e te usar como loção pós-barba. Quero te passar em mim, quero ser teu perfume, quero você. Quero você, repito, e especifico: de qualquer jeito que você queira se mostrar pra mim. Te quero no quente, no frio.

– Péra, tá muito fria a água – você fala.

Que a Companhia de água nos perdoe, mas nós dois no banho nunca será economia. Lá vamos nós pro chão do box. Outra ginástica aeróbica no teu dia.

– Eu tava toda suada – manda.
– E linda – eu rebato.
– Eu só queria um banho, mas aí… – diz no pé do meu ouvido.

Só um banho.
E olha no que deu.

[ Gustavo Lacombe ]

@glacombetextos
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Forma e Conteúdo

A primeira coisa que eu vi foi o vestido curto. Sério, quem não olharia para aquelas pernas sem perder uns três segundos descendo e subindo por toda a sua extensão? Sei lá quanto tinha. Um metro? Um metro e vinte? Sei que era grande, cara. Um amigo meu me deu um cutucão e mandou:

– Ia fácil nela.

Claro, ela tava fácil também. Pelo menos parecia. A menina era bonita. Inegavelmente bonita. Salto alto, maquiagem e atraindo todos os olhares da boate pra ela. Entretanto, o que era aquilo tudo se não uma casca? Uma embalagem para presente (sabe-se lá pra quem) que não se sabe o que guarda dentro.

E o conteúdo?

Não se julga ninguém pela aparência, mas existe um ditado que diz “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. O que isso quer dizer? Que muitas vezes a forma de nos portarmos, vestirmos e falarmos traduz como sentimos e o que somos.

Contudo, não se pode levar sempre isso ao pé da letra. A menina, por mais curta que fosse sua roupa, não pedia pra ser chamada de “puta” ou, muito menos, para ser assediada, forçada a fazer o que não queria e estuprada. É feio pensar “ela não se dá ao respeito, ela pediu”. Não, cara, ninguém pede nada.

Se ela gosta de se vestir assim, o problema é dela.

Até que se conheça a pessoa você não pode julgar os valores dela. Depois que a conhece, você não deve. Quem tem o poder de julgar os outros assim? Não é você. O que acontece hoje é que a atração está pautada invariavelmente no que primeiro chega aos olhos. O físico está exposto. Isso tem contado muito mais do que o intelecto.

Cabe a cada um dizer o que atrai mais. Ser apenas uma embalagem é de bom tamanho? É preciso ter conteúdo? Uma boa conversa pode ser mais excitante que uma calcinha marcando a roupa? A inteligência se sobrepõe ao carro e a carteira cheia? Não é todo dia que a gente sai afim de encontrar alguém pra conversar. E nem sempre se quer alguém só pra saciar a vontade do corpo.

A questão é muito maior do que a simples vontade que dá.

Eu não tenho pena das pessoas consideradas feias ou fora dos padrões da moda. Elas ainda se viram. Elas tem suas armas e tentam, jogam e vão à luta. Seja pelo amor, pela saciedade ou qualquer outra coisa. Tenho pena, na verdade, é das pessoas que acham que só o exterior conta.

Sou daqueles que até podem ser atraídos pela beleza, mas que só se convencem de que alguém é realmente bonito depois de conhecer o conteúdo.
E não é o do vestido.

(Gustavo Lacombe)

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Febre Crescente

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Eu fico te olhando e meu corpo logo sente o perigo. Fica intranquilo, fica esquisito. Quer colar a mão à tua nuca, quer molhar tua boca. Fica pensando outras coisas um tanto malucas e a voz sai até meio rouca. Onde vai dar isso tudo?, perguntam meus dedos enquanto desenlaçam o vestido. Menos um nó, na cabeça e nas costas.

Mais de nós, fico querendo agora.

Enquanto desliza o algodão sobre a pele, me toma um segundo de medo de perder isso tudo. Ser tão feliz assim, meu Deus, é justo? Valoriza, repete o relógio, teimando em não parar. E quando a gente menos percebe, a chama já se alastrou. A única solução é cama pra apagar esse fogo. Que joguem água sobre as vontades ferventes. Vai adiantar nada, só virar água quente.

Cama pequena, amor tão grande.

Sintonia tão fina que chega a ser irritante pra quem vê nós dois juntos nas ruas. Os casais se perguntam onde encontramos paixão pra ser como somos. Parecem adolescentes, desdenham atirando sua reprovação. Pena de quem não vive ou nunca viveu algo assim. Perna embolada, dente me marcando e cabelo sobre mim.

É febre crescente, um tesão latente com saliva e suor. Diferente de ontem, amanhã bem maior. É um peito arfante no compasso da respiração do outro. Fecho os meus olhos e desmaio em seus braços.

Morto de amor no melhor dos cansaços.

(Gustavo Lacombe)

#ela

O Brilho nos Olhos

Falta o brilho nos olhos.

Falta aquela vontade de fazer dar certo. Aquele tesão mesmo. Aquela coisa de acordar com um objetivo e só dormir quando tiver dado um passo para mais próximo. Ou, então, calcular um recuo por saber que, amanhã – sem falta, outros dois serão dados. Falta isso. Não é um detalhe, é “o” detalhe. É o que separa o cara receber um “não” da insistência em persistir e só sossegar quando tiver um “sim”. Vence quem persevera, quem batalha, quem ignora dificuldades. Quem, acima de tudo, acredita em si mesmo.

Não há fórmula mágica. Não há quem busque as coisas por você. Só a sua própria caminhada vai te fazer chegar. Se dá trabalho? Ô, se dá. Vejo que te falta esse compromisso. Falta a própria felicidade em trilhar a estrada. Até porque, quando se chega numa resposta, procura-se outra pergunta para continuar buscando algo a mais do mundo. E te enxergo satisfeito com as suas verdades.

Fique com elas.

Se nada mais te desperta o interesse, se ninguém mais passa a mão na sua cabeça, se o ideal agora é ficar parado admirando o que acha que já conquistou, tudo bem. Quem sou eu para vir aqui e dizer que está errado? Um dos piores problemas da humanidade é o palpite, o conselho. Se cada um cuidasse da própria vida e deixasse os outros em paz, não haveria brigas. Agiria-se limitado pelos direitos do outro, mas da forma que quisesse. Talvez essa seja a verdadeira resposta para o lema “sua cabeça é o seu guia”.

Enterre-se se puder. Suma! Durma e não acorde! Morra! Desista! Só não faz essa cara e me pede pra ficar mudo. Agora vou até o final. Não é você que está falando de prioridades? Falta saber o verdadeiro significado do que é definir isso. Prioridade é uma palavra poderosa que pode ser usada para muitas coisas, erroneamente até, como forma de desistência.

Acredito que, em certas ocasiões, desistir é apenas um jeito de fazer com que outro caminho seja trilhado, largando de mão o que já foi tentado exaustivamente. Você nunca tentou. Simplesmente disse que não conseguia e ponto. E pronto. Vai ser lembrado como o cara que quase conseguiu ser alguma coisa na vida.

Quer dizer, quase só é usado pra quem realmente quis. Não é bem o seu caso.

Por isso que eu digo: te falta o brilho nos olhos de quem realmente precisa realizar um sonho. Você diz que o tem, mas, pra mim, quem deixa um sonho morrer assim é um fraco. E é uma pena saber que você é tão forte, mas está ficando louco. Porque loucura não é abrir mão de algo depois de ter se certificado que ele não frutificará.

Loucura é nem tentar. Nem os maiores devaneios morrem desse jeito. É como cortar as asas dos sonhos sem nem ao menos as testar. Se for assim, você vai morrer sabendo que até poderia fazer aquilo, mas o medo da altura te impediu. Tolo, é a própria altura que precisa empurrar pro pulo. Falta querer, perder o medo e se jogar.

Vai que voa?

(Gustavo Lacombe)

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A Falta de Ser Mulher

Ela, trinta e poucos anos, dois filhos. Alguns quilômetros de corrida na areia da praia pra manter a forma, um marido zeloso, atencioso e alguma satisfação com a vida. Confidencia, às vezes, que só o que tem não basta. Ou, como gosta de dizer, apenas o que é não cabe. Psicóloga, mãe, dona de casa… Algumas de suas amigas não cansam de repetir que ela reclama de boca cheia. Fazer o quê, né? Só ter gente pra tratar, criança pra vestir e roupa pra lavar não preenchia todos os requisitos da plena felicidade.

Sentia falta de ser mulher.

O casamento tinha entrado numa fase terminal de falta de sexo, não de amor. O carinho sempre existiu e ainda existia. Não eram raros os momentos em que ocorria um mimo, um agrado, mas algo sempre acontecia para dificultar as coisas. Ter dois rebentos pra cuidar também não ajudava muito. No começo, recorriam a babás ou avós. Depois, passaram a depender da creche e das agendas alteradas para conseguirem escapulir para um motel às onze da manhã.

Entretanto, era muito trabalho para pouco tempo que podiam ficar juntos. Acabou começando a ter falta de interesse em ter toda aquela dor de cabeça. A partir de um certo ponto, ela não sabe se ele se contentou com os encontros no colchão espaçados ou se, na verdade, arrumou outra na rua. Sua mãe já tinha cansado de dizer que homem era assim mesmo. Se não tivesse em casa, procuraria o que quer em outro lugar. Tão mais fácil ser homem, né?

Ele, vinte e muitos poucos anos. Ainda estudante. Sair da casa dos pais? Pra quê?, perguntava. Andava de ônibus pra cima e pra baixo, curtia a vida correndo sua volta diária na Lagoa Rodrigo de Freitas num interminável fôlego de sete quilômetros em quase trinta minutos. Responsabilidade beirava zero. Naquele dia, motivado pela promessa de um jantar japonês de graça e às custas da mãe, acabou indo a um encontro dela com as amigas do trabalho num restaurante que deixava a televisão sintonizada na novela das nove.

Ela e ele se cruzaram. Um entrando e o outro saindo, cada um do banheiro destinado ao seu gênero. A julgar pelo olhar, o interesse foi instantâneo.

Caras mais novos nunca fizeram o tipo dela. Mulheres mais velhas nunca tiveram vez pra ele. Só que vai entender quando a pele arrepia só de passar perto de alguém. Não existia outra explicação. Ela, parada do lado de fora lavando a mão, resolveu esperar. Por que fazia aquilo? Nunca tinha tido atitude parecida. Sério. Trair era algo impensado. Ela defendia a instituição do casamento, mas uma de suas melhores (ou seria piores?) amigas tinha dito que ela merecia ser bem tratada por um cara.

“Seu marido que se dane”, repetia.

Quando ele saiu, deu de cara com ela. Nem susto levou. Parece até que tinha previsto aquele movimento. Ele enfiou a mão na calça pegou o celular… parecia instintivo pedir o telefone. E sentindo o perigo de serem pegos, ele desbloqueou o aparelho e ela, sem falar nada, digitou o número. Era a primeira vez. Juro. Talvez ele já estivesse acostumado às saídas de banheiro em boates da vida. Ela tremia. Passaram-se anos desde a última vez que deu tamanha abertura a um cara. E se alguém a visse encostada na parede com um garotão? E se algum amigo a visse?

Se a minha mãe me pega aqui eu faço o quê?, pensava ele.

Saíram do pequeno hall tentando ser discretos. Ela retocou a maquiagem, ele guardou o telefone e a fez acreditar quando prometeu que ligaria. Nem demorou muito. Mandou uma mensagem assim que chegou na mesa pensando em não perder tempo. Viu o celular piscar a quatro mesas de distância. Ela jantava com uma outra mulher. Travou o celular e não comentou nada com a amiga. Nem sequer o procurou esticando o olhar pelo salão, mas respondeu assim que se dirigiu mais uma vez ao banheiro.

“Quero te levar pra casa hoje. Posso ou mamãe não deixa?”. Ela não sabia quem mandava aquela mensagem, mas devia ser a mulher que muito tempo ficou escondida sob a mãe/psicóloga/dona de casa dentro dela. Sem frear os instintos, partia pro tudo ou nada. Era a primeira vez que fazia aquela loucura. Juro. Sério. Ela sentia falta de ser mulher e aquela era a saída mais próxima para tentar recuperar alguma coisa dentro dela. Ele? Bom, tomara que aquele “eu já sou bem grandinho, sei me virar” em resposta significasse que ele sabia ser usado.

Quem disse que uma mulher também não sabe brincar?

Primeira vez. É sério.

(Gustavo Lacombe)