“Faça Aquilo Que Ama e Não Trabalhará” é Mentira

Lembra quando alguém te disse que fazer aquilo que ama é um passo importante para não precisar mais trabalhar pelo resto da sua vida? Então, se você já trabalha com o que ama deve ter percebido que essa é uma das maiores mentiras que poderiam ter nos contado, né? E o motivo é simples: trabalho, por melhor que seja, uma hora vai pesar para o lado negativo que muitos colocam na palavra. E, sim, vai dar vontade de jogar tudo pro alto.

É mais do que normal.

A diferença é o que se faz com a frustração ou a decepção ante resultados ou respostas. Desistir, para quem faz o que sempre sonhou e coloca-se de coração inteiro, parece ser uma alternativa que nunca será viável. E espero que não seja mesmo. Persistir e ser resiliente (palavra da moda) é a grande sacada. Não que seja fácil assumir esse caráter ou se aprenda logo com alguma cartilha na esquina, mas é fundamental saber que nem tudo dará certo de primeira.

Fundamentais são os “nãos” que recebemos pelo caminho. O que conta, a partir deles, é quanto de ânimo é injetado nos projetos e quanto ficamos dispostos e melhorar falhas, assumir defeitos e corrigir todo o resto para, enfim, receber um “sim”. Ou, no caso de quem precisa de um resultado, não de uma resposta, são essas correções que determinam o sucesso de uma ideia. Mas, olha, tudo se comprova no tempo, tá?

Nada é pra já.

Entendo que vivemos numa sociedade que adora o que faz sucesso imediato. Uma foto, um bordão, um deslize e viramos capa de jornal. Basta um piscar de olhos para irmos ao topo e, acredite,  queda demora bem menos. Fazer o que ama, nessa lógica, é saber que todo seu esforço está em algo que se torna a sua vida. E acredito que o segredo não é “não trabalhar”, mas trabalhar com mais afinco ainda – sabendo que ser bem sucedido passa diretamente pelo seu esforço e pela sua força de vontade.

Como bem diria meu pai “trabalho é trabalho”, o que implica na certeza de que haverá dias insuportáveis e outros maravilhosos. Dias em que jogar tudo pro alto será quase a única saída e outros em que o Mar de Rosas se apresenta pronto a ser navegado. Essa dualidade é da vida. Saber lidar com ela é prova de maturidade. No fundo, pensar em abrir mão de tudo é parte da nossa formação e entendimento da dificuldade que é viver um sonho.

Fazer isso de verdade é que se torna o problema.

Confiança em si, suor diário e busca incessante por mais conhecimento para transformar a realidade são apenas alguns pontos que sempre ouvi falar. O ditado é certo: apenas no dicionário o sucesso aparece antes do trabalho. Mas a palavra que surge antes dessas todas é Amor, que nos diz desde o começo que é preciso não se esquecer do sentimento que se coloca nessa equação. E se ele se infla nos dias bons, é o que sustenta os dias ruins. Dias em que o trabalho será mais trabalhoso do que nunca.

Dias em que nossa fé é testada e apenas repetimos: eu já sou um vencedor.

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O Segredo é Pôr Amor

A receita é antiga. Quantas vezes você ouviu alguém dizendo que se você fizesse aquilo que amava não teria que trabalhar nenhum dia da sua Vida? Milhões. Na inversão das palavras, amar aquilo com que se trabalha sempre pareceu ser classificado em segundo plano. Na linha lógica da cabeça dessa gente, o Amor servia como algo para tirar o peso das coisas, não se tornar um escravo cego das relações trabalhistas que podem se estabelecer.

É um exagero, claro, mas é por aí.

Primeiro porque uma das grandes verdades é que nem todo mundo sabe qual a sua razão de estar nesse Mundo. Estou dizendo laboralmente. Pensa que não tem uma vocação, não tem uma aptidão, e fica se encostando em alguma faculdade meia boca para ter um diploma e estudar pra concurso. Não que concurso não possa ser uma vocação, mas tem gente que se apoia nisso pra poder ter uma Vida tranquila, fazer alguma coisa que dê um bom salário e não se preocupar mais na Vida.

Por outro lado, tem aquela galera que escolhe a paixão. Decide viver de algo que é bem mais difícil de conseguir um retorno imediato e são esses que sofrem pressão da família e da sociedade para “serem alguém”. Lembro que um familiar sempre me perguntava o que eu seria e eu respondia “escritor”. Ele perguntava de novo “não, mas eu tô falando de trabalho mesmo, o que você quer fazer?”. Ilustradores e músicos sabem bem o que é isso também.

E, olha só, os dois tipos de pessoa descritos não são exemplos de amor pelo trabalho. O primeiro quer uma estabilidade, o segundo faz do seu Amor pela arte o seu trabalho. A diferença entre eles é clara, mas a relação do segundo com a atividade em si é bem diferente do cara levantar todo dia e pensar que tem que ir trabalhar, mas ele gosta. Eu sei, parece complicado.

Então, coloquemos assim:

O segredo de ser feliz é uma combinação entre ter tesão de levantar da cama para trabalhar, seja lá com o que for, com o quanto que, ao final do dia, aquela atividade te preenche o peito de satisfação.Não importa se você trabalha de casa, num escritório, na rua, ou onde seja. Encostar a cabeça no travesseiro e saber que se está no rumo certo do seu coração é o que conta de verdade.

No meio disso tudo haverá, sem dúvida, a questão de obter ou não reconhecimento, ganhar ou não dinheiro, status, fama, mas também terá a alma sendo alimentada, a vida sendo construída e o seu papel no Mundo sendo definido. Isso quando não surge aquela louca vontade de jogar tudo pro alto e fazer qualquer outra coisa.

E, claro, haverá o Amor.

Não existe melhor motivador para durar uma Vida inteira do que o Amor. E não tenha dúvidas de que mesmo escolhendo fazer algo para o qual os outros viram a cara, a ralação e a dedicação terão de ser tão ou mais intensas que aquela de um cargo mais tradicional. Nessas horas, o que te sustenta é a certeza de que você quer e nasceu para aquilo. O que te faz não desistir é saber que sua Vida ficaria sem propósito. E aí, você vai lá e coloca tudo que tem.

Põe seu tempo, sua Vida e seu Amor.
E confia que vai dar certo.

[ Gustavo Lacombe ]

“O Amor É Para Os Raros”, meu segundo livro, pode ser encontrado aqui: http://bit.ly/AmorParaRaros