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Quero Alguém pra Dividir o Frio na Barriga

 

Procuro um Amor que seja bom pra mim.
 


Eu não quero uma nova pessoa. 


Não assim, com esse rótulo. O problema das velhas pessoas não era ser isso ou aquilo. Não era culpa de uma etiqueta. Não deu certo e ponto. O que busco é alguém com quem dividir aquele crescente temor de que o romance vai dar pé. Alguém para dividir aquele frio na barriga. Alguém para compartilhar aquela sensação gostosa de que está se construindo algo. Nem melhor, nem pior. Diferente, sim, só de ser nosso. Talvez eu busque outros caminhos e aja de outras maneiras em relação a tudo qe já fui com outras pessoas, mas o que quero evitar são as comparações. A comparação é uma das portas de entrada para coisas ruins num relacionamento. O que sei, de certo, é que quero alguém para curtir sorrisos, multiplicar abraços e ser feliz. Alguém sem medo de deixar criar raiz, mas que saiba colocar freios se for preciso. Alguém que me faça colocar anotações mentais em negrito sobre seus trejeitos, mas que também entenda os meus. Alguém que ceda comigo, cuide comigo, seja comigo.

[ Gustavo Lacombe ]



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Meu primeiro livro pode ser encontrado aqui:

http://www.bitly.com/LivroLacombe

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Durona, “pero no mucho”

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Em qual direção você está indo?

Sou durona. Minhas amigas volta e meia me perguntam se eu não sofro (nem que seja um pouquinho) por ser assim. Eu jogo o cabelo e digo “claro que não, amiga. Nasci assim, cresci assim, sou bem melhor assim”. Faço aquele beijo maroto no ombro e largo:

– Foda-se o que passou, eu olho é pra frente – e sorrio.

É um pouco de pose também, claro. Não assumirei o papel de representante hipocrisia aqui. Dizer que não me arrependo de algumas coisas seria mentira. Me arrependo de várias. Sério. Nossa… Se pudesse voltar no tempo, faria um monte de coisas diferentes. Mas digo isso só agora também. É bem mais fácil chegar a essa conclusão depois de ver o tamanho das merdas e ter que lidar com todas as consequências.

Quando fecho os olhos e tento relembrar o que sentia naquele exato momento, me dou conta de que cheguei onde exatamente quis. Bom, não exatamente, mas fui nas direções que quis tomar. Aí, quando me bate uma nostalgia, fico olhando pras estrelas à noite e relembro um amor. Não qualquer amor, mas aquele que qualquer pessoa tem e que sabe que poderia ter mudado a vida inteiramente.

Sempre tem.

E é engraçado como a gente passa a reparar mais nas estrelas e na imensidão do céu quando tem esses momentos sozinhos. Nos damos conta do tamanho de tudo e, pelo menos eu, fico me perguntando se realmente não existe uma força maior que vai além do nosso entendimento. Algo mais forte que Destino ou Acaso. Algo mais forte que isso tudo que conhecemos.

Voando alto, lá pra longe, me pergunto onde será que aquela pessoa está? Que caminhos seguiu? Por que teve que ser desse jeito? E ai de mim se alguém me pega aqui nesse estado. Não é pra todo mundo que eu mostro como realmente sou. Sou durona, “pero no mucho”. Só até a página dois.

Só até bater a saudade.

[ Gustavo Lacombe ]

@glacombetextos

Amar na Teoria é Lindo



Cuidado! Esse texto contém ironias!

O Amor é uma utopia por si só. O desejo de sentir algo diferente e estranho no corpo, de se empolgar com a chegada do outro, a busca por aquele olhar no meio do dia ou da mensagem no meio da noite. O querer sem posse, a espera sem sofrimento, a torcida sem ciúme, a distância sem desconfiança, a saudade sem loucura. 

Na teoria é muito lindo. 

Entretanto, vamos aos fatos, o Amor que a gente sente não é tão perfeito assim. Primeiro porque, sendo meu, ninguém mais encosta a mão. Sendo o “meu Amor”, a primeira pessoa que se meter a besta já leva uma chamada pra ficar esperto. Se insistir, aí eu não me responsabilizo. 

Outra coisa é a questão de dar satisfação. Eu quero sempre saber onde ele está. Claro que é normal isso. É segurança. Vai que acontece alguma coisa no caminho? Por favor, né!? Preciso zelar pelo bem-estar das pessoas que amo. Então, ligar e dizer que chegou em casa, que tá vivo, que já voltou do trabalho, que tá indo pra academia, que chegou na academia, que tá saindo da academia, que tá vivo, é normal. 

Não gosto dessa coisa controladora que outros casais tem por aí. Só acho que, quando a gente ama, é claro que a gente cuida. E é esse cuidado todo que me faz sentir saudade e me perguntar o que a outra pessoa tá fazendo que não me responde no Whatsapp. 

O Amor, pessoal, é essa coisa maluca de, no meio do dia, dar uma incerta no trabalho do outro só pra ver o sorriso, dar um abraço e ver se alguém anda se engraçando. O Amor é isso de querer saber exatamente quantas pessoas já passaram na vida do outro e anotar, que é pra poder confrontar os números numa análise posterior. Isso é carinho. E, sendo bem realista, eu mesmo não tenho muita desconfiança. 

Tenho o sério problema de acreditar nas palavras das pessoas, mas peço foto junto. Quem precisa de álibi é a justiça, eu apenas quero poder seguir confiando. Ah, e claro, se alguma coisa acontecer e houver um fim, desejo toda sorte do mundo pra outra pessoa. Sorte, longe. No Camboja. Onde não tenha internet. 

Vai ser feliz pra lá! 

Ainda assim eu acredito que eu não esteja buscando essa utopia amorosa, mas me aproximo dela. Sou carinhoso, atencioso e sei que todo mundo precisa de espaço. E que o GPS consiga rastrear. Amar até que é fácil. Na teoria é lindo. 

A prática é que demanda tempo.

[ Gustavo Lacombe ]

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Mulheres

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Já tive muitas, não nego. Já fui desejado, já fui conquistado. Já corri atrás, conquistei. Já vivi outros amores, outras loucuras. Já provei o gosto doce das paixões correspondidas e o amargo das desilusões. Já fui só da cama, só de amarrotar lençol. Já fui das flores. Já encontrei com outras que julguei serem caras-metade, com “destinos ambulantes”, únicas saídas e outros enganos.
 .
Já ouvi mentiras, já não acreditei em verdades. Já vi estações ao lado de uma mesma pessoa e uma única estação em abraços variados. Já conheci aquelas de arremessar vasos na parede e outras de submissão. Já fui até o inferno com uma. E, ainda assim, mesmo já tendo vivido tanto do Amor e da Paixão, nunca conheci alguém como você. Muitas em uma: a que me deseja e me conquistou.A que me fez correr atrás.
 .
Entender.
 .
Compreender mais do sentimento que cresce a cada correspondência num toque ou olhar. Quem coloca na boca o bom sabor dos beijos e deixa na alma a irrepreensível noção da verdade – nunca um simples afago na cabeça. Você, a dos lírios, das rosas, das orquídeas. Da figura fácil nos meus dias, tardes e noites. Do Verão, Outono, Inverno e Primavera de mais encanto a cada passeio de mãos dadas. Das brigas e conciliações.
 .
Você, por quem eu iria até o inferno.
Você que me deu o céu.

[ Gustavo Lacombe ]
 .
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Oração ao Tempo

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(Recomenda-se ler esse texto ouvindo a música “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso)

Esses dias andam quente.

Quentes de rachar. Fico lembrando da última vez que tirei um casaco do armário e chego a conclusão de que o Tempo tem andado muito rápido. Pra quê corre, Senhor? Quer ser notado ou tem corrido desse jeito só porque eu fico achando que te tenho por inteiro? Eu sei que não. Já aprendi nos momentos que quis que o Senhor voltasse, mas você sempre me repetia “siga e olhe para frente”. Nem ao menos me pedia desculpas, apenas firmava o passo rumo ao horizonte e ia.

Esses dias andam quente de se perguntar se em qualquer outro lugar seria melhor viver. E cadê coragem pra largar tudo? O Tempo ri de lado e sacode a cabeça parecendo dizer “você não sabe de nada”. E se esse pensamento realmente não for uma bobagem? Quem me garante que vai servir pra alguma coisa? Tudo se comprova no Tempo – Senhor compositor de Destinos.

Não há tratos com o Tempo que não se desfaçam na primeira Saudade. É do ser humano reviver e reaflorar emoções que já passaram, ainda que no escuro de um quarto ou na falta de um dia mais frio. E esses dias tem feito tanto calor que qualquer pessoa que saia na rua já é tomado por aquela sensação de cadê-a-sombra-por-favor. Só se percebe o valor de certas coisas assim, quando elas nos faltam.

O Tempo faz o mesmo.

Você o ignora, ele levanta da mesa e, quando se percebe, está pedindo para ele voltar. Não irá. É preciso ir atrás dele. E, por fim, ao alcançá-lo, encontra-se nele um templo onde pedidos são aceitos e deixados por vezes ao seus pés. Tempo, um dos Deuses mais lindos, que continue trazendo esses dias, quentes ou não, em que continuo compondo meu destino.

[ Gustavo Lacombe ]

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Até Você Voltar

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Tô me tornando alguém pior.

Talvez a palavra seja muito forte, mas solitário e frio se encaixam bem. Fico aqui olhando pras paredes tentando entender como cheguei nesse ponto. Como chegamos… O apartamento está vazio, mas não cabe a saudade. Fico me perguntando e se eu entrar nessa vida bandida de me perder pela noite à procura de aventura, o que vai acontecer. Provavelmente eu não vá mais me apaixonar de novo.

Acreditar nisso pra quê?

Lembro que eu tinha planos. Iam do casamento e nossa Lua de Mel, passava pela construção de um relacionamento lindo, e chegava aos nossos filhos. Tinha uns pensamentos bobos e românticos também. Chegavam até nós dois velhinhos nessas fotos de porta-retratos numa cômoda na casa de algum neto, que certamente passaria e diria: eu quero uma história assim também.

Perdi as contas de quantos copos já bebi. Não, as contas do tempo eu não perdi. Trezentos e sessenta e cinco dias. Um ano. Dizem que um ano passa rápido. Mentira. Quem experimenta uma casa tão quieta e um coração tão barulhento sabe o quanto a falta faz tudo passar mais devagar. Mais um. Copo sempre cheio.

Antes embriagado do que iludido.

A culpa é sua, definitivamente. Por tudo ter se tornado essa dúvida no meu peito, pela vida ter continuado nesse rumo em que alguém pior apareceu dentro de mim, por não acreditar numa das coisas mais fortes que já provei na vida: o amor. Acho que vou acabar continuando nessa vida.

Até você voltar.

[ Gustavo Lacombe ]

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Atemporal

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Talvez você já tenha existido em outras épocas, outro lugares, para outras pessoas. Talvez, sabendo exatamente o que é hoje pra mim, você tenha sido tudo aquilo que descobri através da nossa convivência para as pessoas que, assim como eu, também sonhavam te encontrar. Longe de ser uma criação perfeita e acabada, você é essa coisa gostosa de se descobrir aos poucos e não querer mais que saia de nossas vidas.

E não importa se foi ou é, sei que pra sempre será esse mistério.

Será a dúvida, a certeza e as indecisões todas juntas. Batidas e misturadas junto com as histórias que cada um colocou no papel, num poema ou simplesmente passou aos outros dizendo o quanto valorizavam certa presença. Aposto ainda, que você tenha sido desenhada, recriada, imaginada e idealizada milhões de vezes. Isso até mesmo depois de já ter sido descoberta por outros. A humanidade tem isso de querer sempre uma nova descoberta para si, mesmo sendo mais do mesmo e aquela história conhecida contada de um jeito diferente.

Prove-me o contrário se puder.

Diga que está longe de ser tudo que digo que é e eu paro. Sinceramente, eu paro. Mas só se você conseguir. Missão quase impossível já que você é daquelas que não admite ser justamente por saber o quanto somos imperfeitos e buscamos sempre o melhor a cada dia. Sei, também, que você olha pro lado e enxerga mais qualidades nos outros do que em si mesmo, e não fala isso só para cavar um elogio.

Talvez você tenha agido assim em todas as outras eras pelas quais passou e viveu. Talvez, na hora de inspirar tantos que tentaram te traduzir em livros, escritos e músicas, tenha sido sintetizada num gesto, num ato, num presente, num beijo, numa flor, num sorriso. Numa vida. Num destino, quem sabe. Porque você é o Amor. Tão conhecido e desconhecido ao mesmo tempo. Tudo isso e mais um pouco.

O Amor.
Você.

[ Gustavo Lacombe ]

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Te Desejo

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Te desejo uma noite de insônia cheia de lembranças minhas. Que minha mão, de repente, pareça deslizar no teu travesseiro e agarre teu cabelo, ao ponto que a minha falta seja sentida de um modo tão presente, que você se pergunte por que eu não estou ali.

Te desejo um dia repleto de detalhes de nós dois. Que a saudade não te mate, mas te torture lentamente com as cenas que poderiam ser tão nossas, mas agora pertencem à lembrança. O sorriso depois do beijo, o gesto provocante ao passar pelo outro, a voz que te chama de longe.

Te desejo uma estada completa de felicidade plenamente em metade. Que nos seus afazeres, diários ou extraordinários, você se sinta realizada, mas que se pegue ruminando a possibilidade de me ter ali também e imaginar como seria se estivéssemos juntos.

Te desejo um sentimento indefinível. Daqueles que se parece com fome, mas não se sacia. Se assemelha ao desejo, mas há mais que simples instiga. Que se associa à saudade, mas não é tão simples assim. Algo que só se sabe o que é quando se toca: falta ele aqui.

[ Gustavo Lacombe ]

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Vale a Saudade

 

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Porque, quando dá saudade, não há hora do dia que te diga “não ligue”, “não procure”. Pode ser de madrugada, pode ser de manhãzinha, no meio da tarde onde aquela obrigação não pode ser adiada. É sim, sem freio e sem nada na cabeça. Ou melhor, com alguma pessoa especial demais para deixar que a saudade esfrie.

Como se conseguisse, né?

Mesmo que pareça arrefecer, basta alguma outra coisa aparecer pelo caminho para ela voltar com o dobro da força, triplo do tamanho e sabe-se lá quantas vezes mais intensa. Solução tem, mas não acredito que seja em definitivo. No instante seguinte em que a presença se tornar passado, o espaço volta a ser preenchido pela falta. Ainda assim, vale o risco.

Vale te ter alguns curtos momentos ao meu lado e outros mais longos longe. Vale, mesmo que o tempo seja distorcido pelos meus sentidos e o que ocorra seja exatamente ao contrário. Cinco minutos a mais ao seu lado certamente não são o mesmo que cinco longe de você. Ainda mais quando a solidão me abraça. Obviamente, um abraço que nunca será parecido com o seu.

De qualquer modo – e, por favor, não se incomode com os meus devaneios provocados por estar distante demais do seu carinho -, isso tudo é só pra dizer: apareça.

Porque qualquer risco de sentir saudade de novo sempre é compensado com a chegada do seu sorriso.

[ Gustavo Lacombe ]

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Sonhos, Devaneios e Afins

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Em alguns sonhos eu sou teu espelho.
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Acabo te dizendo algumas verdades que você julga inconvenientes. Não, nunca disse que era gorda nesses devaneios que tive – mesmo você falando pra quem quiser ouvir que precisa emagrecer. Eu apenas fico repetindo, olhando pras suas curvas, pros seus peitos e parando nos seus olhos: como você é gostosa. Quantas vezes te vi ficar vermelha, pegar uma blusa no chão e se esconder logo.
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Pra quê? Já te conheço inteira.
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Me atento, também, noutras curvas. Teu sorriso sempre tira o foco de qualquer outra coisa ao redor. E, saiba você, fui diversas dessas outras coisas nas minhas loucuras. Não é nessas horas que a imaginação é o limite? Não é nessas horas que eu posso escolher o que quero ser, como quero vir, o que quero deixar, o prazer que quero e me proponho a entregar? Não é nessas horas que posso ser qualquer coisa que te cerca?
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Confesso, já delirei o suficiente contigo para ser o batom e ficar o dia inteiro sentindo teu gosto. Fui perfume, grudado ao pescoço e deitado em teu colo, fixado na pele da qual não teimaria em sair. Fui um arrepio. E, mesmo percorrendo tuas costas rapidamente num dia frio, durei tempo suficiente pra você querer de novo. Inclusive, sonhei em ser chuva.
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E te tomei o corpo inteiro.
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Nesses desejos de ser muita coisa, acabo sempre acordando sendo apenas eu. Revejo um retrato, relembro algum fato e, me dou conta, preciso ser apenas isso mesmo. Um homem pra você. O homem. Que ainda anseia pelo gosto, pelo pescoço e pelo arrepio. Que ainda te acha tudo isso – e gostosa é pouco. Que ainda viaja no seu sorriso. Que sonha em ser muita coisa.
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Todas elas contigo.
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[ Gustavo Lacombe ]
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@glacombetextos