Sobre o que está aí engasgado…

Dizem que tudo que a gente tem engasgado no peito uma hora sufoca querendo encontrar espaço para sair. Na maioria das vezes, essa saída vem em forma de choro no meio da madrugada ou em um acesso de raiva em que alguém esmurra uma porta, uma parede ou a própria consciência. E mesmo não sendo comum, tem horas que esse engasgo trava a vida, fazendo com que nada pareça estar no lugar e aquela lombada no meio da estrada não tenha sido superada. Vira obstáculo. Intransponível. A solução é óbvia: falar sobre isso, declarar o que sente, chamar para uma conversa quem é o objeto dessa angústia. Só isso pode acabar. Decidir ficar quieto e pensar “prefiro seguir com isso aqui dentro” é reflexão que acaba desaguando em outras madrugadas insones e atando outros nós no peito – já tão atribulado. No final, você que sabe o que quer levar aí. Dúvida, suposições, barreiras ou encerramentos de ciclo, desfechos e soluções.

#GustavoLacombe
#ahlacombe

Da varanda eu p…

Da varanda eu posso ver a rua. Fecho a cortina para que aqui dentro fiquemos a sós. Não queremos ninguém vigiando. Mais duas portas cerradas e agora somos, literalmente, dois amantes entre quatro paredes. Debaixo da coberta, você faz charminho pra mim. Logo se vira, encara meu rosto e me beija. Mal sabe o que eu passei pra tê-lo. Para tê-la. Só começando nosso dia, mas a recompensa já me chega. É a tua boca na minha, minha pele na tua. É a vontade, nua e escancarada, que o amor nos faz vestir. Sabe-se lá que horas acaba – a gente não marca -, mas começou faz tempo. Num sonho perdido ou numa dessas madrugadas, eu já imaginava a cena, já planejava invadir o teu mundo e não sair por mais nada.

(G. Lacombe)