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Dar/Comer

Dar/comer é um vocabulário pertencente ao universo do sexo. A pergunta é se ele é chulo ou não. Acredito que tudo depende do grau de intimidade da pessoa que está ouvindo. Depende também de quem está falando. De quem são as outras pessoas em volta. E ainda da situação, né? Pelo amor, é preciso bom senso. Alguns lugares, pessoas e ocasiões vão pedir para que você diga “transar”, “fazer amor”, mas nunca “foder” ou “comer”. É fato que o vocabulário existe e é largamente usado por todos. Conheci a história de um cara que adorava ouvir a mulher dizer “meu nêgo, quero dar pra você”. Baiano, gostava de ouvir aquelas exatas palavras. Dava um tesão fodido, segundo ele. Claro que entre quatro paredes. Claro, quando só estavam os dois. Não acredito que homens conversando vão usar palavras diferentes. É do universo masculino (e eu não acho que tenha machismo nisso) usar comumente comer/dar (apesar de saber que muitos também usam num tom pejorativo). Talvez utilizem o “levar pra cama”. O que sinto falta nessa discussão toda (e aqui falo dessas conversas que os caras tem com os amigos mesmo) é a nobre pergunta “mas você fez gozar?”. Pô, comer é uma parte muito simples do trabalho. É enfiar o pau e gozar. É só isso mesmo? Ainda que seja por uma noite? É pra isso que o cara se envolve, leva pro motel, fala que sentiu uma química? Talvez eu esteja querendo profundidade numa discussão que só deixa de ser rasa quando fala de futebol. Porém, não me furto a dizer aos caras: dizer que comeu é fácil, quero ver chegar se gabando de que fez meia hora de oral e ela gozou na sua cara. Quero ver dizer que se preocupou e que, inclusive, ficou chateado por não fazer aquela menina especial “chegar lá”. Quero ver deixar a otarice de enumerar quantas mulheres tiraram a roupa pra você e passar a se preocupar se quem está contigo naquele momento goza com você. Dar/comer é simples. Difícil é ir além do vocabulário chulo.

[ Gustavo Lacombe ]

Texto do livro “Depois da Meia Noite”, que pode ser comprado aqui:
http://www.gustavolacombe.com.br/livros

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Já Me Amaram Mais e Melhor que Você

Não se preocupe se eu estou bem. Estou. Otimamente bem, pra falar a verdade. Depois de você, outras pessoas me amaram mais e melhor. Tipo aquela música do Chico. E não te falo isso pra que você se ressinta ou imagine o que outros corpos andam fazendo com o meu ou vice-versa, mas é só pra responder à altura a tua pergunta. Pergunta essa que vem com um sorriso debochado de quem sabe que eu ando sabendo das merdas que você anda aprontando por aí.

Parabéns, então.

Me disseram da vez que viram teu carro saindo do motel com alguém que você dizia não ter nada. Quem viu? Não conto. Eu sei. E também fiquei sabendo que você arrotou por aí numa mesa de bar que não se importava que eu ficasse sabendo das suas libertinagens. E chegou aos meus ouvidos tanta coisa podre e pobre que, seriamente, senti até pena de nós dois. Pena porque, até um certo ponto, eu teria engolido meu orgulho e voltado. Pedido, não.

Só que aí os dias foram se acumulando, pessoas novas chegando e as permissões me sendo feitas. Ousei olhar outro corpo, beijar outra boca, dormir em outra cama e começar a praticar um dos esportes que mais gosto: gastar meu prazer. E toda aquela libido reprimida e raivosa que ficou encruada em mim foi escapulindo em arranhões, em festas, em momentos piores do que os que me contavam que você aprontava por aí.

Dois solteiros aproveitando a Vida, não?

Acho engraçado você aparecer agora. Agora que eu encontrei uma pessoa conhecida tua, que me viu na rua com outro alguém do lado, e que não hesitou em correr pra te passar a ficha completa de todo ocorrido. E, se quiser saber, naquela noite eu também vivi tudo que eu poderia viver. Não faz essa cara de assustado porque nós dois sabemos que você tem aproveitado também.

Estou muito bem. E a principal mudança ocorrida em mim foi ter parado de me importar com o que você pudesse ficar sabendo. Quando teu respeito já não me considerava mais nada, liguei meu “tô nem aí” também. Tenho sido muito feliz desde então. Me importo comigo e com quem se importa comigo. Com quem me desconsidera, não.

Nem termina a próxima frase.
Guarda essa “saudade” pra outro alguém.

[ Gustavo Lacombe ]

Para comprar meus livros, acesse:
bit.do/Lacombe

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Ela Tem Todas as Cores

Ela apareceu com aqueles olhos pintados como um quadro de Van Gogh. Impressionante foi o efeito de cores que ela causou em mim. Uma sensação avermelhada e quente de um desejo crescente, misturada a um verde clarinho de paz e querer ficar quietinho nela. Um paradoxo arroxeado de quem acaba de levar uma porrada daquela figura linda apresentada aos olhos de uma maneira totalmente nova. Ela era uma noite azulada de primavera. Era a brancura do sorriso que se misturada ao pretume da roupa. E, vejam só, toda a paleta de cores dela começava no olhar brilhante – daqueles que te faz repensar a sua trajetória sem a presença deles e o porquê da demora no encontro. Eu era um espectador passivo do festival que ela era. Toda admiração já está a um passo do paraíso. A vontade de entrelaçar as mãos, descobrir o gosto e começar a fundir todos os meus sentidos aos dela. De olhos fechados, a explosão colorida se transformava num doce som da voz. Ao avançar dos corpos, o apressado farfalhar de línguas e bocas que se procuravam em nossos tons de pele combinados. Era a mistura clássica da combustão entre duas pessoas que se pegam querendo agradar a outra e dar um prazer recíproco. Chega uma hora em que tudo é uma grande confusão de cores. O espectador da paisagem viva se funde a ela e passa a fazer parte de toda a fantasiada. Já sem saber se era ela transposta para a minha realidade ou eu sugado para a cena dela, o relógio pareceu nos despertar do transe. E na dureza do amarronzado adeus, lá me fui com a alma amarela feito um Sol de Verão. Ela tem essa mania, já percebi, de se vestir de força da Natureza. E o que não é a mulher se não uma força indestrutível da Mãe Natureza. Um furacão a me borrar inteiro de batom, alegria e desejo.

[ Gustavo Lacombe ]

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Pra Você Aprender a Tratar uma Mulher

A gente gozou junto. Ele olhando dentro dos meus olhos e pedindo que eu fosse com ele e eu gritando por dentro que iria aonde ele quisesse. Foi sublime. Não era a primeira vez que aquilo acontecia, mas tinha sido o antes e durante mais gostoso pra mim. Pedi que ele soltasse o peso do corpo sobre mim e a gente ficou naquela onda de suor e prazer durante uns cinco minutos. O problema foi o que ele fez logo depois.

Disse que ia ao banheiro, voltou arrumado. Penteou o cabelo e disse que precisava ir. Por quê?, perguntei sem acreditar no que via. Preciso acordar cedo, respondeu. Amanhã é domingo. Eu vou correr. Você nem tem tênis de corrida. Um amigo vai me emprestar. Então, vai! E virei de costas, doida pra complementar com um “e não precisa mais voltar”. Consegui me segurar. Por hora.

Passou um filme na minha cabeça das outras vezes que tinha passado por aquilo. É tão fácil, né? A pessoa vem, se aproveita do convite e logo vai embora. Não comparei com os dias casuais, os lençóis amarrotados por diversão, mas com as vezes que achava que era bem mais que um corpo a ser usufruído. Quando a relação me dizia que eu era mais. Quando ele dizia. Me lembrei de todas as vezes em que me senti usada. Senti nojo dele naquele momento.

Ele veio pra me dar um beijo. Eu virei o rosto. Vai embora logo, pedi. Vai antes que a gente brigue. Por que a gente vai brigar?, ele perguntou cinicamente. Empurrei ele pra porta ainda enrolada no lençol. Chorando. Não sei exatamente o que se passava na minha cabeça, mas a sensação era a pior possível. Ele fincou o pé e me abraçou. Perguntou mais de uma vez o motivo daquilo tudo. Parecia um teatro – que eu não estava afim de aturar.

Meu maior problema não era pela despedida, mas pela forma. Não era por uma cobrança em ficar comigo, mas por ele ter vindo até aqui, transado comigo e depois ir, como se tivesse feito o serviço e pronto. Aliás, eu nem ao menos desconfiava da fidelidade dele, mas da tremenda falta de sensibilidade em fazer aquilo comigo. Que tivesse avisado, sabe. Mesmo sem ter prometido ficar, poderia fazer com que eu me sentisse menos puta.

A necessidade de falar algo depois daquilo não existiu. Ele saiu batendo a porta e eu fiquei remoendo um misto de culpa, de orgulho e de outros sentimentos indefiníveis. Era como se um lado estivesse feliz por ter tomado aquela atitude e a outra se chocado. Meia hora depois, ou quase isso, ele voltou. Uma mochila nas costas, uma rosa na mão e cara de cachorro que caiu da mudança. Me desculpa? Posso ficar pro fim de semana?, ele perguntou.

Eu respondi ainda brava “não pode”. Eu te amo, mas você vai passar o fim de semana sozinho ou com quem você quiser. Pra você aprender como se trata uma mulher.

[ Gustavo Lacombe ]

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Queria Te Arrancar de Mim

Queria te arrancar de mim. Martelar o coração até que esse amor escorresse ou ele se convencesse de o jogar fora. Não é possível que ele ainda não percebeu o mal que faz a si mesmo te mantendo aqui dentro. Hey, Idiota!, dá vontade de dizer, qual é o preço que a gente paga enquanto você se desespera e se agarra a algo que não existe mais? Me diz, Idiota!? Coração burro. E nisso a vida vai passando e as oportunidades de ser feliz vão junto. Não consigo segurar nenhuma, apenas vejo tudo se esvair como areia entre os dedos. Mas, aqui no peito, coração bate o queixo no frio da solidão e se ancora a uma foto nossa antiga. Se ri, parecendo louco. Teimoso já é elogio. Se eu pudesse, apagava o que sinto hoje e acordava amanhã contigo sendo apenas uma lembrança distante. Não te apagaria por completo, claro. Inegavelmente vivemos coisas boas, mas não soube reconhecer o fato de que acabou. Acabou pra você e, talvez, esse seja o pior dos problemas. Tudo isso porque meu coração insiste. Feito uma criança que cola o bichinho de pelúcia no peito, ele se comprime ao teu olhar já desbotado na memória e rejeita qualquer tentativa de desapego. Fica repetindo baixinho teu nome, e eu já nem sei o que fazer. Te tiraria de mim e jogaria fora, te esqueceria e seguiria, como você mesmo seguiu. Mas não consigo. Foda-se. Desisto. Esse amor é muito mais forte que eu.

[ Gustavo Lacombe ]

Sem Fé Não se Atravessa a Rua

Tenho medo. Como qualquer ser humano, como qualquer animal. Sinto medo. Mas, ainda maiores que meu medo são os meus sonhos, isso eu sei. E tudo o que eles querem – e me pedem – é que se tornem reais, palpáveis.

Assim como Pinóquio sonhava ser um menino real e se tornou um, meus sonhos desejam ser também. Acontece que entre o sonho e a realização há uma estrada. Literal ou não. E tenho, claro, medo de me perder ou de que algo ruim aconteça enquanto eu a percorro. Um medo, certas vezes, bobo.

Sei que o caminho é longo, cansativo e chato, mas seria uma merda chegar lá em apenas um instante como bem me lembra Raul. Mas, quer saber… Se algo me abalar, vou rebater com mais fé ainda. Porque sem fé a gente não atravessa nem a rua, quanto mais percorre a estrada de um sonho.

Quem sabe não seja a vida tentando me mostrar que o caminho é mais importante do que o ponto onde se quer parar? Até por que… Nada para. E assim como Raul, “você ainda me pergunta aonde eu quero chegar, se há tantos caminhos na vida”.

Eu só quero caminhar, sem temer mal algum, transformando cada passo sonhado em estrada real.

[ Gustavo Lacombe ]

Texto em parceria com a linda da Isa do @amargoemeio!

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui: http://www.bitly.com/LivroLacombe

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E, se der medo, vamos com Medo mesmo.

Tenho medo de tudo não ser como eu tô imaginando.

De, quando eu tiver na sua frente, não sentir as mesmas coisas boas de novo. Essas coisas que eu sinto quando a gente conversa, sabe? As madrugadas são boas ao teu lado. Mesmo aquelas em que estamos distantes. Não queria estragar tudo isso que criamos com a certeza de que não daria certo. Talvez essa seja a hora de parar com as expectativas e simplesmente aproveitar o que está por vir.

De qualquer forma, deve ser isso mesmo o que a Vida faz conosco. Ela nos mostra uma chance e pergunta “vai querer arriscar?”. As coisas ditas “que dão certo” pertencem a interseção de pessoas que ousaram apostar. E tiveram uma pitada de sorte. Porém, a coisa pode ser mais simples de explicar. É como ver uma roupa no manequim e achar que vai ficar lindo. Aí, você experimenta e vê que não era nada daquilo.

Eu tenho esse receio.

Mas, quer saber, é preferível quebrar a cara e dizer que não nos fechamos do que virar o rosto, ignorando solenemente uma porta aberta. E, sabe lá Deus, o que vem depois dela. Não gosto muito de ficar comparando as relações com um jogo, mas o vocabulário é todo próprio dele mesmo. Apostar, avançar, blefar, arriscar, conseguir, cumprir objetivos e, claro, sorte e azar.

Quem sou eu pra tirar esse meu frio na barriga. Passamos tanto tempo pedindo para que algo diferente aconteça, que chega a assustar quando isso, finalmente, acontece. É como aquele velho ditado que diz “cuidado com o que você pede”. Eu queria sair da mesmice. Queria experimentar aquele risinho no canto da boca de novo e uma cosquinha na alma.

E lá me veio nossas conversas até altas horas, uma expectativa inexplicável e um novo sorriso.

Ok, esse agora sou eu me colocando freios antes que tudo soe muito exagerado. Tenho medo disso também. E por mais que a gente imagine que muita coisa possa dar errado, não tem problema. Deixa o Universo conspirar. Contra ou a favor, enquanto estiver ao nosso alcance, podemos fazer tudo dar certo.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
http://www.bitly.com/LivroLacombe

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De Lua, De Fases, Camaleoa, Mulher.

Sou daquelas que adora uma taça de vinho. Esquenta o corpo e alimenta a alma. Mas também curto uma cerveja com os amigos. É capaz de você me encontrar pela noite, rindo e sendo feliz, sem dever nada a ninguém. Aliás, se tem uma coisa que eu odeio é dívida. Nem com meu estômago eu fico em débito. Como o que eu quero, mas sou capaz de economizar e ficar na salada só pra me lambuzar em uma bela sobremesa.

Sou assim, mas nem sempre sou assim…

Vivo em pé de guerra comigo mesma. Tem vezes que pego tudo que digo que sou e repito várias vezes: é só uma fase. E entro em outra. De Lua. Não uma camaleoa, mas uma mulher normal. De fases. Choro, rio, brigo com quem amo e largo de mão quem não gosto. Não deixo que nada trave meu riso. E se pisar no meu pé eu falo mesmo. Gosto de correr, mas não dos problemas.

Acho que o que precisa ser resolvido não pode ser deixado pra amanhã. Mas se for pra trocar um problema por uma balada, pode aumentar o som que eu não tô nem aí. E que ninguém me acorde no dia seguinte. Detesto acordar cedo. Sou dessas de dormir tarde. Talvez essa seja uma coisa que você precisa saber: eu uso os verbos “odiar” e “detestar”. Não faço cerimônia em dizer o que me agrada ou não, mas sei usar isso com educação.

Posso te mandar para qualquer lugar com a mesma classe de quem é servido uma taça de champagne.

Posso gostar de te ter aqui por perto tanto quanto eu gosto de pipoca pra ver um filme na sexta à noite. Mas sábado eu tô na rua. Não espere que eu seja alguém diferente disso. Ou espere… Sou complicada aos olhos de alguns, mas me desenrolo se achar que não vou assustar. Sempre tem quem não aguente conhecer alguém de verdade. Eu só me protejo, acho.

Não sou de abrir a guarda, mas se eu abrir os braços é porque te quero bem aqui.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser adquirido aqui:
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Mais Acasos

Ninguém sabe o que vem depois da próxima curva.

Ninguém imagina o que pode acontecer na próxima esquina. Então, pense junto comigo, quais são as possibilidade do Amor topar de frente contigo enquanto você, distraído, caminha num parque? Ou de se sentar bem ao seu lado durante um suco num banco de praça? Quais são as apostas do Universo para um encontro casual entre duas pessoas que, ao baterem o olho uma na outra, logo entendam claramente que se querem? Quase nulas, eu diria. Remotas. Escassas. Infinitamente ínfimas. Risíveis.

E riria enquanto penso na possibilidade.

Riria porque não há nada melhor nessa Vida do que lidar com as suas imprevisibilidades. Testar seus “de repentes”, suas jogadas malucas, seus destinos atirados em roleta russa. Certamente eles acontecem. E, então, estando naquele mesmo banco, duas pessoas se encontrariam mal se dando conta da Sorte que deram. Ou do Acaso que eram. Ou do Destino que tiveram. Acabariam se olhando, se cumprimentando com um aceno leve de cabeça, mas não passariam disso. Talvez.

Imagino a raiva que poderia sentir o autor dessa cena ao notar que seus personagens – que sem dúvida deveriam estar exatamente ali – não aproveitaram suas chances! Teria vontade de rasgar o roteiro, rasurar o script ou procurar outras pessoas que se dessem conta do acontecido. Não é todo mundo que aprende a aproveitar chances, abraços e oportunidades. Há quem deixe escorrer pelos dedos e ainda assista impassível, reclamando da falta de atenção.

Ora, criatura, é só fechar as mãos e agarrá-la, sem escapatória!

Só que, de repente, algo aconteceria. Sempre acontece. Algo sussurraria. Algo despertaria. Algo se inquietaria e faria pensar:

– Faz do Acaso, chance. Pegue a Sorte e dance. E o Destino que se manque. A partir de agora, o dono da história sou eu – e agiria.

Mais Acasos poderiam acontecer, mas algo quis que fosse assim. Outras variáveis poderiam ter se encostado, mas de todos os caminhos possíveis, seria esse o apresentado.

Ninguém sabe o que pode acontecer num dia normal. Ninguém pode prever qual a surpresa reservada para ensolaradas manhãs, corridas tardes ou frias noites. Não há premeditação para alguns lances, eles simplesmente acontecem. Assim, não há quem consiga imaginar e adivinhar quem pode se sentar ao nosso lado num banco de praça. Ainda assim, mesmo sem poder prever nada, você sempre poderá escolher o que fazer quando esse Destino, Acaso ou Algo Mais Forte finalmente se apresentar.

[ Gustavo Lacombe ]

#ahlacombe #turnê #MaisAcasos

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Aqui Só é Permitido Sentir

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Nós temos a terrível mania de querer colocar em palavras as coisas que sentimos. Tentamos traduzir uma sensação, mas é quase impossível certas vezes. Como definir uma coisa que simplesmente bate? Assim, simples assim. E, mesmo com toda a dificuldade em fazê-lo, insistimos na questão. Acho que essa é uma necessidade do ser humano em querer entender e rotular o que nasce no peito, mas sem perceber o quão absurdo isso pode soar. Certas coisas não podem ser ditas, apenas sentidas.

Um olhar demorado, por exemplo, pode ser o estopim para algo muito maior. Olhar daqueles, do tipo que parece ultrapassar qualquer barreira e só para quando enxerga o fundo da nossa alma. Torna-se o ponto de partida para uma corrida louca das mais variadas atividades sensoriais em nossos corpos. Somos atravessados sem chance de defesa.

Acontece um estranho pensamento. É aquilo de te fazer pensar no passado, presente e futuro ao longo de toda a duração da conexão. Cogitar caminhos, fazer planos em milésimos e acreditar estar de frente com alguma porta se abrindo. Isso tudo em apenas um olhar, que não se contenta e escorre.

Desce pelo rosto e se condensa em sorriso como um movimento natural. Não se sabe com qual velocidade se abre, mas só o notamos quando ele já está sendo mostrado sem pudor a todos em volta. Pode ser que, então, os olhos se apequenem nessa hora. No meio dessa dança, aos poucos, o olhar vai se dissipando. Quando termina, deixa o produto final de seu encontro: o bem que uma pessoa nos proporciona. E esse bem fica latente, visível.

Mesmo sem conseguir explicar, ainda assim tentamos. Repete-se um “não sei” acompanhado de um “sei lá” e, pra terminar, coloca-se um “foi diferente”. Minha vontade é colocar uma placa de “Bem-vindo ao Mundo do que não tem tradução”.

Ou “aqui só é permitido sentir”.

E o mais engraçado nisso tudo é que eu mesmo agora acabei de tentar definir com vocábulos o que senti e sinto toda vez que ela me olha. Mania terrível, mas eu já sei que todo bem que ela me causa aparece num sorriso. Sorriso esse que traduz a indescritível sensação de estar exatamente ao lado de quem desperta só coisas boas em mim. Uma coisa que bateu e até hoje lateja. Assim, simples assim.

[ Gustavo Lacombe ]

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