Alguns Términos São Livramentos

É muito estranho ver alguém se distanciar e dar mais alívio que saudade. Alguém que era tão próximo, que sabia tanta coisa de mim, mas que foi apertando tanto a rotina que sufocou os pensamentos, diminuiu todos os espaços e acreditou que cercar alguém era amor. Era, sim, mas… sei lá. Fica um gosto esquisito na boca do fim. Entendo quando alguém me olha e diz “você se livrou”, mas não é assim que o coração percebe a realidade. Entende? Talvez alguns dedos apontem e digam que era abusivo. Abusivo uma ova. Problemático, quem sabe, mas eu fui me sujeitando e, quando vi, aceitava coisas porque gostava. Aqui, mais uma vez, dirão “abusivo”. Ainda me parece estranho. Vi uma vez numa revista que algumas pessoas vivem essa situação e não percebem. Precisam que alguém de fora diga, mostre e, em certos casos, tire daquela realidade. Mas por quê? Se o outro me prometeu mudar, por que não acreditar? Cheguei a me comparar várias vezes com várias outras amigas que viviam coisas piores. Nunca apanhei, nunca deixei de sair. Tinha que aturar ciúmes e desconfianças, mas que casal não passa por essas coisas? Quando eu dizia que era “complicado” terminar, muita gente me falava que eu é quem complicava tudo. Não sei. Sei que hoje me sinto assim, com mais alívio na alma do que peso na consciência. Mais vontade de viver essa nova fase do que saudade do que passou. Ficam as lembranças, claro, mas não consigo deixar de achar estranho. E pensar que, no final das contas, nem fui eu quem colocou o ponto final. Vai entender. Talvez fosse tão maluco que tudo foi meio fora de lugar e de ordem. Talvez eu tenha me livrado mesmo, falta apenas descobrir.

[ Gustavo Lacombe ]

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Desce Que Eu Tô Te Esperando

Eu tô parado na porta do teu prédio sem coragem de dizer “desce”. Então, resolvi escrever. Resolvi dizer que eu não tô aqui embaixo tentando te convencer a nada, mas tentando mostrar que eu gosto. Não falo que é pela enésima vez que eu faço isso porque a proposta hoje é justamente outra: viver o começo de nossas vidas deste ponto em diante.
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O que passou vai ficar de bagagem, certamente, mas não será o bastante para que ofusque o nosso sorriso. Acredito que um dos grandes problemas que as pessoas levam seja o fato de que passados mal resolvidos e sentimentos deixados à míngua sem suas devidas decisões continuam reverberando e causando estragos no tempo presente.
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E fica impossível seguir.
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Então, ao entrar no elevador, venha certa de que tudo poderá continuar no mesmo lugar e as cores ainda serão as mesmas, mas nossos corações terão mudado e nossos olhos passarão a enxergar tudo de maneira diferente. E mesmo que no início não pareça, com o tempo e a prática nós conseguiremos. Eu tenho certeza que só a vontade de fazer dar certo já é mais que meio caminho andado.
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Minha mão estará aqui nos piores momentos. Meu ombro, meu colo. Meus pés poderão servir de apoio e não duvide e um dia for preciso te tomar em meus braços para que você perceba que nenhum medo será maior que nós. Não vamos conseguir mudar o Mundo, mas teremos chance de mostrar a todos o poder do sentimento.
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O maior exemplo que se precisa.
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E se mesmo dizendo tudo isso ainda for preciso admitir o óbvio, admito que estou tão nervoso que não sei como simplesmente dizer “te quero comigo”. Quero e não há outro desejo tão forte quanto este. Eu quero que a Vida siga, mas quero que ela siga com você. Tô aqui.
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Desce?
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[ Gustavo Lacombe ]

“Faça Aquilo Que Ama e Não Trabalhará” é Mentira

Lembra quando alguém te disse que fazer aquilo que ama é um passo importante para não precisar mais trabalhar pelo resto da sua vida? Então, se você já trabalha com o que ama deve ter percebido que essa é uma das maiores mentiras que poderiam ter nos contado, né? E o motivo é simples: trabalho, por melhor que seja, uma hora vai pesar para o lado negativo que muitos colocam na palavra. E, sim, vai dar vontade de jogar tudo pro alto.

É mais do que normal.

A diferença é o que se faz com a frustração ou a decepção ante resultados ou respostas. Desistir, para quem faz o que sempre sonhou e coloca-se de coração inteiro, parece ser uma alternativa que nunca será viável. E espero que não seja mesmo. Persistir e ser resiliente (palavra da moda) é a grande sacada. Não que seja fácil assumir esse caráter ou se aprenda logo com alguma cartilha na esquina, mas é fundamental saber que nem tudo dará certo de primeira.

Fundamentais são os “nãos” que recebemos pelo caminho. O que conta, a partir deles, é quanto de ânimo é injetado nos projetos e quanto ficamos dispostos e melhorar falhas, assumir defeitos e corrigir todo o resto para, enfim, receber um “sim”. Ou, no caso de quem precisa de um resultado, não de uma resposta, são essas correções que determinam o sucesso de uma ideia. Mas, olha, tudo se comprova no tempo, tá?

Nada é pra já.

Entendo que vivemos numa sociedade que adora o que faz sucesso imediato. Uma foto, um bordão, um deslize e viramos capa de jornal. Basta um piscar de olhos para irmos ao topo e, acredite,  queda demora bem menos. Fazer o que ama, nessa lógica, é saber que todo seu esforço está em algo que se torna a sua vida. E acredito que o segredo não é “não trabalhar”, mas trabalhar com mais afinco ainda – sabendo que ser bem sucedido passa diretamente pelo seu esforço e pela sua força de vontade.

Como bem diria meu pai “trabalho é trabalho”, o que implica na certeza de que haverá dias insuportáveis e outros maravilhosos. Dias em que jogar tudo pro alto será quase a única saída e outros em que o Mar de Rosas se apresenta pronto a ser navegado. Essa dualidade é da vida. Saber lidar com ela é prova de maturidade. No fundo, pensar em abrir mão de tudo é parte da nossa formação e entendimento da dificuldade que é viver um sonho.

Fazer isso de verdade é que se torna o problema.

Confiança em si, suor diário e busca incessante por mais conhecimento para transformar a realidade são apenas alguns pontos que sempre ouvi falar. O ditado é certo: apenas no dicionário o sucesso aparece antes do trabalho. Mas a palavra que surge antes dessas todas é Amor, que nos diz desde o começo que é preciso não se esquecer do sentimento que se coloca nessa equação. E se ele se infla nos dias bons, é o que sustenta os dias ruins. Dias em que o trabalho será mais trabalhoso do que nunca.

Dias em que nossa fé é testada e apenas repetimos: eu já sou um vencedor.

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Saber Reconhecer Defeitos e Erros É Fundamental

É difícil se olhar no espelho e reconhecer um erro. Ou, pior, admitir que o defeito já é companheiro de longa data e praticamente nada pode ser feito para mudar no curto prazo. Nessas horas, diante do obstáculo do que já está feito e parece imutável, parece fácil perder a calma e o controle da situação como um todo. Relaxa, eu diria. Respira, aconselharia. Mude, eu tentaria.

Claro que, num primeiro momento, qualquer mudança pode parecer forçada. Quando a gente já está acostumado a ser de um jeito, trocar o estilo é uma tarefa extremamente dolorosa. Desconstruir uma Vida inteira de vícios, manias, hábitos e caráter não é dos exercícios mais prazerosos. Acompanhados de alguma decepção, então, tornam-se verdadeiros espinhos cravando fundo a carne e nos mostrando que fomos tolos por muito tempo.

Até enxergar que poderíamos ser diferentes.

Talvez o que falte seja alguém sincero o bastante para apontar sem querer ferir e que nos ame ao ponto de garantir a segunda chance. Às vezes, somos egoístas e não percebemos, somos invejosos e não percebemos, somos infantis e não percebemos, somos soberbos e não percebemos. Poderia encher uma lista inteira com itens que nos fogem os olhos e sensibilidade, mas que marcam profundamente quem precisava/se cercava/convivia/desejava/esperava de nós.

Você pode até usar o argumento de que “as pessoas precisam gostar de mim como eu sou”. Claro que pode. Só que esse é um jeito idiota de justificar seus atos e não ter a humildade de voltar atrás em certas ocasiões e, inclusive, mudar quando for preciso – longe de ser forçadamente, mas necessariamente. Insistir num traço ruim e continuar afastando repetidamente mais e mais pessoas de si é ignorar o fato de que nossos atos podem machucar os outros.

Ou você pode abraçar a Vida solitária se quiser.

Espero que possamos continuar melhorando. Espero que possamos continuar buscando nossas melhores versões para que o Mundo seja um lugar melhor – ainda que por vezes as razões para acreditar nisso se tornem escassas. Pedir desculpas sinceras e ousar tentar mudar não é motivo de vergonha, mas, sim, um ato de bravura diante da intolerância de muitos em querer refletir sobre a consequência de seus passos.

[ Gustavo Lacombe ]

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A Vida é Uma Sequência de Aleatoriedades

De repente, um raio caiu sobre um prédio em Chapecó e transformado as churrasqueiras das varandas em lareiras ternamente acessas para esperar – desde Março – por Papai Noel e seus duendes mágicos. Nessa mesma hora, quando a eletricidade percorreu o primeiro centímetro do pára-raio que não parou nada com aquela chuva, uma simpática senhora tropeçou numa pedra portuguesa solta do calçadão do Centro Histórico de Porto Alegre, encontrando o chão com a face direita do rosto, mas indo de encontro a uma nota de cem reais que tinha caído de algum bolso distraído – tornou a dor da senhora um pouco mais branda, ainda que o ralado do joelho tenha ardido durante dias. No segundo sincronizado em que o primeiro milímetro quadrado de pele da senhora encostou o chão, um cachorro abocanhou um carteiro que fazia sua ronda na Pituba, em Salvador, e que sempre se precavia, mas estava com a cabeça nas nuvens por ter recebido poucas horas antes um abono no seu salário. A mordida gerou uma cicatriz que até hoje gera risadas entre amigos. No milésimo perfeito, como um bater de claquete de diretor de cinema, em que a boca do cachorro encontrou a mão do menino carteiro, dois para-choques se beijaram na Avenida João XXIII em Teresina, ao passo que os dois motoristas saíram bufando de seus respectivos veículos e dispostos a pôr a culpa um no outro, mas deram de cara com um caso mal resolvido e decidiram fingir que não se conheciam. O prejuízo já tinha sido grande demais na Vida. E, para completar nossa sequência de fatos aleatórios e que, se me perguntarem vou poder dizer, não tinham nada a ver um com o outro, no instante em que os motoristas sentiram o impacto da batida e começaram a se xingar mentalmente, eu dei de cara com ela atravessando o sinal perto da minha rua aqui em Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Naquela hora, como se um raio tivesse trespassado meu peito e me feito enriquecer afetivamente pelo modo como as batidas do meu peito se alvoroçaram e pareciam correr alucinadamente de algum perigo iminente, eu senti que era algo muito diferente nascendo em mim. Mais que uma atração, o avesso da dor, o revés daquele que se julga feliz sozinho. Algo que se torna infinito na angústia de querer saber se pode, então, ser recíproco. Não haveria como descrever de outro modo: era Amor.

[ Gustavo Lacombe ]

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Ninguém é Obrigado

Demora-se a entender que nem todas as vontades vão bater, nem todas as químicas vão casar e nem sempre os momentos serão ideais. Não adianta colocar o dedo na cara de alguém e dizer que “você não me valorizou” ou qualquer coisa parecida. As pessoas, sim, acabam tratando outras como opção, enquanto essas outras se esgoelam para gritar ao mundo inteiro que precisam ser e se sentir prioridades. A vida não é tão simples, mas se faz sempre o favor de complicá-la. As relações, então, se você já teve algum tipo delas, são complexas ao extremo. Seres humanos são falhos: enxergam defeitos onde não tem, inventam desculpas, se ofendem com pouco e, principalmente, tem valores distintos. O que é mega-ultra-hiper importante para um pode não fazer a mínima diferença para outro. E, a partir desse ponto, se subentende que a falta de diálogo é o mal da humanidade. Por fim, tudo pode ser um grande problema de comunicação. “Eu quero isso”, “você quer aquilo” e “fulano quer outra porra totalmente diferente”. Acostumem-se, por favor. Não sejam desrespeitosos e egoístas o suficiente para achar que só existe o seu jeito. A gente é sempre só mais um que, de vez em quando, dá sorte de topar com alguém que, na nossa singularidade, nos torna único. E, então, com todos os “timings”, vontades e afins conspirando a favor, temos algo que dá certo. Sem pressão, até descobrir que ninguém é obrigado a nada.

[ Gustavo Lacombe ]

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O Segredo é Pôr Amor

A receita é antiga. Quantas vezes você ouviu alguém dizendo que se você fizesse aquilo que amava não teria que trabalhar nenhum dia da sua Vida? Milhões. Na inversão das palavras, amar aquilo com que se trabalha sempre pareceu ser classificado em segundo plano. Na linha lógica da cabeça dessa gente, o Amor servia como algo para tirar o peso das coisas, não se tornar um escravo cego das relações trabalhistas que podem se estabelecer.

É um exagero, claro, mas é por aí.

Primeiro porque uma das grandes verdades é que nem todo mundo sabe qual a sua razão de estar nesse Mundo. Estou dizendo laboralmente. Pensa que não tem uma vocação, não tem uma aptidão, e fica se encostando em alguma faculdade meia boca para ter um diploma e estudar pra concurso. Não que concurso não possa ser uma vocação, mas tem gente que se apoia nisso pra poder ter uma Vida tranquila, fazer alguma coisa que dê um bom salário e não se preocupar mais na Vida.

Por outro lado, tem aquela galera que escolhe a paixão. Decide viver de algo que é bem mais difícil de conseguir um retorno imediato e são esses que sofrem pressão da família e da sociedade para “serem alguém”. Lembro que um familiar sempre me perguntava o que eu seria e eu respondia “escritor”. Ele perguntava de novo “não, mas eu tô falando de trabalho mesmo, o que você quer fazer?”. Ilustradores e músicos sabem bem o que é isso também.

E, olha só, os dois tipos de pessoa descritos não são exemplos de amor pelo trabalho. O primeiro quer uma estabilidade, o segundo faz do seu Amor pela arte o seu trabalho. A diferença entre eles é clara, mas a relação do segundo com a atividade em si é bem diferente do cara levantar todo dia e pensar que tem que ir trabalhar, mas ele gosta. Eu sei, parece complicado.

Então, coloquemos assim:

O segredo de ser feliz é uma combinação entre ter tesão de levantar da cama para trabalhar, seja lá com o que for, com o quanto que, ao final do dia, aquela atividade te preenche o peito de satisfação.Não importa se você trabalha de casa, num escritório, na rua, ou onde seja. Encostar a cabeça no travesseiro e saber que se está no rumo certo do seu coração é o que conta de verdade.

No meio disso tudo haverá, sem dúvida, a questão de obter ou não reconhecimento, ganhar ou não dinheiro, status, fama, mas também terá a alma sendo alimentada, a vida sendo construída e o seu papel no Mundo sendo definido. Isso quando não surge aquela louca vontade de jogar tudo pro alto e fazer qualquer outra coisa.

E, claro, haverá o Amor.

Não existe melhor motivador para durar uma Vida inteira do que o Amor. E não tenha dúvidas de que mesmo escolhendo fazer algo para o qual os outros viram a cara, a ralação e a dedicação terão de ser tão ou mais intensas que aquela de um cargo mais tradicional. Nessas horas, o que te sustenta é a certeza de que você quer e nasceu para aquilo. O que te faz não desistir é saber que sua Vida ficaria sem propósito. E aí, você vai lá e coloca tudo que tem.

Põe seu tempo, sua Vida e seu Amor.
E confia que vai dar certo.

[ Gustavo Lacombe ]

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