Agora Que Sei Que Posso Falar (+18)

Agora que posso falar só queria te dizer que a minha língua já passeou muito pelos meus lábios molhando a boca e imaginando que poderia cair feliz na sua boceta. Molhada, claro, porque quero te atentar desde o princípio do encontro e te provocar pra que cada peça de roupa queira descolar do seu corpo e se juntar com as minhas no chão. Emboladas como nossas pernas em cima da cama. Ou em pé. Confesso que já bati (várias) no banho pensando em você como que poderíamos ser a tradução daquela piadinha boba de “vamos economizar água?”. Te quero faz tempo e, agora que sei que é recíproco, te mando essas mensagens pra tentar amenizar o tesão que me faz ficar de pau duro só de olhar os seus peitos quase nus no decote da foto antiga do perfil. Você sabe que é gostosa. Sabe que é linda. Tava vendo umas fotos tuas – e não repara por que todo ser que vive num estado parecido com esse meu vira um pouco stalker – acho que hoje é a sua melhor fase. E falo isso por que essa é a fase que a gente vai foder gostoso. Não acreditei quando vi que nossas conversar iam por esse caminho, mas meu lado Safa deu uns três tapas na cara do lado Fofo e deixou a vontade falar mais alto. Não acho que sou tarado. Patologicamente, sabe? Mas fico me perguntando se tem problema fantasiar um de semana de maratona contigo. Não de Netflix. Sexo até os corpos desfalecerem. E você vai acabar me perguntando “só pensa naquilo?”. Não. Penso no café da manhã que vou preparar pra você, no cinema que a gente pode ir, mas todas as situações tem como desfecho você em cima de mim. Ou eu em cima de você. Descobrir com calma tudo que você gosta e deixar que os dedos apertem a carne que tanto amassou a roupa de nervoso. E pra gente dar um rumo prático pra essa prosa, só me diz o dia que você pode e, se puder agora, me fala que eu saio correndo, de uber, ônibus ou helicóptero, mas apareço na tua porta pronto pra te fazer sentir o que tô sentindo com esse tesão de subir nas paredes. Já imagino teu rosto sorrindo na hora do gozo e a tua voz pedindo “vamos dar mais uma?”. Vamos. Agora que sei que tudo isso é recíproco, só me diz: quando você quer gozar comigo?

( Gustavo Lacombe )

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Resenha: “O Amor Nos Tempos do Cólera”

Acabei de ler “O Amor nos Tempos do Cólera” e só consigo dizer que gostei. Não de um jeito simples, mas de um jeito que senti a aula alimentada por uma história, seus meandros e personagens bem construídos que, até o final, pareciam terem sido feitos para um livro eterno.

A história narra o Amor de Florentino Ariza por Fermina Daza numa Colômbia antiga e ainda com tradições enraizadas sem muito avanço desde a sua libertação. Assolados por guerras-civis intermináveis e surtos de cólera que volta e meia matavam milhares de pessoas, as vidas dos protagonistas vai se desenrolando a partir de memórias, momentos e, o que mais me encanta em Gabriel García Marquez, fragmentos soltos que, de repente, puxam um fio inteiro de narrativa.

O livro é longo. Depois de ter lido um livro de John Green em três dias, passei quase janeiro inteiro com esse Amor nas mãos. A sensação que me dá ao ter um livro desses para ler é que ele necessita de tempo e atenção, sem poder ser lido em qualquer ocasião por conta da riqueza de detalhes e um vocabulário distante do comum – mas esse é um jeito meu de ler a história e que acho que funciona melhor pra mim.

O livro foi escrito no final do ano sabático de Gabriel logo após ganhar o Nobel de Literatura. Não tem o mesmo realismo mágico de “Cem Anos de Solidão” e é muito mais profundo que “Memórias de Minhas Putas Tristes”, os outros dois títulos que li do autor.

Sobre a história em si, posso dizer que passei o livro inteiro torcendo para que Florentino encontrasse outra razão de viver que não fosse Fermina. Torci para que o casamento dela com o Doutor Juvenal Urbino se estendesse para além da morte de Ariza. E te garanto que fiz isso por que julgava caminhos mais diversos para o fim, que não é nada previsível – mas que pode reservar ainda mais surpresas se você não ler a orelha do livro.

Numa cotação rápida, dou 4.5/5 estrelas para o livro. “Cem Anos” é mais encantador, na minha opinião, o que não me permite dar nota máxima para este. Ainda assim, é um daqueles que você pode bater no peito e dizer que leu. E, assimilando bem diversos conceitos, frases e pensamentos que lá estão, pode terminar a leitura com outra visão do que é o sentimento, do que é o carinho, do que é a Vida em si.

Salve, Gabriel!

Resenha: “Tartarugas Até Lá Embaixo”

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Acabei de ler “Tartarugas até Lá Embaixo”, novo livro do John Green pra Intrínseca e é inevitável não comparar com os outros depois de você ter lido mais de uma vez cada um dos livros.

O livro é bom? É. Médio. Assim, Aza Holmes tem suas crises de ansiedade e se tem uma coisa que Green faz bem é nos deixar ansiosos juntos com ela. Lembrei insistentemente de uma música do Marcello Gugu que fala sobre crises de ansiedade e como que nunca é a besteira que os outros pensam.

Talvez por isso tenha dado uma chance a Aza. E se tem outra coisa que o livro nos faz refletir bastante é sobre a condição de julgar as batalhas que as outras pessoas travam. Aliás, sobre como NÃO temos condição alguma de julgar as lutas internas de cada um.

E de como precisamos lidar com os nossos próprios monstros.

Green tem seu estilo. E eu gosto. Ainda assim, não acho que esse livro tenha sido o seu melhor. Também não quero dizer aqui que é um livro para não ser lido. Se você conhece alguém que sofre de crises de ansiedade, vai conseguir entender melhor o mundo dessa pessoa. Ou dando o livro de presente talvez a ajude entender que isso não é um defeito de fabricação: é apenas um dos bilhões de jeitos de qualquer pessoa.

Imagino que ele seja um livro interessante para os jovens. Muitos desses que estão construindo sua personalidade, que sentem intensamente e que ainda estão entendo o que é conviver em sociedade e a complexidade disso.

Dentro do gênero em que se insere, “Tartarugas” cumpre seu papel de dialogar bem com seu público e expor uma condição que muitos acham bobeira. A trama por trás dela – o sumiço de um bilionário e as aventuras de duas amigas para conseguir pistas que desvendem o seu paradeiro, chega até a ser esquecida em algumas partes.

O drama humano é bem maior.

Não pretendo virar crítico literário, só pretendo ir comentando aqui os livros que eu for lendo ao longo de 2018.

Quem tiver sugestão de leitura, pode deixar aqui nos comentários!

Já Me Esqueceu, né!?

Ela abre uma rede social e vê a foto do ex com a atual. Ri depois de se comparar com ela e pensa “me trocou por isso!?”, mas logo para. O sorriso no rosto do casal incomoda e ela manda “JÁ ME ESQUECEU, NÉ!”. Rola um sentimento de posse ruim nessa hora. O amor vivido não foi esquecido, mas o que se sente é um misto de ódio em ver que ele seguiu e prazer em saber que ela é mais bonita. Mas o sorriso continua ali. Não, nada diz que eles são namorados, há quanto tempo se conhecem, mas ela já presumiu aquilo tudo. Acha até que já viu aquele rosto em alguma foto com ele antes, mas não consegue se lembrar. Arquiteta universos inteiros só com a sua paranoia e cria mundos completos só com as besteiras que sua imaginação é capaz de contar. Pensou em ligar. Pra ele. Acabou conversando com uma amiga que mandou: lembra daquele suplemento que você comprou que vinha dizendo “para melhores resultados tenha uma dieta balanceada”? Então, a própria embalagem já dizia que nessa vida não existe milagre. A perna não vai engrossar sozinha, a barriga não vai chapar sem dieta e, acredite, teu coração não vai esquecê-lo de um dia pro outro. Ela riu da analogia. “Que horrível”, falou, mas viu que era verdade. Quando terminou o relacionamento, cortou o cabelo, voltou a correr e decidiu se cuidar mais. Tinha dado certo. Sentia mais gente olhando, mas o sentimento ainda resistia. Talvez aquela foto tenha servido pra alguma coisa. Pra motivar a se abrir, a viver coisas novas. Perguntou qual era a boa e foi embora pra casa da amiga levando uma mala de roupas. Sim, uma mala pra uma noite. E, naquele dia, bloqueou o ex, como quem precisa de uma camisa de força para não esticar a mão ao que vicia. Bloqueou, sim, e não viu, meia hora depois, que ele tinha editado a legenda e escrito:

parabéns pela formatura, prima!

[ Gustavo Lacombe ]

Quem Teme a Saudade?

Tem gente que ouve a palavra “saudade” e já sente um arrepio. Tem quem morra de medo de senti-la depois de um encontro, de uma pessoa distante ou de alguém que “não vale a pena”, mas é impossível controlar o sentimento. Saudade, pra mim, aparece depois que valeu ter vivido algo, valeu ter conhecido alguém e que representa os momentos marcantes da nossa trajetória.

Saudade é a certeza de um lugar para onde voltaríamos, de alguém a quem nos entregaríamos e até mesmo os passos que daríamos novamente para chegar onde chegamos. É atrelada à dor porque pode aparecer em momentos inoportunos. Pode não ser tão bem recebida em diversas ocasiões, mas vira e mexe vai nos fazer ver que um coração que não a carrega é um coração que não viveu nada de incrível.

Como um defensor da arte de “se entregar” e aproveitar a vida sem medo de ser feliz – e sabendo que se machucar é apenas um lado dessa moeda, vou continuar olhando com carinho para a Saudade e levando bem ao pé da letra o que diz Gonzagão na sua música. Lembrando por lembrar, vemos que foi até bom. Mas se a saudade amargar, a gente canta. Espanta os males, faz rima, verso, liga.

Se declara. Vai atrás.

Compreendo que existe também a saudade por quem já partiu e de momentos impossíveis de se viver de novo, mas pra todo Amor que ainda dá pé e que deixa o sabor gostoso de saudade no corpo, eu digo: vá atrás. E pra quem não gosta de tê-la, nada melhor do que transformar um “eu tô com saudade” num “desce que eu tô aqui embaixo”, “vem que eu tô aqui fora” ou num “não deu pra esperar até amanhã, vim hoje”.

Se não há remédio para ela, que pena. Mas aos que podem acabar com ela, que não tenham piedade. Dissolvam a saudade num beijo, num abraço ou até numa simples ligação, mas não deixa nunca que uma saudade fique entre você e quem se ama.

Mate-a com ainda mais Amor.

(Gustavo Lacombe)

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Arame Farpado

Saudade é um arame farpado que, sorrateiramente, vai envolvendo o Amor. Depois de abraçá-lo, passa a apertá-lo com toda a força característica dos sentimentos que nada tem a perder. Ela sabe que um simples encontro a faz acabar. Então, aproveita cada momento que pode para machucar, sufocar e marcar o peito. Mas é quando a Saudade pensa que está prestes a vencer – com a certeza digna de uma péssima vencedora que se transforma em perdedora de última hora – ela vacila. O Amor, se fazendo de morto, tira uma carta da manga (seja ela um telefonema, uma carta antiga ou uma loucura), e se afrouxa do estrangulamento. Retruca a vil investida e ganha forças. Resiste o suficiente para agüentar até a próxima troca de olhares, até o próximo encontro, próximo beijo, desejo. Até, enfim, se livrar da dor que a falta traz. As marcas cicatrizam e ficam como troféus da resistência.

Forte é o amor.Girassol_Arame_farpado_by_dullafoto

Alguns Términos São Livramentos

É muito estranho ver alguém se distanciar e dar mais alívio que saudade. Alguém que era tão próximo, que sabia tanta coisa de mim, mas que foi apertando tanto a rotina que sufocou os pensamentos, diminuiu todos os espaços e acreditou que cercar alguém era amor. Era, sim, mas… sei lá. Fica um gosto esquisito na boca do fim. Entendo quando alguém me olha e diz “você se livrou”, mas não é assim que o coração percebe a realidade. Entende? Talvez alguns dedos apontem e digam que era abusivo. Abusivo uma ova. Problemático, quem sabe, mas eu fui me sujeitando e, quando vi, aceitava coisas porque gostava. Aqui, mais uma vez, dirão “abusivo”. Ainda me parece estranho. Vi uma vez numa revista que algumas pessoas vivem essa situação e não percebem. Precisam que alguém de fora diga, mostre e, em certos casos, tire daquela realidade. Mas por quê? Se o outro me prometeu mudar, por que não acreditar? Cheguei a me comparar várias vezes com várias outras amigas que viviam coisas piores. Nunca apanhei, nunca deixei de sair. Tinha que aturar ciúmes e desconfianças, mas que casal não passa por essas coisas? Quando eu dizia que era “complicado” terminar, muita gente me falava que eu é quem complicava tudo. Não sei. Sei que hoje me sinto assim, com mais alívio na alma do que peso na consciência. Mais vontade de viver essa nova fase do que saudade do que passou. Ficam as lembranças, claro, mas não consigo deixar de achar estranho. E pensar que, no final das contas, nem fui eu quem colocou o ponto final. Vai entender. Talvez fosse tão maluco que tudo foi meio fora de lugar e de ordem. Talvez eu tenha me livrado mesmo, falta apenas descobrir.

[ Gustavo Lacombe ]

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